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Letra de Câmbio (LC): O Que É, Rende Mais que CDB? + IR

Letra de Câmbio (LC): o que é, como funciona, tem FGC, rende mais que o CDB e como declarar no IR. O primo esquecido da renda fixa, explicado.

Patrimo
12 min de leitura

A Letra de Câmbio (LC) é um título de renda fixa emitido por financeiras — não por bancos — e funciona exatamente como um CDB: você empresta dinheiro à instituição por um prazo e recebe de volta com juros. Ela tem cobertura do FGC (até R$ 250 mil por CPF e por instituição), paga IR regressivo de 22,5% a 15% retido na fonte e, por ser emitida por instituições menores, costuma pagar um percentual do CDI mais alto que o CDB dos grandes bancos. Em troca, exige atenção a dois pontos: a liquidez costuma ser só no vencimento e o risco de crédito da financeira é maior — o que torna o limite do FGC ainda mais importante.

Apesar do nome, a LC não tem nada a ver com câmbio de moedas. Ela é uma das opções mais ignoradas da renda fixa brasileira — o "primo esquecido" do CDB. Neste guia você vai entender como ela funciona, se realmente rende mais, os riscos reais, como não confundir com a Letra Financeira (LF) e o passo a passo para declarar no Imposto de Renda.

LEIA MAIS: CDB, LCI e LCA: Entenda as Diferenças · Veja também como o FGC protege até R$ 250 mil .

💡 Resumo rápido:

  • O que é: título de renda fixa emitido por financeiras (não por bancos)

  • Como funciona: igual a um CDB — você empresta e recebe juros

  • FGC: sim, até R$ 250 mil por CPF e por instituição

  • IR: regressivo de 22,5% a 15%, retido na fonte

  • Rendimento: costuma pagar % do CDI maior que o CDB de banco grande

  • Liquidez: geralmente só no vencimento (baixa liquidez)

  • Não confundir: com Letra Financeira (LF) nem com câmbio/moeda

📋 O que este guia cobre

O que é a Letra de Câmbio (LC)?

A Letra de Câmbio (LC) é um título de renda fixa emitido por financeiras — mais precisamente, as Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI). São instituições que atuam concedendo crédito e financiamento (aquele crediário da loja, empréstimo pessoal, financiamento de veículos etc.). Para ter dinheiro em caixa e emprestar aos seus clientes, essas financeiras captam recursos no mercado — e a LC é justamente um dos instrumentos que elas usam para isso.

Quando você investe em uma LC, na prática está emprestando dinheiro para a financeira. Em troca, ela devolve o valor no vencimento acrescido de juros combinados no momento da aplicação. É a mesma lógica do CDB — a única diferença estrutural é quem emite: o CDB é emitido por bancos, e a LC por financeiras.

⚠️ Cuidado com o nome: a Letra de Câmbio de investimento não tem nenhuma relação com câmbio de moedas (dólar, euro). O termo "câmbio" aqui é histórico e jurídico — é um título de crédito. Não confunda com investir em moeda estrangeira.

Como funciona na prática

A mecânica é idêntica à de outros títulos de renda fixa privados. Você escolhe uma LC na plataforma da sua corretora ou banco, aplica um valor, e ela rende segundo o tipo de remuneração contratado. As LCs seguem os mesmos três formatos da renda fixa:

  • Pós-fixada: rende um percentual do CDI (ex.: 115% do CDI). É a mais comum e acompanha a taxa básica de juros.

  • Prefixada: a taxa é travada na aplicação (ex.: 13% ao ano), independente do que acontecer com a Selic.

  • Híbrida (IPCA+): paga a inflação (IPCA) mais uma taxa fixa, protegendo o poder de compra.

No vencimento, você recebe o principal mais os juros, já com o Imposto de Renda retido na fonte — ou seja, o valor que cai na conta já é líquido. Se quiser entender esse mesmo passo a passo aplicado ao produto mais popular da categoria, veja como investir em CDB passo a passo em 2026 — a lógica é a mesma para a LC.

A Letra de Câmbio tem FGC?

Sim. A LC é um dos títulos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), exatamente como CDB, LCI, LCA e poupança. A garantia funciona da mesma forma:

  • R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira emissora (principal + juros)

  • Teto global de R$ 1 milhão por CPF, renovável a cada 4 anos

  • Cobre o caso de a financeira emissora quebrar / sofrer intervenção do Banco Central

Esse é o ponto que muda tudo na análise da LC: como o risco maior é o de a financeira quebrar, e o FGC cobre justamente isso até R$ 250 mil, o investidor que respeita esse limite tem uma proteção muito parecida com a de um CDB de banco grande — só que geralmente com uma taxa melhor. A regra de ouro é simples: nunca deixe mais de R$ 250 mil (somando principal e juros projetados) em um mesmo emissor.

LEIA MAIS: FGC: Como Funciona a Proteção de R$ 250 mil — entenda prazos de pagamento e o que fica de fora da garantia.

Letra de Câmbio rende mais que CDB?

Na média, sim — e existe uma razão econômica clara para isso. Financeiras são instituições menores e com risco de crédito percebido como mais alto que o dos grandes bancos. Para conseguir captar dinheiro competindo com um Itaú ou um Nubank, elas precisam pagar mais. É o velho princípio da renda fixa: maior risco do emissor, maior o prêmio oferecido ao investidor.

Na prática, é comum ver LCs pagando 110%, 120% ou mais do CDI, enquanto o CDB de liquidez diária de um banco grande costuma girar entre 90% e 100% do CDI. Veja como os três principais títulos de renda fixa privada se comparam:

CaracterísticaLC (Letra de Câmbio)CDBLCI / LCA
Quem emiteFinanceiras (SCFI)BancosBancos
Rendimento típicoCostuma ser mais alto (110%–120%+ do CDI)90%–100% do CDI (bancões)Taxa menor, mas isenta
FGCSim (R$ 250 mil)Sim (R$ 250 mil)Sim (R$ 250 mil)
Imposto de RendaSim (regressivo 22,5%→15%)Sim (regressivo 22,5%→15%)Isento (pessoa física)
LiquidezGeralmente só no vencimentoVaria (há CDB com liquidez diária)Carência mínima + vencimento

Comparativo educacional. Os percentuais do CDI são faixas de mercado ilustrativas e variam por emissor, prazo e momento — sempre confira as condições reais na sua plataforma.

💡 Atenção à comparação justa: a LC paga IR, e a LCI/LCA é isenta. Antes de dizer que a LC "rende mais", compare sempre o rendimento líquido (depois do imposto). Uma LC a 120% do CDI pode perder para uma LCI isenta a 95% do CDI dependendo do prazo. Para entender essa conta, veja o comparativo em CDB, LCI e LCA: as diferenças .

Imposto de Renda da LC: tabela regressiva

Diferente da LCI e da LCA (que são isentas para pessoa física), a Letra de Câmbio paga Imposto de Renda, seguindo a mesma tabela regressiva de CDB e Tesouro Direto. O imposto incide apenas sobre o rendimento (não sobre o valor investido) e é retido automaticamente na fonte no resgate ou vencimento. Quanto mais tempo você deixa o dinheiro aplicado, menor a alíquota:

Prazo da aplicaçãoAlíquota de IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias (mais de 2 anos)15%

Tabela regressiva do IR sobre renda fixa (aplicável a LC, CDB e Tesouro Direto). Não há IOF a partir de 30 dias de aplicação.

Como a alíquota começa alta (22,5% em prazos curtos), a LC faz mais sentido no médio e longo prazo, quando o IR cai para 17,5% ou 15% — o que combina bem com o fato de a maioria das LCs só ter liquidez no vencimento. Para o detalhamento completo da tributação, veja a tabela do IR regressivo da renda fixa .

Liquidez e riscos: o outro lado da moeda

A taxa mais alta da LC não é um "almoço grátis" — ela existe porque há dois pontos de atenção reais:

1. Baixa liquidez (o principal ponto)

A grande maioria das LCs só permite o resgate no vencimento. Elas raramente têm liquidez diária, e o mercado secundário para vendê-las antes do prazo é pouco ativo. Ou seja: dinheiro que você pode precisar no curto prazo NÃO deve ir para uma LC. Ela é para valores que você tem certeza de que ficarão parados até a data combinada.

2. Risco de crédito da financeira

Como a financeira tem risco maior que um banco grande, existe a chance (ainda que pequena) de ela quebrar. É aqui que o FGC entra como colchão de segurança — mas só até R$ 250 mil por CPF e por instituição. Acima disso, o valor excedente fica exposto. Por isso, diversificar entre emissores e respeitar o limite do FGC é essencial.

Não confunda: LC, Letra Financeira (LF) e câmbio

Três confusões comuns atrapalham quem está começando. Vamos separar de vez:

ItemLetra de Câmbio (LC)Letra Financeira (LF)
EmissorFinanceiras (SCFI)Bancos e instituições financeiras
Aplicação mínimaAcessível (a partir de valores baixos)Alta: a partir de R$ 150 mil
Prazo mínimoCurto a médio (meses a anos)Longo: mínimo de 24 meses
FGCSim (R$ 250 mil)Não tem FGC
PerfilPequeno e médio investidorInvestidor de maior patrimônio

A diferença crítica: a LF NÃO tem cobertura do FGC e exige aporte alto. São produtos com propósitos distintos.

E a terceira confusão: Letra de Câmbio de investimento não é câmbio de moeda. Você não está comprando dólar nem se expondo à variação cambial — é um título de crédito em reais. Para aprofundar na diferença entre LF e os produtos com FGC, veja Letra Financeira (LF) vs CDB para pessoa física .

Como declarar Letra de Câmbio no Imposto de Renda

Como o IR da LC já é retido na fonte, você não paga imposto de novo na declaração — apenas informa os valores. A declaração tem duas partes, e os dados vêm prontos no informe de rendimentos que a corretora ou o banco disponibiliza (geralmente entre fevereiro e março):

Parte 1 — O saldo aplicado (Bens e Direitos)

Vá na ficha "Bens e Direitos" → grupo 04 (Aplicações e Investimentos) → código de renda fixa (ex.: 02 – Títulos públicos e privados sujeitos à tributação). Informe a instituição emissora, o CNPJ e o valor que você tinha em 31/12 (saldo do ano anterior no campo "situação em 31/12/[ano-1]" e o saldo atual no campo do ano-base).

Parte 2 — Os rendimentos (Tributação Exclusiva)

Vá na ficha "Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva" → código 06 (Rendimentos de aplicações financeiras). Informe o rendimento líquido recebido no ano (já descontado o IR retido na fonte), conforme o informe. Não é preciso recolher nada — o imposto já foi pago.

💡 Dica: o passo a passo é idêntico ao de CDB e Tesouro Direto. Se você tem outros títulos, o guia como declarar CDB, LCI, LCA e Tesouro Direto no IR mostra as mesmas telas com prints e códigos.

Quando a Letra de Câmbio faz sentido?

A LC não é para todo mundo nem para qualquer objetivo. Ela costuma fazer sentido quando:

  • Você tem um valor que pode ficar parado até o vencimento (não é reserva de emergência)

  • O horizonte é médio ou longo prazo (idealmente acima de 2 anos, quando o IR cai para 15%)

  • A LC oferece um % do CDI claramente superior ao do CDB de bancos grandes para o mesmo prazo

  • Você respeita o limite de R$ 250 mil por emissor para ficar 100% dentro do FGC

  • Você quer diversificar emissores na renda fixa, saindo só dos bancões

Por outro lado, se você precisa de liquidez, prefira um CDB de liquidez diária ou o Tesouro Selic. E se o seu foco é isenção de IR, a LCI/LCA pode ganhar no líquido. A LC brilha num nicho específico: rendimento mais alto para dinheiro de prazo definido, com a segurança do FGC.

💬 Minha leitura

"Depois de ver o mercado por dentro, a Letra de Câmbio é um daqueles produtos que quase ninguém pede pelo nome — mas que aparece nas melhores taxas da plataforma. Muita gente passa batido só porque não reconhece a sigla. Quando explico que é basicamente 'o CDB de uma financeira, com o mesmo FGC', o investidor entende na hora por que a taxa é mais gorda."

"O ponto que eu mais reforço é a liquidez. A LC não é lugar para reserva de emergência — é dinheiro que vai dormir até o vencimento. Se o investidor tem clareza do prazo e não ultrapassa os R$ 250 mil por emissor, ela é uma forma inteligente e simples de arrancar um rendimento extra dentro da renda fixa garantida."

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Perguntas frequentes

O que é uma Letra de Câmbio (LC)?

A Letra de Câmbio (LC) é um título de renda fixa emitido por financeiras (sociedades de crédito, financiamento e investimento, as chamadas SCFI) para captar recursos. Na prática, funciona igual a um CDB: você empresta dinheiro à financeira por um prazo e, em troca, recebe o valor de volta acrescido de juros. A diferença é o emissor — o CDB é emitido por banco, e a LC por financeira. Apesar do nome, a LC não tem nenhuma relação com câmbio de moedas estrangeiras.

Letra de Câmbio tem FGC?

Sim. A Letra de Câmbio é coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), no mesmo limite dos demais títulos garantidos: até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, respeitando o teto global de R$ 1 milhão por CPF a cada período de 4 anos. Se a financeira emissora quebrar, o FGC devolve o valor investido mais os juros até esse limite. Por isso, o cuidado principal é não ultrapassar os R$ 250 mil por emissor.

Letra de Câmbio rende mais que o CDB?

Costuma render mais, mas não é uma regra automática. Como as financeiras são instituições menores e com risco de crédito percebido como maior que o dos grandes bancos, elas precisam oferecer taxas mais atraentes para captar. Por isso é comum encontrar LCs pagando 110%, 120% ou mais do CDI, enquanto o CDB de um banco grande costuma pagar entre 90% e 100% do CDI. O que iguala o jogo é o FGC: para valores dentro dos R$ 250 mil, o risco efetivo de crédito é bem parecido, o que torna a LC uma forma de buscar mais rendimento pela mesma proteção.

Qual é o Imposto de Renda da Letra de Câmbio?

A LC segue a tabela regressiva do IR da renda fixa, com alíquotas que caem conforme o tempo de aplicação: 22,5% para resgates em até 180 dias; 20% de 181 a 360 dias; 17,5% de 361 a 720 dias; e 15% acima de 720 dias (mais de 2 anos). O imposto incide apenas sobre o rendimento e é retido na fonte no momento do resgate ou vencimento — você não precisa recolher por conta própria. Diferente da LCI e da LCA, a LC não é isenta de IR.

Qual a diferença entre Letra de Câmbio (LC) e Letra Financeira (LF)?

São produtos bem diferentes, apesar dos nomes parecidos. A Letra de Câmbio (LC) é acessível ao pequeno investidor, tem FGC e prazos que podem ser de poucos meses a alguns anos. Já a Letra Financeira (LF) é um título de longo prazo (mínimo de 24 meses), com aplicação mínima elevada (a partir de R$ 150 mil, ou R$ 300 mil nas versões subordinadas) e, principalmente, NÃO tem cobertura do FGC. A LF é destinada a investidores com mais patrimônio e maior tolerância a risco.

Como declarar Letra de Câmbio no Imposto de Renda?

São duas partes. O saldo que você tinha aplicado em 31/12 vai na ficha 'Bens e Direitos', no grupo 04 (Aplicações e Investimentos), com o código específico de renda fixa, informando a instituição, o CNPJ e o valor. Já os rendimentos recebidos no ano vão na ficha 'Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva', normalmente no código 06 (Rendimentos de aplicações financeiras), com o valor líquido já descontado do IR retido na fonte. Esses dados costumam vir prontos no informe de rendimentos que a corretora ou o banco disponibiliza.

Posso resgatar uma Letra de Câmbio antes do vencimento?

Na maioria dos casos, não. A liquidez da LC costuma ser apenas no vencimento, e o mercado secundário para revendê-la antes do prazo é pouco líquido. Por isso, só aplique em LC valores que você tem certeza de que não vai precisar até a data de vencimento. Para dinheiro de curto prazo ou reserva de emergência, um CDB de liquidez diária ou o Tesouro Selic são mais adequados.

A Letra de Câmbio é um investimento seguro?

Para valores dentro do limite do FGC (R$ 250 mil por CPF e por instituição), a LC tem um nível de proteção semelhante ao de um CDB, mesmo sendo emitida por uma financeira menor. O principal risco prático não é a perda do dinheiro coberto pelo FGC, e sim a baixa liquidez: você fica com o valor preso até o vencimento. Respeitando o teto do FGC e o horizonte de tempo, é considerada uma aplicação de risco baixo.

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Escrito por Patrimo

O Patrimo é um app brasileiro de controle financeiro. Escrevemos os guias que gostaríamos de ter lido no começo: com a conta feita na sua frente, exemplos em reais e números que vêm do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca de achismo nem de promessa de rentabilidade. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.

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