Patrimônio do casal é a soma do que os dois têm menos o que os dois devem, separada em três colunas: o que é de um, o que é do outro e o que é comum. O regime de bens define a coluna comum. Na comunhão parcial, que vale quando não há pacto (Código Civil, art. 1.640), o que o casal compra durante o casamento tende a ser comum, e o que cada pessoa já tinha ou herdou fica fora (art. 1.658 a 1.660).
Em resumo
- O balanço tem três colunas: de um, do outro e comum. O total do casal é a soma delas.
- Na comunhão parcial, compra feita durante o casamento entra na comum mesmo só em nome de um (art. 1.660, I). Bem anterior, herança e doação a um só ficam fora (art. 1.659, I).
- Dívida também tem coluna. O financiamento do bem comum vai para a comum; compra de uso da casa no cartão de um pode obrigar os dois (art. 1.643 e 1.644).
- FGTS, previdência e imóvel financiado antes do casamento dependem de datas e decisões judiciais. Para o seu caso, procure um advogado.
- NÃO some tudo e divida por dois: no exemplo deste texto, o erro chega a R$ 125.900.
A calculadora de patrimônio líquido roda uma vez por coluna, sem login, e cada item do patrimônio líquido pessoal tem seu critério de valor. O assunto aqui é o que o casal tem e deve. As contas do mês, quem paga o quê, estão no guia de finanças do casal, nos modelos de divisão e na calculadora de divisão de contas.
Como calcular o patrimônio do casal?
Para calcular o patrimônio do casal, liste cada bem e cada dívida uma única vez, pelo valor de hoje, e coloque o item em uma de três colunas: de um, do outro ou comum. Subtraia as dívidas dos bens em cada coluna e some os três resultados. A tabela serve de modelo:
| Item | De um | Do outro | Comum |
|---|---|---|---|
| Dinheiro e investimentos | O que for particular de um | O que for particular do outro | Conta conjunta e o que for comum pelo regime |
| Imóvel | Bem particular | Bem particular | Bem comum, pelo valor de venda |
| Carro | Bem particular | Bem particular | Bem comum, pela Fipe do mês |
| FGTS e previdência | Saldo em nome de um | Saldo em nome do outro | Fica vazio, por convenção de controle |
| Cartão | Compras pessoais | Compras pessoais | Compras da casa |
| Financiamentos e empréstimos | Dívida de um | Dívida do outro | Saldo devedor do bem comum |
Duas regras ajudam no preenchimento. Nenhum item aparece em duas colunas, então a conta conjunta entra uma vez só. E a dívida fica na mesma coluna do bem que ela financiou, para o resultado mostrar quanto daquele bem já foi pago.
O modelo de balanço patrimonial pessoal mostra as linhas e a ordem do documento, e o texto sobre o que conta como patrimônio explica o valor de carro, imóvel, FGTS e previdência.
O que é de cada um e o que é do casal?
O que é de cada um e o que é do casal depende do regime de bens. Sem pacto, vale a comunhão parcial (Código Civil, art. 1.640). Para outro regime, o casal faz pacto antenupcial por escritura pública (art. 1.640, parágrafo único). A coluna comum muda bastante de um regime para outro.
| Regime | O que tende a ir para a coluna comum | O que tende a ficar de fora | Base legal |
|---|---|---|---|
| Comunhão parcial | Bens que chegam durante o casamento, comprados ainda que em nome de um só; doação ou herança a favor dos dois; benfeitorias em bens particulares; frutos dos bens | Bens anteriores; doação ou herança a um só; dívidas anteriores; uso pessoal, livros e instrumentos de profissão; outras exceções do art. 1.659 | Art. 1.658 a 1.660 |
| Comunhão universal | Bens presentes e futuros dos dois, e as dívidas | Herança ou doação com cláusula de incomunicabilidade e outras exceções da lei | Art. 1.667 e 1.668 |
| Separação de bens | Só o que o casal decidir comprar em nome dos dois | O bem de cada pessoa, que administra e pode vender sozinha | Art. 1.687 |
Base: Código Civil no texto compilado do Planalto, consulta em 30/10/2026. Resumo para organizar um balanço, sem valor de orientação jurídica. Para o seu caso, procure um advogado ou um cartório de notas.
Duas situações ficam fora da tabela:
- União estável: sem contrato escrito, aplica-se "no que couber" a comunhão parcial (art. 1.725).
- Separação obrigatória: o art. 1.641 lista quem casa nesse regime, inclusive a pessoa maior de 70 anos. O STF decidiu em 1º de fevereiro de 2024 (Tema 1.236) que, nesse caso da idade, a regra pode ser afastada por escritura pública. Quem já é casado precisa de autorização judicial, com efeito só para o futuro.
FGTS, previdência e imóvel financiado antes do casamento: de quem são?
Este texto não dá uma regra para FGTS, previdência e imóvel financiado antes do casamento. O STJ tem decisões específicas sobre FGTS e previdência privada, e o imóvel anterior pago durante a união é examinado caso a caso. A resposta do seu caso vem de um advogado, com as datas e os documentos na mão.
Para acompanhar o patrimônio, a saída prática é registrar FGTS e previdência na coluna do titular e anotar ao lado a data de início da união. Isso é uma convenção de controle e não decide nada numa partilha. O STJ reuniu parte das decisões sobre o tema em um panorama de 2020, que serve de ponto de partida para a conversa com o profissional.
Como fica o balanço de um casal na prática?
Bia, 33 anos, e Caio, 35, são casados em comunhão parcial e têm R$ 454.600 de patrimônio líquido somado. Desse total, R$ 93.000 estão na coluna comum. O exemplo é hipotético. O apartamento foi comprado e quitado por Bia antes do casamento, sem reforma paga pelo casal. O carro e os investimentos vieram depois.
| Item | Bia | Caio | Comum |
|---|---|---|---|
| Apartamento | R$ 280.000 | ||
| Investimentos | R$ 62.000 | ||
| Carro pela Fipe | R$ 55.000 | ||
| FGTS | R$ 29.000 | R$ 38.000 | |
| Previdência | R$ 21.000 | ||
| Total de bens | R$ 309.000 | R$ 59.000 | R$ 117.000 |
| Cartão | R$ 2.300 | R$ 4.100 | |
| Financiamento do carro | R$ 24.000 | ||
| Total de dívidas | R$ 2.300 | R$ 4.100 | R$ 24.000 |
| Patrimônio líquido | R$ 306.700 | R$ 54.900 | R$ 93.000 |
Exemplo prático
Bia: 280.000 + 29.000 menos 2.300 = R$ 306.700.
Caio: 38.000 + 21.000 menos 4.100 = R$ 54.900.
Comum: 55.000 + 62.000 menos 24.000 = R$ 93.000.
Casal: 306.700 + 54.900 + 93.000 = R$ 454.600.
Rodando a calculadora uma vez por coluna, aparecem os indicadores abaixo. O patrimônio livre é o recorte usado no guia do patrimônio líquido: dinheiro e investimentos menos dívidas sem bem em garantia.
| Indicador | Bia | Caio | Comum | Casal |
|---|---|---|---|---|
| Endividamento (dívidas ÷ bens) | 0,7% | 6,9% | 20,5% | 6,3% |
| Em dinheiro e investimentos | 0,0% | 0,0% | 53,0% | 12,8% |
| Patrimônio livre | menos R$ 2.300 | menos R$ 4.100 | R$ 62.000 | R$ 55.600 |
Base: valores hipotéticos de outubro de 2026, nos campos da calculadora. FGTS e previdência aparecem na coluna do titular por convenção de controle, e os cartões do exemplo têm só compras pessoais. Cálculos educacionais.
A soma esconde três coisas que as colunas mostram. A coluna comum é só 20,5% do total, e o apartamento de Bia sozinho vale três vezes essa coluna. Os 6,3% de endividamento do casal sobem para 20,5% na parte que os dois construíram. E todo o dinheiro disponível está na coluna comum: fora dela, cada pessoa tem patrimônio livre negativo.
Minha leitura
Eu começaria pela coluna do meio. É a única que os dois constroem juntos, e a soma do casal a esconde: cada pessoa vê o próprio saldo, mas a parte comum só aparece quando alguém monta a folha.
Também não deixaria o assunto para a compra de um imóvel ou para quando a relação já vai mal. Uma folha simples, atualizada em um dia tranquilo, tende a deixar a conversa mais objetiva.
Adriano Freire · ANCORD nº 50352 · conteúdo educacional, não recomendação.
Dívida de um é dívida dos dois?
Nem sempre. Na comunhão parcial, dívidas anteriores ao casamento ficam fora da comunhão (Código Civil, art. 1.659, III). Já as compras a crédito de coisas necessárias à economia doméstica, e os empréstimos para pagá-las, obrigam os dois cônjuges solidariamente, mesmo sem autorização do outro (art. 1.643 e 1.644).
Por isso, o cartão no nome de Caio pode ter duas colunas. O mercado da casa tende a ir para a comum, e a compra pessoal fica com Caio. Outros dois artigos ajudam na separação: os bens da comunhão respondem por dívidas feitas para os encargos da família (art. 1.664), e as dívidas feitas por um dos cônjuges na administração de bens particulares, em benefício deles, não obrigam os bens comuns (art. 1.666).
Como acompanhar o patrimônio juntos sem brigar?
Para acompanhar o patrimônio do casal sem atrito, escolha um dia fixo, use sempre as mesmas fontes de valor e comece a conversa pela coluna comum. Imóvel pode ser reavaliado 1 ou 2 vezes por ano. Assim o número do mês reflete o que o casal guardou e pagou.
Com R$ 1.500 aplicados por mês em nome dos dois e R$ 1.000 por mês a menos no saldo devedor do carro, a coluna comum de Bia e Caio muda assim em seis meses:
| Coluna comum | Hoje | Em 6 meses | Efeito |
|---|---|---|---|
| Investimentos | R$ 62.000 | R$ 71.000 | mais R$ 9.000 |
| Carro pela Fipe | R$ 55.000 | R$ 53.000 | menos R$ 2.000 |
| Saldo devedor do carro | R$ 24.000 | R$ 18.000 | mais R$ 6.000 |
| Patrimônio comum | R$ 93.000 | R$ 106.000 | mais R$ 13.000 |
Base: simulação hipotética, sem rendimento e com queda de Fipe arbitrada. A amortização varia conforme o contrato. Cálculos educacionais. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.
Nos extratos, a alta seria de R$ 9.000. Os R$ 13.000 só aparecem com a dívida e o carro na mesma folha.
O que costuma distorcer o balanço do casal?
Quatro atalhos distorcem o balanço do casal: tratar tudo como comum, deixar o cartão de um de fora, decidir sozinho a coluna de um imóvel financiado antes da união e contar herança que ainda não veio. Eles mudam o retrato de cada pessoa, mesmo quando o total parece certo.
Erro 1: Somar tudo e dividir por dois
No exemplo, R$ 454.600 divididos por dois dão R$ 227.300 para cada pessoa. Lendo a coluna comum meio a meio, só como ilustração de controle e sem valor de partilha, a conta de Bia dá 306.700 + 46.500 = R$ 353.200 e a de Caio, 54.900 + 46.500 = R$ 101.400. A diferença na conta de Caio é de R$ 125.900.
Erro 2: Esquecer o cartão individual
O cartão de cada pessoa costuma ficar fora da conversa, e as parcelas futuras também. Em Bia e Caio são R$ 6.400 que somem da conta se cada um olhar só os bens.
Erro 3: Decidir sozinho a coluna do imóvel financiado antes do casamento
Um imóvel financiado antes da união e pago durante ela não cabe direto em uma coluna. Se for o seu caso, registre o imóvel e a dívida juntos, anote a data do casamento e o saldo devedor naquela data, e leve os documentos a um advogado.
Erro 4: Contar herança esperada
Herança que ainda não chegou não entra em nenhuma coluna. Quando chegar a um só dos cônjuges, na comunhão parcial, ela fica fora da comunhão (art. 1.659, I).
A declaração do Imposto de Renda é outro documento, com regras próprias. Os critérios para declarar junto ou separado estão no texto sobre declaração conjunta ou separada.
O Patrimo soma o patrimônio do casal?
Não. No Patrimo, cada pessoa tem a própria conta, e o app não tem visão conjunta: o gráfico de cada conta soma só as contas e os investimentos daquela pessoa, sem cartão, sem bens e sem descontar dívidas. A visão somada, com as três colunas, fica na planilha.
Passo 1: Cada pessoa cria a própria conta
Cada um cadastra as próprias contas e investimentos com o saldo de hoje e registra os lançamentos à mão ou por arquivo CSV. O app não se conecta ao banco.
Passo 2: Defina quem registra o que é comum
A conta conjunta e os investimentos comuns entram no app de uma pessoa só. Registrados nas duas contas, eles apareceriam duas vezes na hora de somar os números na planilha.
Passo 3: No dia combinado, leia o gráfico
O gráfico de patrimônio fica no painel, no plano grátis. Cada pessoa anota o próprio total.
Passo 4: Monte a visão do casal na planilha
A planilha de patrimônio líquido não tem colunas por pessoa, então use a descrição: "Bia: FGTS", "Comum: carro". Numa cópia compartilhada no Google Sheets, o total sai pronto. Para o resultado de cada coluna, rode a calculadora três vezes.
No caso de Bia e Caio, o gráfico de quem registrou os investimentos comuns mostraria os R$ 62.000. Apartamento, carro, FGTS e dívidas só aparecem na planilha.
Para as contas do mês, a planilha de finanças do casal divide as despesas e as metas conjuntas, mas ela não faz balanço. A apresentação do Patrimo detalha o que o aplicativo registra.
Perguntas frequentes
Como separar o patrimônio do casal na comunhão parcial de bens?
Para acompanhar o patrimônio, separe três colunas. Na comunhão parcial, entram na comum os bens comprados durante o casamento, ainda que só em nome de um dos cônjuges (Código Civil, art. 1.660, I). Ficam fora os bens anteriores ao casamento e os recebidos por doação ou herança (art. 1.659, I). Essa conta serve para controle. Uma partilha real depende de documentos, datas e decisões judiciais, e pede um advogado.
Herança entra no patrimônio do casal?
Depende do regime e de quem foi beneficiado. Na comunhão parcial, o que um dos cônjuges recebe por herança fica fora da comunhão (Código Civil, art. 1.659, I), mas a herança deixada em favor dos dois entra (art. 1.660, III). Na comunhão universal, a regra geral é comunicar tudo, e a herança com cláusula de incomunicabilidade é excluída (art. 1.667 e 1.668, I). Herança só esperada não entra em nenhuma coluna.
O FGTS de um cônjuge faz parte do patrimônio do casal?
O FGTS entra no total do casal como patrimônio de quem é titular da conta vinculada, por convenção de controle. Essa posição na tabela não define o que acontece numa separação: o STJ tem decisões específicas sobre FGTS, e o resultado depende das datas e do caso. Quem precisa dessa resposta para uma situação concreta deve procurar um advogado.
Como acompanhar o patrimônio do casal mês a mês?
Escolha um dia fixo, atualize os mesmos itens pelas mesmas fontes e registre as três colunas e o total. A coluna comum costuma ser a mais útil de olhar, porque mostra o que os dois construíram no período. No Patrimo, cada pessoa tem a própria conta e o app não soma as duas; a visão do casal, com bens e dívidas, fica na planilha de patrimônio líquido.
Na união estável o patrimônio é dividido igual ao casamento?
Sem contrato escrito entre os companheiros, a união estável segue, no que couber, o regime da comunhão parcial de bens (Código Civil, art. 1.725). Um contrato escrito pode prever outra regra. Como a lei usa a expressão 'no que couber', o caso concreto pede orientação de um advogado.
📚 Fontes
- Planalto: Código Civil, Lei 10.406/2002, texto compilado, arts. 1.640, 1.641, 1.643, 1.644, 1.658 a 1.660, 1.664, 1.666 a 1.668, 1.687 e 1.725 (consulta em 30/10/2026)
- STJ: panorama de decisões sobre partilha na comunhão parcial, com FGTS e previdência privada (27/09/2020)
- STF: separação de bens para maiores de 70 anos não é obrigatória, Tema 1.236 (01/02/2024)
Escrito por Patrimo
O Patrimo é um app brasileiro de controle financeiro. Escrevemos os guias que gostaríamos de ter lido no começo: com a conta feita na sua frente, exemplos em reais e números que vêm do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca de achismo nem de promessa de rentabilidade. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.
Ver perfil completo →Continue aprendendo
Curso da Academia
Dinheiro a Dois


