A 276a reuniao do Copom acontece nos dias 16 e 17 de junho de 2026. O Boletim Focus de 8 de junho aponta corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,50% para 14,25% — mas a inflacao resistente e o cenario externo nublado acendem o sinal de atencao.
Atualizacao (06/08/2026): veja como isso terminou
Este artigo foi publicado em 11/06/2026, antes da decisao do Copom de junho. O cenario que o mercado dava como mais provavel se confirmou: em 17/06/2026 a Selic caiu para 14,25%. Desde entao, o Copom cortou a taxa mais uma vez — a Selic hoje esta em 14,00% ao ano (decisao de 05/08/2026, quarto corte consecutivo). Os cenarios e calculos abaixo refletem a taxa da epoca (14,50% para 14,25%); para simular com a taxa atual, use a calculadora de CDB vs. LCI/LCA .
💡 Resumo rapido:
Quando: 16 e 17 de junho de 2026 (comunicado saira em 17/6)
Selic na época desta análise: 14,50% ao ano (definida na reunião de maio)
Cenario base do mercado: corte de 0,25pp → Selic a 14,25%
Risco alternativo: manutencao em 14,50% se IPCA piorar
IPCA projetado 2026: 5,11% (acima do teto de 4,5% da meta)
Selic projetada para dezembro 2026: 13,50% (Focus 8/jun)
O que este artigo cobre:
LEIA MAIS: Quanto rende cada investimento com a Selic a 14,50%?
O que aconteceu na ultima reuniao do Copom
Na reuniao de 28-29 de abril de 2026, o Comite de Politica Monetaria reduziu a meta da taxa Selic de 14,75% para 14,50% ao ano — um corte de 0,25 ponto percentual. A decisao foi unanime e alinhou-se ao cenario-base que o mercado projetava desde a reuniao anterior de marco, quando o Banco Central sinalizou um ritmo gradual e cauteloso no ciclo de afrouxamento monetario.
O comunicado oficial destacou que, apesar de a inflacao medida pelo IPCA ainda se encontrar acima do centro da meta de 3% ao ano, o comite entendeu que as condicoes permitiam dar continuidade ao ciclo de cortes, porem com cautela. O termo hawkish — que denota um tom de cautela mesmo num cenario de corte — voltou a permear as interpretacoes dos analistas.
O que mudou desde maio: a projecao do IPCA para 2026 escalou pela 13a semana consecutiva no Boletim Focus, atingindo 5,11% — bem acima do teto de 4,5% da meta vigente. Esse dado e um dos principais elementos de tensao para a reuniao de junho.
Linha do tempo recente da Selic
Jan/2026: Selic mantida em 15,00%
Mar/2026: Corte de 0,25pp → 14,75%
Mai/2026: Corte de 0,25pp → 14,50%
Jun/2026: Mercado projeta novo corte de 0,25pp → 14,25%
O que o mercado projeta para junho de 2026?
O Boletim Focus de 8 de junho de 2026, divulgado pelo Banco Central e que reune as projecoes de mais de 100 instituicoes financeiras, traz dados relevantes para entender o consenso do mercado:
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Expectativa para junho: corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano — cenario majoritario entre os analistas
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Selic ao final de 2026: mediana revisada de 13,25% para 13,50% ao ano — o mercado esta projetando menos cortes do que antes
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Selic ao final de 2027: projecao elevada de 11,25% para 11,50% ao ano
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IPCA 2026: 5,11% projetado (13a semana de alta consecutiva), acima do teto da meta de 4,5%
O Bank of America (BofA) foi mais conservador: projetou apenas mais um ajuste de 0,25pp em junho, seguido de uma pausa prolongada no ciclo, com a Selic encerrando 2026 em 14,25% ao ano. Isso contrasta com o cenario do Focus, que projeta uma queda adicional mais robusta ao longo do segundo semestre.
Importante: projecoes do mercado financeiro nao sao garantia do que o Banco Central vai decidir. O Copom e soberano e pode surpreender — como fez em marco de 2026, quando cortou menos do que o esperado. Use as projecoes como referencia, nao como certeza absoluta. Fonte: Banco Central do Brasil, Boletim Focus 08/06/2026.
Por que o Copom pode surpreender com manutencao?
Embora o cenario-base seja um corte de 0,25pp, ha elementos concretos que alimentam o risco de o Copom optar pela manutencao da Selic em 14,50%:
IPCA persistentemente alto
Com 5,11% projetado para 2026 e 13 semanas seguidas de revisoes para cima, a inflacao continua distante do centro da meta (3%). Ceder a cortes quando a inflacao esta destrancorando seria contraditorio com o mandato do Banco Central.
Pressao geopolitica externa
Conflitos no Oriente Medio elevaram os precos do petroleo, pressionando combustiveis e inflacao de custos no Brasil. O BCE europeu elevou juros recentemente, dificultando relaxamento monetario em paises emergentes como o Brasil.
Mercado de trabalho aquecido
A resiliencia da economia brasileira — com emprego e consumo fortes — mantem a demanda aquecida, o que dificulta a desaceleracao dos precos ao consumidor e reduz o espaco para cortes agressivos.
Revisao das projecoes para cima
O mercado revisou a Selic de fim de ano de 13,25% para 13,50%. Isso significa que os proprios agentes financeiros estao projetando menos cortes do que antes — um sinal de que a incerteza e maior do que parecia.
3 cenarios para a reuniao de junho e o impacto nos investimentos
Com base nas projecoes do Boletim Focus de 8 de junho de 2026 e nas analises de mercado, ha tres cenarios plausiveis para a decisao de 17 de junho:
Cenario A: Corte de 0,25pp — Selic a 14,25% (cenario-base, mais provavel)
O Copom mantem o ritmo gradual dos dois ultimos meses. Esse cenario se realiza se os dados de inflacao e atividade ficarem dentro do esperado, sem deterioracao adicional do cenario externo ate 17 de junho. O mercado ja precifica parcialmente esse corte.
Impacto: CDB 100% CDI perde ~R$ 18/mes por R$ 100.000 (liquido, IR 15%). Prefixados ja travados mantem rendimento. Tesouro IPCA+ se beneficia levemente da queda dos juros reais.
Cenario B: Manutencao em 14,50% (risco real, surpresa negativa para o mercado)
Se o IPCA de maio (divulgado no inicio de junho) surpreender para cima, ou se o dolar disparar nos dias que antecedem o comunicado, o Copom pode optar por uma pausa tecnica. O BofA ve esse cenario como possivel apos o corte de junho — a diferenca e o timing. Caso ocorra, surpreenderia negativamente o mercado de ativos de risco e os prefixados.
Impacto: Pos-fixados mantem rendimento atual. Prefixados e Tesouro IPCA+ sofrem pressao de alta nas taxas (queda nos precos no mercado secundario). Nao afeta quem mantem ate o vencimento.
Cenario C: Corte de 0,50pp — Selic a 14,00% (muito improvavel)
Cenario otimista que exigiria uma melhora rapida e consistente da inflacao, alem de um cenario externo mais favoravel. Dado o historico recente de cautela do Copom e a inflacao acima do teto da meta, esse cenario e considerado de probabilidade muito baixa pelo mercado.
Impacto: Queda mais acentuada nos pos-fixados (~R$ 43/mes a menos por R$ 100.000). Valorizacao dos prefixados ja travados. Positivo para quem esta no Tesouro IPCA+.
| Cenario | Selic resultante | Pos-fixados | Prefixados | Probabilidade |
|---|---|---|---|---|
| A) Corte 0,25pp | 14,25% | Queda leve | Leve alta | Alta |
| B) Manutencao | 14,50% | Mantem | Pressao baixa | Moderada |
| C) Corte 0,50pp | 14,00% | Queda maior | Valorizacao | Muito baixa |
Probabilidades baseadas nas expectativas do mercado conforme Boletim Focus de 8 de junho de 2026. Sujeito a revisao com novos dados economicos. Nao constitui recomendacao de investimento. Fonte: Banco Central do Brasil.
Quanto rende seu dinheiro em cada cenario?
Para tornar os cenarios mais concretos, confira abaixo o rendimento liquido estimado de um CDB 100% CDI em cada cenario de Selic, para diferentes valores investidos. Calculos considerando prazo acima de 720 dias (IR de 15%), CDI ≈ Selic − 0,10%:
| Valor investido | Cenario A Selic 14,25% | Cenario B Selic 14,50% | Diferenca A→B por mes |
|---|---|---|---|
| R$ 50.000 | R$ 501/mes | R$ 510/mes | −R$ 9/mes |
| R$ 100.000 | R$ 1.002/mes | R$ 1.020/mes | −R$ 18/mes |
| R$ 200.000 | R$ 2.004/mes | R$ 2.040/mes | −R$ 36/mes |
| R$ 500.000 | R$ 5.010/mes | R$ 5.100/mes | −R$ 90/mes |
| R$ 1.000.000 | R$ 10.019/mes | R$ 10.200/mes | −R$ 181/mes |
Estimativas calculadas com base em CDB 100% CDI, prazo superior a 720 dias (IR 15%), CDI ≈ Selic −0,10%. Valores aproximados com finalidade educacional. Rendimentos reais dependem do produto contratado, emissor e prazo. Consulte sempre as condicoes do seu investimento.
Simule o seu cenario: Use nossa calculadora de CDB vs. LCI/LCA para calcular o rendimento exato com a taxa do seu investimento. O simulador de Tesouro Direto tambem permite comparar cenarios de Selic para o Tesouro Selic e prefixados.
Como posicionar sua carteira antes do comunicado?
A pergunta classica antes de cada reuniao do Copom e: "devo mudar alguma coisa na minha carteira?". A resposta honesta depende do seu perfil, prazo e objetivos — nao do resultado que voce espera do Copom. Algumas diretrizes praticas:
Reserva de emergencia: nao mexa
Independentemente do que o Copom decidir, sua reserva de emergencia deve permanecer no Tesouro Selic ou em CDB com liquidez diaria . A funcao da reserva nao e maximizar rendimento — e estar disponivel quando voce precisar. Um corte de 0,25pp nao justifica nenhuma movimentacao nessa fatia do patrimonio.
Para quem quer travar taxas prefixadas
Se o ciclo de cortes continuar como o mercado projeta (Selic a 13,50% em dezembro de 2026), as taxas dos prefixados devem cair gradualmente nos proximos meses. CDBs prefixados acima de 14% ao ano e Tesouro Prefixado em taxas proximas de 14,5% ainda representam uma oportunidade de travar rendimento — desde que voce possa manter o dinheiro ate o vencimento. Lembre-se: vender antes do vencimento expoe ao risco de marcacao a mercado .
Tesouro IPCA+: janela ainda aberta?
Com o Tesouro IPCA+ pagando IPCA + 7% ao ano ou mais, o premio real continua atrativo para quem tem horizonte de longo prazo (5+ anos). Porem, se o Copom surpreender com a manutencao (Cenario B), os titulos IPCA+ podem sofrer volatilidade no curto prazo. Para quem vai carregar ate o vencimento, isso nao e problema — o investidor recebe exatamente a taxa contratada.
Minha leitura
"Na minha experiencia com clientes, o que mais vejo e a ansiedade de 'fazer alguma coisa' antes de cada Copom. Na pratica, a melhor estrategia para a grande maioria e nao fazer nada. Uma carteira bem montada — com reserva de emergencia no pos-fixado liquido, patrimonio de medio prazo em LCI/LCA ou CDB, e uma fatia de longo prazo em IPCA+ ou prefixado — nao precisa ser remontada a cada reuniao do Banco Central."
"O que muda com um corte de 0,25pp? Praticamente nada no dia a dia de quem tem R$ 100.000 investidos. A diferenca de R$ 18 por mes nao justifica tomada de decisao sob pressao. O risco de errar tentando adivinhar o Copom e maior do que o custo de simplesmente manter a estrategia."
Historico completo do Copom em 2026
Para contextualizar a reuniao de junho, veja o historico completo das decisoes do Copom em 2026 e o calendario das proximas reunioes:
| Reuniao | Data | Decisao | Selic resultante |
|---|---|---|---|
| 273a reuniao | 27-28/jan/2026 | Manutencao | 15,00% |
| 274a reuniao | 17-18/mar/2026 | Corte 0,25pp | 14,75% |
| 275a reuniao | 28-29/abr/2026 | Corte 0,25pp | 14,50% |
| 276a reuniao | 16-17/jun/2026 | Corte 0,25pp | 14,25% |
| 277a reuniao | 04-05/ago/2026 | Corte 0,25pp | 14,00% |
| 278a reuniao | 15-16/set/2026 | — | — |
| 279a reuniao | 03-04/nov/2026 | — | — |
| 280a reuniao | 08-09/dez/2026 | — | — |
Calendario oficial do Copom 2026. Fonte: Banco Central do Brasil (bcb.gov.br). As datas das proximas reunioes estao confirmadas pelo BC; as decisoes futuras sao expectativas do mercado e nao representam compromisso do Banco Central.
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Perguntas frequentes
Quando e a reuniao do Copom de junho de 2026?
A 276a reuniao do Copom esta marcada para os dias 16 e 17 de junho de 2026. O comunicado oficial com a decisao sobre a Selic sera divulgado no dia 17 de junho, apos o fechamento do mercado (geralmente entre 18h30 e 19h, horario de Brasilia). Fonte: Banco Central do Brasil (bcb.gov.br).
Qual a previsao para a Selic na reuniao de junho de 2026?
O cenario base do mercado, conforme o Boletim Focus de 8 de junho de 2026, e um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano. Porem, a piora nas expectativas de inflacao (IPCA projetado em 5,11% para 2026, acima do teto da meta) e a revisao da Selic ao final de 2026 para 13,50% indicam que o Copom pode surprender com a manutencao da taxa.
O que acontece com meu CDB se a Selic cair para 14,25%?
Para um CDB 100% CDI com prazo acima de 2 anos (IR de 15%): a queda de 0,25pp reduz o rendimento liquido anual em aproximadamente R$ 213 para cada R$ 100.000 investidos. Em termos mensais, a diferenca e de cerca de R$ 18 por mes por R$ 100.000. A queda e real, mas o rendimento continua em nivel historicamente elevado — muito acima da poupanca.
Vale a pena migrar para o prefixado antes do Copom de junho?
Depende do seu horizonte e perfil. Se o ciclo de cortes continuar como o mercado projeta (Selic a 13,50% no final de 2026), travar uma taxa prefixada de 14% ao ano hoje pode ser vantajoso para prazos de 2 a 3 anos. Porem, se o Copom surpreender com manutencao ou o ciclo de cortes pausar, o prefixado perde atratividade relativa. Para reserva de emergencia, mantenha sempre no pos-fixado com liquidez.
Por que o IPCA acima da meta pode fazer o Copom manter a Selic?
O mandato legal do Copom e controlar a inflacao dentro da meta (3% ao ano, teto de 4,5% em 2026). Com o IPCA projetado em 5,11% para 2026 (13a semana consecutiva de revisao para cima, segundo o Focus de 8/6), o Banco Central fica pressionado a ser mais cauteloso nos cortes. Ceder a uma queda maior quando a inflacao esta acima do teto seria contradizer o proprio objetivo do Comite.
Qual a diferenca pratica entre Selic a 14,50% e 14,25% para quem investe?
Para cada R$ 100.000 investidos em CDB 100% CDI (prazo longo, IR 15%): a Selic a 14,50% rende aproximadamente R$ 1.020/mes liquido; a Selic a 14,25% renderia aproximadamente R$ 1.002/mes liquido. A diferenca e de cerca de R$ 18/mes por R$ 100.000. Para R$ 500.000, a diferenca seria de cerca de R$ 90/mes — um impacto real, mas longe de ser catastrofico.
Escrito por Patrimo
O Patrimo é um app brasileiro de controle financeiro. Escrevemos os guias que gostaríamos de ter lido no começo: com a conta feita na sua frente, exemplos em reais e números que vêm do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca de achismo nem de promessa de rentabilidade. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.
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