Existem três modalidades de CDB no Brasil e cada uma vence em um cenário diferente de juros. Depois de ver o mercado por dentro, o erro mais comum que vejo é escolher pós-fixado por reflexo — sem perceber que, com Selic em queda, o prefixado entrega mais. A escolha certa depende menos de "qual rende mais hoje" e mais de "qual cenário você acredita que vai acontecer".
As três modalidades em resumo
| Tipo | Como rende | Melhor quando | Risco principal |
|---|---|---|---|
| Prefixado | Taxa fixa contratada (ex: 13% a.a.) | Selic vai cair | Selic subir e você ficar preso |
| Pós-fixado | % do CDI (ex: 110% CDI) | Selic vai ficar alta ou subir | Selic cair — rendimento diminui junto |
| Híbrido (IPCA+) | IPCA + juro real fixo (ex: IPCA + 6%) | Inflação subir acima do previsto | Desinflação — real pode ficar abaixo do pós |
Cenário: Selic 14,75% e CDI 14,65% (BCB, maio/2026). Fins educacionais.
Rendimento líquido real — tabela comparativa
Comparar taxas brutas não basta. O que importa é quanto sobra depois do IR regressivo (Lei 11.033/2004) e da inflação. Você pode simular quanto rende no CDB com o seu próprio valor, mas veja antes o cálculo para R$ 10.000 aplicados por diferentes prazos:
| Produto | Taxa bruta | IR (prazo 2 anos) | Líquido a.a. | Real (–IPCA 5,48%) |
|---|---|---|---|---|
| CDB 110% CDI | 16,12% | 15% (acima 720d) | 13,70% | 7,74% |
| CDB 100% CDI | 14,65% | 15% | 12,45% | 6,61% |
| CDB Prefixado 13% | 13,00% | 15% | 11,05% | 5,28% |
| CDB IPCA + 6% | ~11,48% | 15% | 9,76% | 4,05% real garantido |
| Poupança | 10,50% | Isenta | 10,50% | 4,75% |
Cálculos: CDI 14,65% (BCB, mai/2026), IPCA 5,48% (IBGE, mar/2026), IR regressivo 15% para prazo acima de 720 dias (Lei 11.033/2004). Fins educacionais — taxas variam por instituição.
CDB pós-fixado: o padrão do mercado
É a modalidade mais oferecida no Brasil. Você contrata uma taxa atrelada ao CDI — geralmente entre 90% e 130% dependendo do banco e do prazo — e o rendimento acompanha exatamente esse índice ao longo do tempo.
Com CDI a 14,65% a.a. (maio/2026), um CDB 110% do CDI rende 16,12% bruto ao ano. Aplicado por 2 anos com IR de 15%, o líquido fica em torno de 13,70% a.a. — ou 7,74% acima da inflação.
Quando o pós-fixado vence
• Selic permanece alta ou sobe durante o prazo
• Você precisa de liquidez (muitos pós-fixados têm liquidez diária)
• Prazo curto (até 12 meses) onde a incerteza é maior
• Reserva de emergência ou de oportunidade
CDB prefixado: apostando na queda de juros
No prefixado, você trava hoje uma taxa anual que vai valer até o vencimento. Se contratou 13% a.a. por 3 anos, vai receber esses 13% mesmo que a Selic caia para 9% no caminho — o que nesse cenário é uma vitória.
Exemplo numérico — R$ 10.000 por 3 anos
CDB prefixado 13% a.a.: R$ 10.000 → R$ 14.428,97 bruto
IR regressivo 15% sobre o ganho de R$ 4.428,97 = R$ 664,35
Líquido: R$ 13.764,62 → equivale a 11,21% a.a. líquido
Se a Selic cair para 10% no ano 2, o pós-fixado teria rendido ~13,8% bruto no total — o prefixado teria vencido no acumulado.
Risco do prefixado: marcação a mercado
Se a Selic subir durante o prazo, o valor de mercado do seu CDB prefixado cai. Vendendo antes do vencimento (quando a corretora aceita), você pode ter prejuízo. A estratégia correta é carregar até o vencimento. Nunca aplique em prefixado dinheiro que pode ser necessário antes da data combinada.
CDB IPCA+ (híbrido): proteção real de longo prazo
O híbrido junta dois componentes: IPCA (inflação oficial, IBGE) + juro real fixo contratado. Com IPCA de 5,48% em 12 meses (mar/2026) e CDB IPCA + 6% a.a., o rendimento bruto fica próximo de 11,48%.
Parece pouco contra o pós-fixado atual, mas o híbrido tem uma vantagem única: independentemente de a inflação subir para 8% ou cair para 3%, sua taxa real de 6% a.a. se mantém. É proteção contra surpresas inflacionárias de longo prazo.
Quando o IPCA+ vence
• Objetivos de longo prazo: aposentadoria, educação dos filhos (5+ anos)
• Inflação acima das projeções do mercado
• Você quer garantir poder de compra real — não apenas nominal
• Diversificação dentro da renda fixa (junto com pós-fixado)
Qual vence em cada cenário
Cenário A — Selic permanece alta (14–15%)
Vencedor: pós-fixado. CDI alto favorece quem está atrelado a ele. CDB 110% CDI rende ~13,70% líquido a.a. contra ~11,21% do prefixado 13%.
Cenário B — Selic cai para 10–11% em 2 anos
Vencedor: prefixado. Quem travou 13% hoje ganha de quem vai receber 100% de um CDI que caiu para 10%. A diferença acumulada em R$ 100.000 por 3 anos pode passar de R$ 8.000 líquidos a mais. Se ficou na dúvida sobre quando escolher um CDB prefixado vs pós-fixado, este guia destrincha cada cenário.
Cenário C — Inflação surpreende (IPCA acima de 7%)
Vencedor: IPCA+. O componente inflacionário se expande e o juro real fixo mantém seu poder de compra. Prefixado e pós-fixado podem ficar negativos em termos reais se a inflação explodir.
IR regressivo: a tabela que impacta os três
Todos os CDBs — prefixado, pós-fixado e híbrido — seguem a mesma tabela regressiva de IR (Lei 11.033/2004 e IN RFB 1.585/2015):
| Prazo da aplicação | Alíquota de IR | Impacto prático |
|---|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% | CDB 100% CDI rende ~11,35% líquido |
| 181 a 360 dias | 20,0% | CDB 100% CDI rende ~11,72% líquido |
| 361 a 720 dias | 17,5% | CDB 100% CDI rende ~12,09% líquido |
| Acima de 720 dias | 15,0% | CDB 100% CDI rende ~12,45% líquido |
Base: CDI 14,65% (BCB, mai/2026). Lei 11.033/2004. Fins educacionais.
A consequência prática: nunca vale a pena resgatar um CDB antes de 720 dias se você puder esperar. Passar de 17,5% para 15% de IR representa ganho líquido significativo no longo prazo.
Como montar uma escada com as três modalidades
Na prática, o investidor experiente não escolhe uma só — ele combina. Uma montagem comum: pós-fixado com liquidez diária para a reserva e o curto prazo, prefixado de 2 a 3 anos para travar a taxa atual caso a Selic caia, e IPCA+ de 5 anos ou mais para a parcela de aposentadoria. Essa "escada" reduz o custo de errar a previsão de juros, porque cada cenário tem ao menos uma fatia da carteira a seu favor.
Se você ainda não comprou seu primeiro CDB, veja o passo a passo de como investir em CDB antes de definir a proporção entre as modalidades.
FGC: proteção igual para os três
Independente da modalidade, todo CDB tem cobertura do FGC até R$ 250.000 por CPF e instituição (CMN Res. 4.222/2013). Acima desse valor, é exposição direta ao banco emissor — distribua entre instituições diferentes se for aplicar valores maiores.
Como comparar ofertas na prática
Para comparar CDB pós-fixado com prefixado ou IPCA+, use a taxa equivalente:
Fórmula de equivalência
Pós-fixado 100% CDI líquido = 14,65% × (1 − 0,15) = 12,45% a.a.
Prefixado equivalente bruto = 12,45% ÷ (1 − 0,15) = 14,65% a.a.
→ Para um CDB prefixado valer a pena sobre o pós-fixado 100% CDI hoje, ele precisaria oferecer mais de 14,65% bruto — com a aposta de que o CDI vai cair.
Perguntas frequentes
O que é um CDB prefixado?
CDB prefixado tem a taxa definida no momento da aplicação e mantida até o vencimento, independentemente do que acontecer com a Selic. Exemplo: CDB prefixado 13% a.a. paga exatos 13% ao ano, seja a Selic 8% ou 15%.
O que é um CDB pós-fixado?
CDB pós-fixado acompanha o CDI (hoje 14,65% a.a.) com um percentual contratado. CDB 100% do CDI rende exatamente o CDI; CDB 110% do CDI rende 10% acima. A taxa muda conforme a Selic sobe ou cai.
O que é CDB híbrido ou IPCA+?
CDB híbrido soma IPCA (inflação oficial) mais uma taxa real fixa contratada. Exemplo: IPCA + 6% a.a. Com IPCA de 5,48% (IBGE, mar/2026), o rendimento bruto fica próximo de 11,48% — mas a taxa real de 6% é garantida independentemente da inflação futura.
CDB prefixado ou pós-fixado: qual rende mais em 2026?
Com CDI 14,65% a.a. (mai/2026), o CDB 100% CDI rende 12,45% líquido para prazo acima de 720 dias. Um prefixado a 13% rende 11,21% líquido — menos que o pós hoje. O prefixado só vence se a Selic cair abaixo de 13% durante o prazo. Decidir depende da sua visão do ciclo de juros.
Posso ter os três tipos de CDB ao mesmo tempo?
Sim — e essa diversificação dentro da renda fixa é recomendada. Pós-fixado para reserva de curto prazo e liquidez, prefixado para apostar em queda de juros e IPCA+ para objetivos de longo prazo (aposentadoria, educação). Sempre respeitando o limite do FGC de R$ 250k por CPF e banco.
CDB de banco médio com taxa maior vale o risco?
CDBs de bancos médios costumam oferecer 120–130% do CDI contra 100% dos grandes bancos. O risco adicional (crédito do banco emissor) é coberto pelo FGC até R$ 250.000. Acima desse valor, o risco existe. Verifique o rating do banco e os índices de Basileia antes de aplicar valores maiores.
Qual o imposto do CDB IPCA+?
O CDB IPCA+ segue a mesma tabela regressiva dos outros CDBs: 22,5% até 180 dias, reduzindo a 15% acima de 720 dias. O IR incide sobre o ganho total (IPCA + juro real), não apenas sobre o juro real. Por isso o benefício real do IPCA+ fica menor após o desconto do imposto.
Escrito por Patrimo
O Patrimo é um app brasileiro de controle financeiro. Escrevemos os guias que gostaríamos de ter lido no começo: com a conta feita na sua frente, exemplos em reais e números que vêm do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca de achismo nem de promessa de rentabilidade. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.
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