Casais casados ou em união estável podem declarar o IRPF de duas formas: conjuntamente (um dos dois inclui o outro como dependente) ou separadamente (cada um faz sua própria declaração). A escolha certa pode significar diferença de R$ 3 a 10 mil no imposto a pagar ou a restituir. A decisão depende da diferença entre as rendas, das despesas dedutíveis de cada um, da existência de filhos dependentes e do patrimônio. Este texto mostra os critérios e cenários numéricos com dados de 2026.
Tabela progressiva IRPF 2026
| Base de cálculo anual | Alíquota | Parcela a deduzir |
|---|---|---|
| Até R$ 26.963,20 | Isento | — |
| R$ 26.963,21 a R$ 33.919,80 | 7,5% | R$ 2.022,24 |
| R$ 33.919,81 a R$ 45.012,60 | 15% | R$ 4.566,23 |
| R$ 45.012,61 a R$ 55.976,16 | 22,5% | R$ 7.942,17 |
| Acima de R$ 55.976,16 | 27,5% | R$ 10.740,98 |
Valores referentes ao exercício 2026 (ano-calendário 2025) conforme Receita Federal. A isenção por mês equivale à renda mensal de R$ 2.428 — somada ao desconto simplificado, a isenção efetiva é maior.
Cenário 1: diferença grande de renda
Ela ganha R$ 15.000/mês brutos (R$ 180.000/ano), ele ganha R$ 3.500/mês (R$ 42.000/ano, já isento no limite). Ela tem despesas próprias de saúde de R$ 5.000; ele tem R$ 8.000 em INSS recolhidos como autônomo e R$ 4.000 em saúde.
Separadas:
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Ela: renda tributável R$ 180.000 − R$ 5.000 saúde = R$ 175.000. IR devido: ~R$ 37.240.
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Ele: renda tributável R$ 42.000 − R$ 8.000 INSS − R$ 4.000 saúde = R$ 30.000. IR devido: ~R$ 228.
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Total: R$ 37.468.
Conjunta (ela declara, ele como dependente):
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Renda tributável conjunta: R$ 180.000 + R$ 42.000 = R$ 222.000.
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Deduções: R$ 5.000 (saúde dela) + R$ 8.000 (INSS dele) + R$ 4.000 (saúde dele) + R$ 2.275,08 (dedução por dependente cônjuge) = R$ 19.275.
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Base: R$ 202.725. IR devido: ~R$ 44.758.
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Total: R$ 44.758.
Diferença: R$ 7.290 a mais na conjunta. Nesse cenário, a separada é melhor porque a renda dele já está quase isenta na tabela individual — incluir como dependente jogou toda a renda dele na alíquota de 27,5% da declaração principal.
Cenário 2: ele sem renda ou renda muito baixa
Ela ganha R$ 15.000/mês (R$ 180.000/ano), ele cuida dos filhos em casa e ganha R$ 0 (ou R$ 12.000/ano em freelas pequenos, abaixo da faixa de isenção). Casal tem 2 filhos, gasta R$ 18.000/ano em educação e R$ 12.000 em saúde.
Conjunta (ela declara, ele + filhos como dependentes):
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Renda tributável: R$ 180.000 + R$ 12.000 = R$ 192.000.
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Dedução dependentes (3 × R$ 2.275,08): R$ 6.825.
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Dedução saúde (sem limite): R$ 12.000.
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Dedução educação (limite R$ 3.561,50 por dependente × 2 filhos): R$ 7.123.
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Base: R$ 166.052. IR devido: ~R$ 34.923.
Separadas:
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Ela (com os 2 filhos como dependentes): renda R$ 180.000 − R$ 4.550 (dependentes) − R$ 12.000 (saúde) − R$ 7.123 (educação) = R$ 156.327. IR: ~R$ 32.250.
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Ele: renda R$ 12.000, abaixo da faixa, IR zero.
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Total: R$ 32.250.
Diferença: R$ 2.673 a mais na conjunta. Mesmo quando ele tem renda quase zero, a separada ainda vence marginalmente — porque a dedução por ele como dependente (R$ 2.275) não compensa a inclusão dos R$ 12.000 de renda dele na base tributável da esposa, que cairia na alíquota de 27,5%.
Quando a conjunta realmente vence
A conjunta passa a ser vantajosa em cenários específicos:
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Ele com zero renda total e ela com renda alta — deduções do dependente + dedução por cônjuge podem superar o ganho marginal da separada.
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Despesas médicas altas e concentradas em um dos dois — ex: ele fez cirurgia de R$ 50.000 e tem renda baixa, quem aproveita a dedução efetiva é ela via conjunta.
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Quando ele tem apenas rendimentos isentos (aposentadoria com moléstia grave, por exemplo) — incluir como dependente sem adicionar base tributável é sempre vantajoso.
Dica operacional: simular as duas
O programa da Receita permite simular as duas formas. Na prática, você preenche os dados em duas declarações de teste e compara o resultado final. A função "Rascunho" salva a simulação para retomar depois. Diferença de R$ 2-3 mil compensa 30 minutos de simulação.
Para 2026, o programa está disponível a partir de março no site da Receita Federal. O prazo para entrega vai até 30 de maio — tempo suficiente para testar as duas formas e escolher a melhor.
Casos especiais
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União estável: mesmos direitos da declaração conjunta. Basta comprovar a união (escritura pública, contrato de convivência, comprovantes de coabitação).
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Casal do mesmo sexo: reconhecimento pleno desde 2011; as regras são idênticas.
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Divórcio no ano-calendário: a declaração é separada. O cônjuge que ficou com a guarda dos filhos os inclui como dependentes; o outro pode deduzir pensão alimentícia judicial.
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Casamento no ano-calendário: pode declarar conjunta ou separada livremente.
Titular x dependente: quem coloca quem na declaração
Na conjunta, alguém é o titular (faz a declaração) e o outro entra como dependente. A regra prática: o titular deve ser quem tem a maior renda, porque é nele que as deduções do casal vão render mais. Cada R$ 1.000 de dedução abatido na alíquota de 27,5% economiza R$ 275; abatido em quem está na faixa de 7,5% economiza só R$ 75.
Por isso, ao incluir o cônjuge de menor renda como dependente, as despesas de saúde, educação e o INSS dele passam a abater a base do titular de renda alta. O cuidado é que a renda do dependente também entra na base — se ela for relevante, o ganho da dedução pode ser anulado pelo imposto sobre essa renda extra, como mostram os cenários acima. A única forma de ter certeza é simular as duas e comparar o resultado final.
Decidida a forma de declarar, organizar as finanças do casal facilita a próxima temporada: vale combinar uma rotina para guardar dinheiro todo mês e, com a restituição em mãos, pensar em montar uma carteira de investimentos do zero.
Perguntas frequentes
Casados precisam obrigatoriamente declarar juntos?
Não. A escolha entre conjunta e separada é livre, independentemente do regime de bens ou do tipo de união. A cada ano o casal pode reavaliar. A única regra é que quem for incluído como dependente em uma declaração não pode apresentar declaração própria no mesmo ano, e os filhos dependentes entram em uma única declaração — do pai ou da mãe, nunca nas duas.
Qual a regra geral para decidir entre conjunta e separada?
Simule as duas e escolha a que paga menos imposto. Em geral, quando as rendas são próximas, a separada vence, pois cada um aproveita a tabela progressiva e a faixa de isenção de forma independente. A conjunta costuma vencer quando um dos dois tem renda quase zero e o outro pode absorver suas deduções de saúde, educação e INSS.
Quem é melhor como titular: marido ou esposa?
Na conjunta, o titular é quem tem a maior renda; o outro entra como dependente. Assim, as deduções do cônjuge dependente (saúde, educação, INSS) abatem a base do titular, que está na alíquota mais alta. Os filhos dependentes ficam na declaração de quem tiver maior benefício fiscal — normalmente o de maior renda.
Posso mudar de conjunta para separada de um ano para outro?
Sim, livremente. A escolha vale apenas para o ano fiscal. Isso permite alternar conforme as condições: em anos com grandes despesas médicas concentradas em um dos dois, a conjunta pode ser melhor; em anos com rendas próximas e sem despesas concentradas, a separada tende a vencer. Reavaliar anualmente é a recomendação.
Incluindo o cônjuge como dependente, preciso somar bens e investimentos?
Sim. A declaração conjunta inclui todos os rendimentos, bens, direitos e dívidas do dependente. Isso é relevante se o cônjuge tem investimentos ou imóveis, pois entram na declaração principal. Alguns casais preferem manter a separação patrimonial visível e optam pela separada mesmo quando a conjunta economizaria algum imposto.
União estável e casamento no mesmo sexo dão direito à conjunta?
Sim, em ambos os casos as regras são idênticas às de qualquer casamento. Na união estável basta comprovar a convivência (escritura pública, contrato de convivência ou comprovantes de coabitação). Casais do mesmo sexo têm reconhecimento pleno desde 2011 para fins de IRPF.
Qual é a regra geral para decidir?
Quando há grande diferença de renda entre os dois (um ganha muito mais que o outro) e o de menor renda tem despesas dedutíveis significativas (saúde, educação, INSS), a declaração conjunta frequentemente economiza — o de maior renda pode aproveitar as deduções do parceiro. Quando as rendas são próximas, ou ambos ficam na mesma faixa de alíquota, a separada tende a ser melhor, pois cada um aproveita a tabela progressiva de forma independente.
Se eu incluo meu cônjuge como dependente, preciso somar todos os bens e investimentos?
Sim. A conjunta inclui todos os rendimentos, bens, direitos e dívidas do dependente. Isso é relevante se o cônjuge tem investimentos ou imóveis — os valores entram na declaração principal. Alguns casais acham confuso ou preferem manter a separação patrimonial visível — essa é uma razão legítima para optar pela declaração separada mesmo quando a conjunta economizaria algum imposto.
Escrito por Patrimo
O Patrimo é um app brasileiro de controle financeiro. Escrevemos os guias que gostaríamos de ter lido no começo: com a conta feita na sua frente, exemplos em reais e números que vêm do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca de achismo nem de promessa de rentabilidade. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.
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