O Pé-de-Meia deixa o estudante escolher entre poupança e Tesouro Selic para as parcelas de conclusão de R$ 1.000, o único dinheiro do programa que fica retido até a formatura. A escolha se faz em quatro toques no aplicativo Caixa Tem, não custa nada, e a opção padrão é a poupança. Ou seja: quem não faz nada, fica na que rende menos.
Todos os órgãos oficiais anunciaram que a escolha existe. Nenhum publicou a conta. Então fizemos: simulamos as três parcelas de conclusão ao longo dos três anos do ensino médio, com a Selic em 14% ao ano, a poupança pela regra correta e o Imposto de Renda descontado do lado do Tesouro. A diferença é de R$ 109,33. Não muda uma vida, e a gente vai ser honesto sobre isso — mas é 42% a mais de rendimento por um clique, e é a primeira decisão de investimento da vida de quem está no ensino médio público.
🧮 Resumo rápido
Só as parcelas de conclusão (R$ 1.000/ano) podem ser investidas. Matrícula, frequência e Enem ficam sacáveis.
Padrão = poupança. Quem não trocar, fica nela.
Onde trocar: Caixa Tem → Pé-de-Meia → Meus Investimentos.
Sem taxa para investir no Tesouro Selic. O IR sai automaticamente no resgate.
Poupança nos 3 anos: R$ 3.258,07 · Tesouro Selic: R$ 3.367,40.
Diferença: R$ 109,33, ou 42% mais rendimento, já líquido de imposto.
Menor de idade precisa do consentimento do responsável para tudo.
📋 O que este guia cobre:
O que o Pé-de-Meia paga, parcela por parcela
Antes da escolha de investimento, é preciso saber que o programa tem quatro tipos de incentivo e que eles se comportam de forma diferente. Só um deles fica retido, e é exatamente esse que rende.
| Incentivo | Valor | Quando | Pode sacar? |
|---|---|---|---|
| Matrícula | R$ 200 | Início do ano letivo | Sim, na hora |
| Frequência | 9 × R$ 200 = R$ 1.800 | Mensal, com 80% de presença | Sim, na hora |
| Conclusão | R$ 1.000 por ano | Ao concluir cada ano letivo | Não, só ao fim do ensino médio |
| Enem | R$ 200 | Pela participação na prova | Sim, na hora |
Somando: R$ 3.000 por ano letivo e até R$ 9.200 ao longo do ensino médio contando o incentivo do Enem. Os valores caem numa conta poupança digital aberta automaticamente pela Caixa em nome do estudante.
A parte que fica presa — e por isso rende
As parcelas de conclusão são um caso raro e bonito em finanças pessoais: dinheiro com valor conhecido, prazo conhecido e destino conhecido. O estudante sabe quanto vai receber, sabe que não pode mexer antes da formatura e sabe mais ou menos quando ela chega. Não existe cenário melhor para escolher onde deixar aplicado, porque some a variável que atrapalha toda decisão de investimento: a incerteza sobre quando você vai precisar do dinheiro.
O calendário do dinheiro retido é este, aproximadamente:
R$ 1.000 do 1º ano — fica aplicado por cerca de 24 meses até a formatura
R$ 1.000 do 2º ano — fica aplicado por cerca de 12 meses
R$ 1.000 do 3º ano — liberado praticamente junto com a conclusão, sem tempo relevante de rendimento
Repare que só dois terços do dinheiro ficam de fato rendendo, e um deles por apenas um ano. Isso já limita o tamanho da diferença possível entre as duas opções — e é por isso que qualquer manchete prometendo transformação com essa escolha estaria exagerando.
A conta dos três anos
Premissas: Selic em 14,00% ao ano, com o Tesouro Selic acompanhando a taxa efetiva de aproximadamente 13,90% ao ano; poupança pela regra da Lei 12.703/2012, que hoje entrega 0,672% ao mês, resultado de 0,5% ao mês combinado multiplicativamente com a TR na casa de 0,17% ao mês. IR do Tesouro pela tabela regressiva, contando dias corridos, não meses.
| Parcela | Prazo | Poupança | Tesouro Selic (líquido) |
|---|---|---|---|
| 1º ano | 24 meses (730 dias, IR 15%) | R$ 1.174,38 | R$ 1.252,72 |
| 2º ano | 12 meses (365 dias, IR 17,5%) | R$ 1.083,69 | R$ 1.114,68 |
| 3º ano | Liberado na conclusão | R$ 1.000,00 | R$ 1.000,00 |
| Total recebido | R$ 3.258,07 | R$ 3.367,40 | |
| Ganho sobre os R$ 3.000 | R$ 258,07 | R$ 367,40 (+42%) |
A leitura honesta do número
R$ 109,33 em três anos. Isso é um tênis, ou a inscrição de um vestibular. Não é um patrimônio, e quem disser que é está vendendo alguma coisa.
Mas olhe pelo outro lado: são 42% a mais de rendimento pelo mesmo dinheiro, pelo mesmo prazo, com o mesmo risco baixo, em troca de quatro toques num aplicativo. Poucas decisões financeiras na vida têm essa relação entre esforço e retorno. E o hábito que ela ensina — perguntar onde o dinheiro está e se dá para ficar melhor — vale mais do que os R$ 110.
Nota de método: os prazos de 24 e 12 meses são aproximações do calendário real, que varia com a data de pagamento de cada parcela e com a confirmação da conclusão pelo MEC. A poupança usa a regra vigente com a Selic acima de 8,5% ao ano — atenção, porque muita fonte ainda repete 6,17% ao ano, número que só valeria com a TR zerada, o que não é o caso desde 2021. Se a Selic cair ao longo do período, os dois lados caem juntos e a vantagem relativa do Tesouro diminui, mas não se inverte enquanto a Selic ficar acima de 8,5%. Confira o cenário atual com a nossa calculadora de poupança contra CDI.
Por que o Tesouro ganha mesmo pagando imposto
A poupança tem uma vantagem real e frequentemente mal usada como argumento: ela é isenta de Imposto de Renda. O erro está em tratar isenção como se fosse rendimento. Isenção só importa se o que sobra depois do imposto do concorrente for menor.
Com a Selic em 14% ao ano, a distância bruta é grande demais para o imposto cobrir:
| Poupança | Tesouro Selic | |
|---|---|---|
| Rendimento ao mês (bruto) | 0,67% | ≈ 1,09% |
| Imposto de Renda | Isento | 15% a 17,5% sobre o ganho |
| Taxa de custódia | Não há | Isenta no Pé-de-Meia |
| Resultado em 24 meses | R$ 174,38 de ganho | R$ 252,72 de ganho |
Um detalhe que quase todo mundo erra e que muda a conta: a tabela regressiva do IR conta dias corridos, não meses. Doze meses são 365 dias, e 365 dias caem na faixa de 17,5%, não na de 20%. Vinte e quatro meses são 730 dias, acima dos 720 que abrem a faixa de 15%. Explicamos a tabela inteira em IR regressivo na renda fixa.
Vale registrar o outro lado com honestidade: se a Selic caísse abaixo de 8,5% ao ano, a poupança mudaria de regra e passaria a render 70% da Selic mais a TR, o que estreita a diferença. Nada nas projeções atuais aponta para isso no horizonte de três anos, mas é a condição que faria a resposta mudar.
Como trocar, passo a passo
Passo 1: consentimento do responsável
Se o estudante é menor de idade, nada acontece sem a autorização do responsável legal. Ela pode ser dada pelo próprio Caixa Tem ou em agência da Caixa. Sem esse passo, nem a troca de investimento nem o saque futuro funcionam, e muita família só descobre isso no dia em que precisa do dinheiro.
Passo 2: abra a seção do programa
No aplicativo Caixa Tem, entre na área do Pé-de-Meia. É onde ficam o saldo, o histórico de parcelas e a informação de quanto já rendeu, atualizada mensalmente.
Passo 3: toque em "Meus Investimentos"
É ali que aparecem as duas opções, poupança e Tesouro Selic. A escolha vale para as parcelas de conclusão.
Passo 4: selecione Tesouro Selic e confirme
Sem custo e sem burocracia. Depois disso, dá para acompanhar o rendimento pelo próprio aplicativo. Quem preferir entender o produto por dentro antes de decidir pode ler Tesouro Selic contra poupança.
Como sacar depois de concluir o ensino médio
Com a conclusão confirmada pelo MEC, o valor é liberado. A partir daí o dinheiro pode ser movimentado digitalmente pelo Caixa Tem, com Pix, pagamento de contas e transferências, ou sacado em espécie em caixas eletrônicos, lotéricas e correspondentes Caixa Aqui, com cartão e token.
No caso do Tesouro Selic, o Imposto de Renda é descontado automaticamente no resgate, sobre o ganho e não sobre o total. O estudante não precisa emitir DARF nem fazer qualquer cálculo — o que também significa que o valor que aparece na tela antes do resgate é bruto, e o que cai na conta é um pouco menor.
Atenção ao golpe
Toda liberação de benefício vem acompanhada de fraude. Ninguém cobra para desbloquear, antecipar ou liberar o Pé-de-Meia, e o programa não negocia por link de WhatsApp. O aplicativo oficial é o Caixa Tem, baixado da loja oficial. Se pediram Pix, é golpe — o roteiro completo está em como identificar o site falso e o que fazer se já pagou.
O que fazer com o dinheiro na saída
Sair do ensino médio com cerca de R$ 3.400 liberados de uma vez é a primeira vez que muita gente vê esse valor junto. É também o momento em que ele costuma evaporar, porque dinheiro que chega em parcela única e sem destino combinado antes tende a virar consumo por impulso.
Três usos que fazem sentido, em ordem de prioridade:
-
Custo de acesso ao próximo passo. Inscrição de vestibular, material de curso técnico, transporte para estágio, documentação. É o uso com maior retorno, porque destrava renda futura.
-
Uma reserva mínima. Mesmo R$ 1.000 parados num Tesouro Selic evitam a primeira dívida cara da vida adulta. Explicamos o dimensionamento em guia da reserva de emergência.
-
Manter aplicado o que não tem destino. Se não há uso definido, o pior lugar é a conta corrente. O caminho natural é abrir uma conta própria e seguir no Tesouro Selic — o passo a passo do primeiro investimento serve exatamente para isso.
💬 Minha leitura
"Eu poderia ter escrito este texto dizendo que o estudante vai ganhar 42% a mais, deixar o percentual grande na capa e não mencionar que isso são R$ 110 em três anos. Seria verdade, e seria desonesto. Percentual sem valor absoluto é o truque mais antigo do mercado financeiro.
O que me interessa aqui não é o rendimento, é a estrutura. O programa colocou centenas de milhares de adolescentes de escola pública diante de uma tela com duas opções de investimento e um valor real no meio. Isso é aula de educação financeira aplicada, com dinheiro de verdade e consequência de verdade. Nenhuma cartilha faz isso.
Se você é pai, mãe ou responsável de alguém no Pé-de-Meia, o meu conselho é não fazer a troca por ele. Sente junto, abra o aplicativo, mostre os dois números e deixe a pessoa escolher. A decisão certa vale R$ 110. Entender por que ela é a certa vale a vida adulta inteira."
📚 Fontes consultadas
Ministério da Educação, perguntas frequentes do Pé-de-Meia, seção de opções de investimento: poupança como padrão, Tesouro Selic como alternativa, ausência de taxa e IR descontado no resgate.
Ministério da Educação e Agência Brasil: valores dos incentivos, calendário de pagamento e regras de saque das parcelas de conclusão.
Caixa Econômica Federal: conta poupança digital, aplicativo Caixa Tem e consentimento do responsável legal para menores de idade.
Lei 12.703/2012, regra de remuneração da poupança, e Banco Central, séries 226 (TR) e 195 (poupança).
Tesouro Nacional, características do Tesouro Selic, e tabela regressiva de IR da renda fixa.
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Perguntas frequentes
Todo o dinheiro do Pé-de-Meia pode ser investido?
Não. Só as parcelas de conclusão, de R$ 1.000 por ano letivo concluído, podem ser aplicadas em Tesouro Selic. Os incentivos de matrícula, frequência e Enem ficam na poupança digital e podem ser sacados a qualquer momento. Isso faz sentido: a escolha de investimento só existe para o dinheiro que já fica retido até o fim do ensino médio.
Qual é a opção padrão se o estudante não escolher nada?
A poupança. Ela é a aplicação pré-definida do programa, e quem não entrar no Caixa Tem para trocar permanece nela automaticamente. É por isso que vale conhecer a alternativa: a inércia tem um custo, ainda que modesto.
Tem taxa para investir no Tesouro Selic pelo Pé-de-Meia?
Não. Segundo o Ministério da Educação, os estudantes do programa não pagam para investir no Tesouro Selic. A taxa de custódia da B3, que normalmente incide sobre o Tesouro Direto, não é cobrada nesse arranjo.
O Tesouro Selic paga Imposto de Renda e a poupança não. Ainda compensa?
Sim, nas condições atuais. A poupança é isenta, mas rende 0,67% ao mês com a Selic em 14% ao ano. O Tesouro Selic rende perto de 1,09% ao mês bruto, e mesmo depois do IR de 15% a 17,5% sobre o ganho ele fica à frente. Na simulação dos três anos que fizemos, o Tesouro Selic entrega cerca de 42% mais rendimento, já líquido de imposto.
Quanto o estudante recebe no total pelo Pé-de-Meia?
Até R$ 9.200 ao longo do ensino médio. Por ano, são R$ 200 de incentivo matrícula, nove parcelas de R$ 200 de incentivo frequência, o que soma R$ 1.800, e R$ 1.000 de incentivo conclusão. Isso dá R$ 3.000 por ano letivo, R$ 9.000 nos três anos, mais R$ 200 de incentivo pela participação no Enem.
Quando o dinheiro da conclusão pode ser sacado?
Somente após concluir o ensino médio, com a conclusão confirmada pelo MEC, independentemente de estar na poupança ou no Tesouro Selic. Liberado, o valor é movimentado pelo aplicativo Caixa Tem, por Pix ou transferência, ou sacado em espécie em caixas eletrônicos, lotéricas e correspondentes Caixa Aqui.
Estudante menor de idade consegue investir sozinho?
Não. Para movimentar a conta, usar o Caixa Tem ou sacar, o menor de idade precisa do consentimento do responsável legal, que pode ser dado pelo próprio aplicativo ou em agência da Caixa. Sem esse passo, nem a troca de investimento nem o saque acontecem.
Existe risco de perder dinheiro no Tesouro Selic?
O Tesouro Selic é o título público de menor oscilação e acompanha a taxa Selic no dia a dia, sem a marcação a mercado negativa que atinge os títulos prefixados e os atrelados ao IPCA. Somado ao fato de o resgate acontecer numa data definida, e não numa venda antecipada em momento ruim, é a escolha coerente para dinheiro com destino e prazo conhecidos.
O Pé-de-Meia rende mais na poupança ou no Tesouro Selic?
No Tesouro Selic, nas condições de 2026. Com a Selic em 14% ao ano, a poupança rende cerca de 0,67% ao mês isento e o Tesouro Selic rende cerca de 1,09% ao mês antes do Imposto de Renda. Na simulação das três parcelas de conclusão ao longo do ensino médio, o Tesouro Selic entrega R$ 367,40 de ganho líquido contra R$ 258,07 da poupança, uma diferença de R$ 109,33.
Como trocar a poupança pelo Tesouro Selic no Pé-de-Meia?
No aplicativo Caixa Tem, entre na seção do programa Pé-de-Meia e toque em Meus Investimentos. Ali é possível escolher entre poupança e Tesouro Selic. Para estudante menor de idade, é necessário o consentimento do responsável legal, dado pelo aplicativo ou em agência.
Quais parcelas do Pé-de-Meia podem ser investidas?
Apenas as parcelas de conclusão, de R$ 1.000 por ano letivo concluído. Os incentivos de matrícula, frequência e Enem permanecem disponíveis para saque e não entram na escolha de investimento.
Quanto o Pé-de-Meia paga por ano?
R$ 3.000 por ano letivo: R$ 200 de incentivo matrícula, nove parcelas de R$ 200 do incentivo frequência, somando R$ 1.800, e R$ 1.000 de incentivo conclusão. Ao longo dos três anos do ensino médio, o total chega a R$ 9.200 contando o incentivo de R$ 200 pela participação no Enem.
Escrito por Patrimo
O Patrimo é um app brasileiro de controle financeiro. Escrevemos os guias que gostaríamos de ter lido no começo: com a conta feita na sua frente, exemplos em reais e números que vêm do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca de achismo nem de promessa de rentabilidade. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.
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