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Patrimônio do casal: como somar, separar e acompanhar

Patrimônio do casal em 3 colunas: de um, do outro e comum. Como somar bens e dívidas, o que a comunhão parcial considera comum e como acompanhar todo mês.

Patrimo
13 min de leitura

Patrimônio do casal é a soma do que os dois têm menos o que os dois devem, separada em três colunas: o que é de um, o que é do outro e o que é comum. O regime de bens define a coluna comum. Na comunhão parcial, que vale quando não há pacto (Código Civil, art. 1.640), o que o casal compra durante o casamento tende a ser comum, e o que cada pessoa já tinha ou herdou fica fora (art. 1.658 a 1.660).

Em resumo

  • O balanço tem três colunas: de um, do outro e comum. O total do casal é a soma delas.
  • Na comunhão parcial, compra feita durante o casamento entra na comum mesmo só em nome de um (art. 1.660, I). Bem anterior, herança e doação a um só ficam fora (art. 1.659, I).
  • Dívida também tem coluna. O financiamento do bem comum vai para a comum; compra de uso da casa no cartão de um pode obrigar os dois (art. 1.643 e 1.644).
  • FGTS, previdência e imóvel financiado antes do casamento dependem de datas e decisões judiciais. Para o seu caso, procure um advogado.
  • NÃO some tudo e divida por dois: no exemplo deste texto, o erro chega a R$ 125.900.

A calculadora de patrimônio líquido roda uma vez por coluna, sem login, e cada item do patrimônio líquido pessoal tem seu critério de valor. O assunto aqui é o que o casal tem e deve. As contas do mês, quem paga o quê, estão no guia de finanças do casal, nos modelos de divisão e na calculadora de divisão de contas.

Como calcular o patrimônio do casal?

Para calcular o patrimônio do casal, liste cada bem e cada dívida uma única vez, pelo valor de hoje, e coloque o item em uma de três colunas: de um, do outro ou comum. Subtraia as dívidas dos bens em cada coluna e some os três resultados. A tabela serve de modelo:

ItemDe umDo outroComum
Dinheiro e investimentosO que for particular de umO que for particular do outroConta conjunta e o que for comum pelo regime
ImóvelBem particularBem particularBem comum, pelo valor de venda
CarroBem particularBem particularBem comum, pela Fipe do mês
FGTS e previdênciaSaldo em nome de umSaldo em nome do outroFica vazio, por convenção de controle
CartãoCompras pessoaisCompras pessoaisCompras da casa
Financiamentos e empréstimosDívida de umDívida do outroSaldo devedor do bem comum

Duas regras ajudam no preenchimento. Nenhum item aparece em duas colunas, então a conta conjunta entra uma vez só. E a dívida fica na mesma coluna do bem que ela financiou, para o resultado mostrar quanto daquele bem já foi pago.

O modelo de balanço patrimonial pessoal mostra as linhas e a ordem do documento, e o texto sobre o que conta como patrimônio explica o valor de carro, imóvel, FGTS e previdência.

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O que é de cada um e o que é do casal?

O que é de cada um e o que é do casal depende do regime de bens. Sem pacto, vale a comunhão parcial (Código Civil, art. 1.640). Para outro regime, o casal faz pacto antenupcial por escritura pública (art. 1.640, parágrafo único). A coluna comum muda bastante de um regime para outro.

RegimeO que tende a ir para a coluna comumO que tende a ficar de foraBase legal
Comunhão parcialBens que chegam durante o casamento, comprados ainda que em nome de um só; doação ou herança a favor dos dois; benfeitorias em bens particulares; frutos dos bensBens anteriores; doação ou herança a um só; dívidas anteriores; uso pessoal, livros e instrumentos de profissão; outras exceções do art. 1.659Art. 1.658 a 1.660
Comunhão universalBens presentes e futuros dos dois, e as dívidasHerança ou doação com cláusula de incomunicabilidade e outras exceções da leiArt. 1.667 e 1.668
Separação de bensSó o que o casal decidir comprar em nome dos doisO bem de cada pessoa, que administra e pode vender sozinhaArt. 1.687

Base: Código Civil no texto compilado do Planalto, consulta em 30/10/2026. Resumo para organizar um balanço, sem valor de orientação jurídica. Para o seu caso, procure um advogado ou um cartório de notas.

Duas situações ficam fora da tabela:

  • União estável: sem contrato escrito, aplica-se "no que couber" a comunhão parcial (art. 1.725).
  • Separação obrigatória: o art. 1.641 lista quem casa nesse regime, inclusive a pessoa maior de 70 anos. O STF decidiu em 1º de fevereiro de 2024 (Tema 1.236) que, nesse caso da idade, a regra pode ser afastada por escritura pública. Quem já é casado precisa de autorização judicial, com efeito só para o futuro.

FGTS, previdência e imóvel financiado antes do casamento: de quem são?

Este texto não dá uma regra para FGTS, previdência e imóvel financiado antes do casamento. O STJ tem decisões específicas sobre FGTS e previdência privada, e o imóvel anterior pago durante a união é examinado caso a caso. A resposta do seu caso vem de um advogado, com as datas e os documentos na mão.

Para acompanhar o patrimônio, a saída prática é registrar FGTS e previdência na coluna do titular e anotar ao lado a data de início da união. Isso é uma convenção de controle e não decide nada numa partilha. O STJ reuniu parte das decisões sobre o tema em um panorama de 2020, que serve de ponto de partida para a conversa com o profissional.

Como fica o balanço de um casal na prática?

Bia, 33 anos, e Caio, 35, são casados em comunhão parcial e têm R$ 454.600 de patrimônio líquido somado. Desse total, R$ 93.000 estão na coluna comum. O exemplo é hipotético. O apartamento foi comprado e quitado por Bia antes do casamento, sem reforma paga pelo casal. O carro e os investimentos vieram depois.

ItemBiaCaioComum
ApartamentoR$ 280.000
InvestimentosR$ 62.000
Carro pela FipeR$ 55.000
FGTSR$ 29.000R$ 38.000
PrevidênciaR$ 21.000
Total de bensR$ 309.000R$ 59.000R$ 117.000
CartãoR$ 2.300R$ 4.100
Financiamento do carroR$ 24.000
Total de dívidasR$ 2.300R$ 4.100R$ 24.000
Patrimônio líquidoR$ 306.700R$ 54.900R$ 93.000

Exemplo prático

Bia: 280.000 + 29.000 menos 2.300 = R$ 306.700.

Caio: 38.000 + 21.000 menos 4.100 = R$ 54.900.

Comum: 55.000 + 62.000 menos 24.000 = R$ 93.000.

Casal: 306.700 + 54.900 + 93.000 = R$ 454.600.

Rodando a calculadora uma vez por coluna, aparecem os indicadores abaixo. O patrimônio livre é o recorte usado no guia do patrimônio líquido: dinheiro e investimentos menos dívidas sem bem em garantia.

IndicadorBiaCaioComumCasal
Endividamento (dívidas ÷ bens)0,7%6,9%20,5%6,3%
Em dinheiro e investimentos0,0%0,0%53,0%12,8%
Patrimônio livremenos R$ 2.300menos R$ 4.100R$ 62.000R$ 55.600

Base: valores hipotéticos de outubro de 2026, nos campos da calculadora. FGTS e previdência aparecem na coluna do titular por convenção de controle, e os cartões do exemplo têm só compras pessoais. Cálculos educacionais.

A soma esconde três coisas que as colunas mostram. A coluna comum é só 20,5% do total, e o apartamento de Bia sozinho vale três vezes essa coluna. Os 6,3% de endividamento do casal sobem para 20,5% na parte que os dois construíram. E todo o dinheiro disponível está na coluna comum: fora dela, cada pessoa tem patrimônio livre negativo.

Minha leitura

Eu começaria pela coluna do meio. É a única que os dois constroem juntos, e a soma do casal a esconde: cada pessoa vê o próprio saldo, mas a parte comum só aparece quando alguém monta a folha.

Também não deixaria o assunto para a compra de um imóvel ou para quando a relação já vai mal. Uma folha simples, atualizada em um dia tranquilo, tende a deixar a conversa mais objetiva.

Adriano Freire · ANCORD nº 50352 · conteúdo educacional, não recomendação.

Dívida de um é dívida dos dois?

Nem sempre. Na comunhão parcial, dívidas anteriores ao casamento ficam fora da comunhão (Código Civil, art. 1.659, III). Já as compras a crédito de coisas necessárias à economia doméstica, e os empréstimos para pagá-las, obrigam os dois cônjuges solidariamente, mesmo sem autorização do outro (art. 1.643 e 1.644).

Por isso, o cartão no nome de Caio pode ter duas colunas. O mercado da casa tende a ir para a comum, e a compra pessoal fica com Caio. Outros dois artigos ajudam na separação: os bens da comunhão respondem por dívidas feitas para os encargos da família (art. 1.664), e as dívidas feitas por um dos cônjuges na administração de bens particulares, em benefício deles, não obrigam os bens comuns (art. 1.666).

Como acompanhar o patrimônio juntos sem brigar?

Para acompanhar o patrimônio do casal sem atrito, escolha um dia fixo, use sempre as mesmas fontes de valor e comece a conversa pela coluna comum. Imóvel pode ser reavaliado 1 ou 2 vezes por ano. Assim o número do mês reflete o que o casal guardou e pagou.

Com R$ 1.500 aplicados por mês em nome dos dois e R$ 1.000 por mês a menos no saldo devedor do carro, a coluna comum de Bia e Caio muda assim em seis meses:

Coluna comumHojeEm 6 mesesEfeito
InvestimentosR$ 62.000R$ 71.000mais R$ 9.000
Carro pela FipeR$ 55.000R$ 53.000menos R$ 2.000
Saldo devedor do carroR$ 24.000R$ 18.000mais R$ 6.000
Patrimônio comumR$ 93.000R$ 106.000mais R$ 13.000

Base: simulação hipotética, sem rendimento e com queda de Fipe arbitrada. A amortização varia conforme o contrato. Cálculos educacionais. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.

Nos extratos, a alta seria de R$ 9.000. Os R$ 13.000 só aparecem com a dívida e o carro na mesma folha.

O que costuma distorcer o balanço do casal?

Quatro atalhos distorcem o balanço do casal: tratar tudo como comum, deixar o cartão de um de fora, decidir sozinho a coluna de um imóvel financiado antes da união e contar herança que ainda não veio. Eles mudam o retrato de cada pessoa, mesmo quando o total parece certo.

Erro 1: Somar tudo e dividir por dois

No exemplo, R$ 454.600 divididos por dois dão R$ 227.300 para cada pessoa. Lendo a coluna comum meio a meio, só como ilustração de controle e sem valor de partilha, a conta de Bia dá 306.700 + 46.500 = R$ 353.200 e a de Caio, 54.900 + 46.500 = R$ 101.400. A diferença na conta de Caio é de R$ 125.900.

Erro 2: Esquecer o cartão individual

O cartão de cada pessoa costuma ficar fora da conversa, e as parcelas futuras também. Em Bia e Caio são R$ 6.400 que somem da conta se cada um olhar só os bens.

Erro 3: Decidir sozinho a coluna do imóvel financiado antes do casamento

Um imóvel financiado antes da união e pago durante ela não cabe direto em uma coluna. Se for o seu caso, registre o imóvel e a dívida juntos, anote a data do casamento e o saldo devedor naquela data, e leve os documentos a um advogado.

Erro 4: Contar herança esperada

Herança que ainda não chegou não entra em nenhuma coluna. Quando chegar a um só dos cônjuges, na comunhão parcial, ela fica fora da comunhão (art. 1.659, I).

A declaração do Imposto de Renda é outro documento, com regras próprias. Os critérios para declarar junto ou separado estão no texto sobre declaração conjunta ou separada.

O Patrimo soma o patrimônio do casal?

Não. No Patrimo, cada pessoa tem a própria conta, e o app não tem visão conjunta: o gráfico de cada conta soma só as contas e os investimentos daquela pessoa, sem cartão, sem bens e sem descontar dívidas. A visão somada, com as três colunas, fica na planilha.

Passo 1: Cada pessoa cria a própria conta

Cada um cadastra as próprias contas e investimentos com o saldo de hoje e registra os lançamentos à mão ou por arquivo CSV. O app não se conecta ao banco.

Passo 2: Defina quem registra o que é comum

A conta conjunta e os investimentos comuns entram no app de uma pessoa só. Registrados nas duas contas, eles apareceriam duas vezes na hora de somar os números na planilha.

Passo 3: No dia combinado, leia o gráfico

O gráfico de patrimônio fica no painel, no plano grátis. Cada pessoa anota o próprio total.

Passo 4: Monte a visão do casal na planilha

A planilha de patrimônio líquido não tem colunas por pessoa, então use a descrição: "Bia: FGTS", "Comum: carro". Numa cópia compartilhada no Google Sheets, o total sai pronto. Para o resultado de cada coluna, rode a calculadora três vezes.

No caso de Bia e Caio, o gráfico de quem registrou os investimentos comuns mostraria os R$ 62.000. Apartamento, carro, FGTS e dívidas só aparecem na planilha.

Para as contas do mês, a planilha de finanças do casal divide as despesas e as metas conjuntas, mas ela não faz balanço. A apresentação do Patrimo detalha o que o aplicativo registra.

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Perguntas frequentes

Como separar o patrimônio do casal na comunhão parcial de bens?

Para acompanhar o patrimônio, separe três colunas. Na comunhão parcial, entram na comum os bens comprados durante o casamento, ainda que só em nome de um dos cônjuges (Código Civil, art. 1.660, I). Ficam fora os bens anteriores ao casamento e os recebidos por doação ou herança (art. 1.659, I). Essa conta serve para controle. Uma partilha real depende de documentos, datas e decisões judiciais, e pede um advogado.

Herança entra no patrimônio do casal?

Depende do regime e de quem foi beneficiado. Na comunhão parcial, o que um dos cônjuges recebe por herança fica fora da comunhão (Código Civil, art. 1.659, I), mas a herança deixada em favor dos dois entra (art. 1.660, III). Na comunhão universal, a regra geral é comunicar tudo, e a herança com cláusula de incomunicabilidade é excluída (art. 1.667 e 1.668, I). Herança só esperada não entra em nenhuma coluna.

O FGTS de um cônjuge faz parte do patrimônio do casal?

O FGTS entra no total do casal como patrimônio de quem é titular da conta vinculada, por convenção de controle. Essa posição na tabela não define o que acontece numa separação: o STJ tem decisões específicas sobre FGTS, e o resultado depende das datas e do caso. Quem precisa dessa resposta para uma situação concreta deve procurar um advogado.

Como acompanhar o patrimônio do casal mês a mês?

Escolha um dia fixo, atualize os mesmos itens pelas mesmas fontes e registre as três colunas e o total. A coluna comum costuma ser a mais útil de olhar, porque mostra o que os dois construíram no período. No Patrimo, cada pessoa tem a própria conta e o app não soma as duas; a visão do casal, com bens e dívidas, fica na planilha de patrimônio líquido.

Na união estável o patrimônio é dividido igual ao casamento?

Sem contrato escrito entre os companheiros, a união estável segue, no que couber, o regime da comunhão parcial de bens (Código Civil, art. 1.725). Um contrato escrito pode prever outra regra. Como a lei usa a expressão 'no que couber', o caso concreto pede orientação de um advogado.

📚 Fontes

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Escrito por Patrimo

O Patrimo é um app brasileiro de controle financeiro. Escrevemos os guias que gostaríamos de ter lido no começo: com a conta feita na sua frente, exemplos em reais e números que vêm do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca de achismo nem de promessa de rentabilidade. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.

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