💬 Minha leitura: o erro mais comum de quem começa é comprar o CDB do banco grande onde já tem conta. Na prática, vejo clientes saírem de um CDB de banco grande a 98% do CDI para um CDB de banco médio a 110% do CDI — ambos cobertos pelo FGC até R$ 250 mil — e ganharem mais sem assumir risco relevante. O que importa não é o nome do banco, é o % do CDI dentro do limite do FGC.
Para investir em CDB você abre conta em uma corretora (ou banco), escolhe um CDB pelo % do CDI, pelo prazo de vencimento e pela liquidez, e aplica — tudo em poucos minutos. O CDB é um empréstimo que você faz a um banco em troca de juros, é coberto pelo FGC até R$ 250 mil e costuma render bem mais que a poupança. Abaixo está o passo a passo completo para começar do zero em 2026.
O que é CDB (de forma simples)
CDB significa Certificado de Depósito Bancário. Na prática, quando você compra um CDB está emprestando dinheiro ao banco. Em troca, o banco devolve o valor com juros ao final do prazo combinado. É exatamente o contrário de um empréstimo comum: aqui, quem paga juros é o banco, e quem recebe é você.
O banco usa esse dinheiro para emprestar a outros clientes (financiamentos, crédito, cartão). É um dos investimentos mais simples e acessíveis do Brasil: muitos CDBs têm aplicação mínima a partir de R$ 1 e podem render mais do que a poupança e do que o próprio Tesouro Selic, dependendo do % do CDI oferecido. Se quiser comparar com outros produtos isentos de imposto, veja a diferença entre CDB, LCI e LCA .
Passo a passo para investir em CDB
Passo 1 — Escolha onde investir: corretora ou banco
Você pode comprar CDB no seu banco ou em uma corretora de valores. A corretora costuma ser a melhor opção: ela reúne CDBs de dezenas de bancos diferentes numa mesma plataforma, o que permite comparar e escolher os que pagam mais % do CDI. O banco tradicional geralmente oferece só os próprios CDBs, muitas vezes a taxas mais baixas.
Passo 2 — Abra a conta (é grátis)
A abertura de conta em corretora é gratuita, 100% online e leva poucos minutos. Você preenche seus dados, envia um documento e uma selfie, e a conta é aprovada em geral no mesmo dia. Não há taxa de manutenção nem corretagem para investir em renda fixa.
Passo 3 — Transfira o dinheiro
Com a conta aprovada, transfira o valor que vai investir, normalmente por Pix , que cai na hora. O dinheiro fica disponível na sua conta da corretora, pronto para ser aplicado.
Passo 4 — Escolha o CDB
Aqui está o coração da decisão. Na lista de renda fixa, olhe três informações de cada CDB:
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% do CDI — quanto o CDB paga em relação ao CDI. Um CDB a 100% do CDI acompanha integralmente o índice; a 110% do CDI, rende mais. Quanto maior, melhor (desde que dentro do FGC).
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Prazo de vencimento — a data em que o banco devolve o dinheiro com juros. Pode ser de meses a vários anos.
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Liquidez — pode ser diária (você resgata quando quiser) ou no vencimento (o dinheiro fica preso até a data final, em geral pagando um % do CDI mais alto em troca).
Passo 5 — Confirme a aplicação
Digite o valor, revise prazo, taxa e liquidez, e confirme. Pronto: o CDB aparece na sua carteira e começa a render no mesmo dia útil. Para ter uma noção de números antes de aplicar, use o Simulador de CDB .
Tipos de CDB: pós-fixado, prefixado e IPCA+
Existem três formas de remuneração. Saber qual usar em cada situação evita escolhas ruins:
| Tipo | Como rende | Quando usar |
|---|---|---|
| Pós-fixado (% do CDI) | Acompanha o CDI. Ex.: 100% do CDI | O mais comum. Ideal para reserva e quando a Selic está alta |
| Prefixado | Taxa fixa travada na compra. Ex.: 13% ao ano | Quando você acredita que os juros vão cair e quer travar a taxa |
| IPCA+ (híbrido) | Inflação (IPCA) mais uma taxa fixa. Ex.: IPCA + 6% | Para metas de longo prazo, protegendo o poder de compra |
Para quem está começando e quer simplicidade, o pós-fixado a 100% do CDI ou mais com liquidez diária costuma ser o ponto de partida — especialmente em 2026, com a Selic a 14,25% e o CDI a 14,15% ao ano.
Tributação do CDB: IR regressivo e IOF
O CDB paga Imposto de Renda apenas sobre o lucro (os juros), nunca sobre o valor investido. A alíquota cai quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado — é a chamada tabela regressiva. O imposto é retido automaticamente no resgate; você não precisa pagar nada manualmente.
| Prazo da aplicação | Alíquota de IR (sobre o lucro) |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
Além do IR, existe o IOF, que incide apenas nos primeiros 30 dias de aplicação e também é regressivo: começa em 96% do lucro no 1º dia e zera no 30º dia. Na prática, se você não resgatar no primeiro mês, o IOF não te afeta. Para entender a tabela em detalhe, veja como funciona o IR regressivo na renda fixa .
FGC: a garantia do CDB
O CDB é coberto pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Se o banco emissor quebrar, o FGC devolve seu dinheiro (valor investido mais juros) até o limite de R$ 250.000 por CPF por instituição financeira. Há ainda um teto global de R$ 1.000.000 a cada 4 anos, somando todas as instituições.
Na prática, isso significa que um CDB de banco médio com taxa atraente tem o mesmo nível de proteção de um CDB de banco grande, desde que você respeite o limite por instituição. Por isso vale distribuir valores acima de R$ 250 mil entre bancos diferentes. Entenda os detalhes em como funciona o FGC e a proteção de R$ 250 mil .
📌 Regra de ouro: nunca concentre mais de R$ 250 mil (incluindo os juros previstos) em CDBs de uma mesma instituição. Acima disso, o excedente fica fora da cobertura do FGC.
Quanto rende um CDB: exemplo com R$ 10.000
Vamos a um exemplo prático com os números de junho/2026: CDI a 14,15% ao ano. Imagine R$ 10.000 em um CDB pós-fixado a 100% do CDI por 12 meses:
Valor investido: R$ 10.000
CDB a 100% do CDI (14,15% a.a.) por 12 meses
Rendimento bruto: ≈ R$ 1.415
IR (prazo superior a 1 ano, 17,5% sobre o lucro): ≈ R$ 248
Rendimento líquido: ≈ R$ 1.167
Veja como o prazo e o % do CDI mudam o resultado. Os valores líquidos abaixo são aproximados, considerando R$ 10.000 e a alíquota de IR correspondente a cada prazo:
| Cenário | Bruto | IR | Líquido |
|---|---|---|---|
| 100% CDI — 6 meses | R$ 685 | R$ 154 (22,5%) | R$ 531 |
| 100% CDI — 12 meses | R$ 1.415 | R$ 248 (17,5%) | R$ 1.167 |
| 110% CDI — 12 meses | R$ 1.567 | R$ 274 (17,5%) | R$ 1.293 |
| 100% CDI — 2 anos | R$ 3.034 | R$ 455 (15%) | R$ 2.579 |
Valores aproximados, CDI a 14,15% a.a. (Selic 14,25%, junho/2026). IR conforme a tabela regressiva sobre o lucro. Resultados reais variam com a taxa contratada e a oscilação do CDI ao longo do período.
Calculadora: quanto rende o CDI
Informe o valor, o prazo e o % do CDI e veja o rendimento líquido do seu CDB, já com o IR descontado.
Como escolher o CDB certo para você
1. Defina o objetivo antes da taxa. Se o dinheiro é para reserva de emergência, priorize liquidez diária a 100% do CDI ou mais — você precisa poder resgatar a qualquer momento. Se é para uma meta com data definida, um CDB com resgate no vencimento costuma pagar um % do CDI mais alto.
2. Banco médio paga mais, mas confira o FGC. Bancos menores oferecem taxas maiores (110%, 115% do CDI) para captar recursos. Isso é seguro dentro do limite do FGC de R$ 250 mil por CPF por instituição — então vale a pena, desde que respeitado o teto.
3. Compare sempre o líquido. Um CDB tributado pode render menos que uma LCI isenta de IR com taxa parecida. Antes de fechar, compare no comparador de CDB, LCI e LCA e explore mais opções no hub de investimentos .
Veja também:
Perguntas frequentes
Qual CDB escolher?
Depende do seu objetivo. Para reserva de emergência, escolha um CDB pós-fixado a 100% do CDI ou mais com liquidez diária. Para metas de médio e longo prazo, vale aceitar a carência até o vencimento em troca de um % do CDI mais alto (110% ou mais, comum em bancos médios). Em todos os casos, confira se o emissor é coberto pelo FGC e nunca ultrapasse R$ 250 mil por CPF por instituição.
Quanto rende um CDB hoje?
Com o CDI a 14,15% ao ano (Selic 14,25% em junho/2026), R$ 10 mil em um CDB a 100% do CDI rende cerca de R$ 1.415 brutos em 12 meses. Para um prazo superior a 1 ano, a alíquota de IR de 17,5% incide só sobre o lucro (~R$ 248), deixando aproximadamente R$ 1.167 líquidos. CDBs de bancos médios a 110% do CDI rendem proporcionalmente mais.
CDB tem garantia?
Sim. O CDB é coberto pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até R$ 250.000 por CPF por instituição financeira, com teto global de R$ 1.000.000 a cada 4 anos. Isso protege o investidor caso o banco emissor quebre, dentro desses limites.
CDB ou poupança: qual é melhor?
Para a maioria dos investidores, o CDB rende mais. Com a Selic acima de 8,5%, a poupança paga 0,5% ao mês mais TR (cerca de 8,37% ao ano). Um CDB a 100% do CDI rende ~14,15% ao ano brutos; mesmo após o IR, o líquido supera com folga a poupança. A poupança só leva vantagem em resgates dentro dos primeiros 30 dias, quando o CDB sofre IOF.
Preciso de muito dinheiro para investir em CDB?
Não. Em muitas corretoras há CDBs com aplicação mínima a partir de R$ 1 ou R$ 100. Você abre conta gratuitamente, transfere o valor por Pix e aplica em poucos minutos, sem taxa de corretagem na renda fixa.
CDB tem imposto?
Sim. O CDB paga IR regressivo só sobre o lucro: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. Há IOF apenas nos primeiros 30 dias.
CDB é seguro?
Sim. O CDB é coberto pelo FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição, com teto global de R$ 1 milhão a cada 4 anos. Dentro desses limites, seu dinheiro é devolvido mesmo se o banco quebrar.
Existe CDB com liquidez diária?
Sim. Muitos CDBs pós-fixados oferecem liquidez diária, permitindo resgate a qualquer momento — ideal para reserva de emergência. Já os CDBs com resgate no vencimento tendem a pagar um % do CDI mais alto.
Qual % do CDI é bom em um CDB?
Para liquidez diária, 100% do CDI ou mais já é competitivo. Em CDBs com prazo até o vencimento, bancos médios costumam pagar de 105% a 115% do CDI — sempre dentro do limite do FGC de R$ 250 mil por instituição.
Escrito por Patrimo
O Patrimo é um app brasileiro de controle financeiro. Escrevemos os guias que gostaríamos de ter lido no começo: com a conta feita na sua frente, exemplos em reais e números que vêm do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca de achismo nem de promessa de rentabilidade. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.
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