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Como pedir a renegociação de uma dívida: 3 modelos prontos para copiar?

Negociar por escrito muda a conversa: a proposta fica registrada, você pede a resposta com números e compara as condições com calma. Os três modelos abaixo cobrem os pedidos mais comuns.

Atualizado em •Por Adriano Freire · ANCORD nº 50352

Resposta rápida

Para renegociar uma dívida, o caminho mais seguro é pedir por escrito, no canal oficial do credor, três coisas: o saldo devedor detalhado, uma proposta de parcelamento que caiba na sua renda e as condições de quitação à vista. Esta página traz um modelo para cada pedido, para copiar ou baixar. Quando nem os pagamentos mínimos cabem no orçamento, a Lei 14.181/2021 prevê a repactuação das dívidas de consumo com todos os credores, preservando um mínimo de R$ 600 por mês para as despesas básicas.

O que fazer antes de mandar o pedido?

A negociação começa pelos seus números, não pelos do credor. Antes de escrever, vale ter três coisas anotadas: a lista de todas as dívidas com saldo, juros e parcela; a renda que entra por mês; e quanto sobra depois das despesas essenciais. É essa sobra que define a parcela que você consegue manter.

Propor uma parcela que não cabe é o erro mais comum. Um acordo descumprido pode perder as condições negociadas, e o trabalho recomeça.

  • Some as parcelas atuais e veja quanto da renda elas ocupam.
  • Ordene as dívidas pelo juro: rotativo do cartão e cheque especial costumam ser as mais caras.
  • Defina o valor máximo de parcela que cabe todo mês, com alguma folga.

Quais são os três modelos?

Os trechos entre colchetes são os que você preenche. O texto pode ser copiado para o campo de mensagem do aplicativo do banco, para um e-mail ou para uma carta. Os arquivos para baixar abrem no Word e no Google Docs.

Modelo 1: pedido de renegociação ao credor

Quando a parcela atual não cabe mais no orçamento e você quer uma proposta por escrito.

Baixar em Word

Assunto: Pedido de renegociação do contrato nº [número do contrato] [Cidade], [data]. À [nome da instituição credora], Eu, [nome completo], CPF [número], titular do contrato nº [número do contrato], referente a [cartão de crédito / empréstimo pessoal / financiamento], venho pedir a renegociação do saldo devedor. Minha renda mensal atual é de R$ [valor] e minhas despesas essenciais somam R$ [valor]. Nessas condições, consigo pagar parcelas de até R$ [valor] por mês. Peço que me enviem, por escrito: 1. o saldo devedor atualizado, separando principal, juros, multa e encargos; 2. uma proposta de parcelamento com parcela de até R$ [valor], informando o número de parcelas, a taxa de juros mensal e anual, o custo efetivo total e o valor total a pagar; 3. as condições para quitação à vista, se houver. Peço resposta por escrito, pelo e-mail [endereço]. Telefone para contato: [número]. Atenciosamente, [nome completo]

Envie pelo canal oficial da instituição (aplicativo, central de atendimento ou ouvidoria) e guarde o número de protocolo. Nenhum atendente legítimo pede que você informe a senha ou o código de segurança do cartão.

Modelo 2: proposta de quitação à vista

Quando você tem um valor disponível e quer encerrar a dívida de uma vez.

Baixar em Word

Assunto: Proposta de quitação à vista do contrato nº [número do contrato] [Cidade], [data]. À [nome da instituição credora], Eu, [nome completo], CPF [número], titular do contrato nº [número do contrato], proponho a quitação integral da dívida, hoje informada em R$ [saldo informado], pelo valor de R$ [valor proposto], em pagamento único até [data]. Se a proposta for aceita, peço que me enviem, antes do pagamento: 1. o boleto ou os dados de pagamento emitidos em nome da própria instituição credora ou da empresa de cobrança indicada por ela; 2. o termo de acordo, com o valor, a data e a declaração de que o pagamento quita integralmente o contrato; 3. o prazo para a baixa da dívida nos cadastros de inadimplentes depois do pagamento. Se a proposta não puder ser aceita, peço que informem por escrito o menor valor aceito para quitação à vista. Atenciosamente, [nome completo]

Só pague depois de receber o termo de acordo por escrito e de conferir que o boleto está em nome do próprio credor ou da empresa de cobrança indicada por ele no canal oficial. Guarde o comprovante e o termo.

Modelo 3: pedido de cópia do contrato e do demonstrativo da dívida

Quando o valor cobrado parece maior do que o esperado e você precisa conferir a conta antes de negociar.

Baixar em Word

Assunto: Pedido de cópia do contrato e de demonstrativo da dívida, contrato nº [número do contrato] [Cidade], [data]. À [nome da instituição credora], Eu, [nome completo], CPF [número], peço, com base no direito à informação previsto no art. 6º, III, do Código de Defesa do Consumidor: 1. cópia do contrato nº [número do contrato] e de seus aditivos; 2. demonstrativo da evolução da dívida desde a contratação, com as taxas de juros aplicadas, os pagamentos feitos, as multas e os encargos cobrados; 3. o custo efetivo total da operação. Peço o envio para o e-mail [endereço]. Atenciosamente, [nome completo]

É o primeiro passo quando o valor cobrado parece maior do que o esperado. Com o demonstrativo em mãos fica possível conferir a dívida e comparar propostas.

Modelos educacionais. Não são aconselhamento jurídico e não garantem desconto, parcelamento nem a retirada do nome de cadastros de inadimplentes. Cada credor decide se aceita a proposta.

O que conferir na resposta do credor?

Uma proposta só pode ser comparada com outra quando traz os mesmos números. Antes de aceitar, confira se a resposta informa:

  • O saldo devedor, com a separação entre principal, juros, multa e encargos.
  • O número de parcelas, o valor de cada uma e a data de vencimento.
  • A taxa de juros ao mês e ao ano e o custo efetivo total.
  • O valor total que será pago até o fim do acordo.
  • O que acontece se uma parcela atrasar.

Compare o total a pagar com o saldo de hoje. Um parcelamento longo com parcela pequena pode custar muito mais do que a dívida original. A calculadora para sair das dívidas mostra em quantos meses cada cenário termina e quanto de juros ele carrega.

E quando nem o mínimo cabe no orçamento?

A Lei 14.181/2021 incluiu no Código de Defesa do Consumidor um procedimento para quem não consegue pagar o conjunto das dívidas de consumo sem comprometer o básico. O consumidor pode pedir uma audiência de conciliação com todos os credores ao mesmo tempo e apresentar um plano de pagamento de até cinco anos.

Esse plano precisa preservar o chamado mínimo existencial, hoje fixado em R$ 600 por mês pelo Decreto 11.150/2022, com a redação do Decreto 11.567/2023. A lei não alcança todas as dívidas: ficam de fora as contraídas de má-fé, sem a intenção de pagar, e as de contratos de crédito com garantia real, de financiamento imobiliário e de crédito rural.

O pedido é feito à Justiça. O Procon e a Defensoria Pública da sua cidade orientam sobre os documentos, sobre o que entra no plano e sobre como apresentar o pedido.

Do que desconfiar durante a negociação?

Quem está com dívida em atraso é alvo frequente de golpe. Quatro sinais pedem cautela:

  • Pedido de pagamento adiantado para liberar o acordo ou o desconto.
  • Boleto em nome de pessoa física ou de empresa que você não reconhece.
  • Promessa de limpar o nome sem pagar a dívida.
  • Pressão para decidir na hora, sem tempo de ler a proposta.

Na dúvida, encerre a conversa e procure o credor pelo canal que aparece no site ou no aplicativo oficial dele. Dúvidas sobre prescrição, cobrança indevida ou negativação devem ser levadas ao Procon ou à Defensoria Pública.

O que fazer agora, em 5 passos

  1. 1

    Levante os seus números

    Liste as dívidas e calcule a parcela máxima que cabe no mês. A calculadora de comprometimento de renda ajuda nessa conta.

  2. 2

    Peça o contrato e o demonstrativo

    Use o modelo 3 se não souber como a dívida chegou ao valor atual.

  3. 3

    Mande o pedido por escrito

    Modelo 1 para parcelar, modelo 2 para quitar à vista. Sempre pelo canal oficial, guardando o protocolo.

  4. 4

    Compare as respostas

    Olhe o total a pagar e o custo efetivo, não só o valor da parcela.

  5. 5

    Formalize antes de pagar

    Só pague com o termo de acordo em mãos e o boleto em nome do credor ou da empresa de cobrança que ele indicou no canal oficial.

Para pôr em prática

Planilha de Quitação de Dívidas

Lista todas as dívidas com saldo, juros e parcela, ordena pela mais cara e acompanha o plano de quitação mês a mês.

Excel e Google Sheets · chega no e-mail em segundos

Perguntas frequentes

Posso renegociar a dívida por escrito?

Pode, e é o mais indicado. O pedido por escrito, feito no canal oficial do credor, deixa registro do que foi proposto e do que foi respondido. Guarde o protocolo e as mensagens.

O banco é obrigado a aceitar a minha proposta?

Não. O credor decide se aceita, recusa ou faz uma contraproposta. O que a lei garante é o direito à informação clara sobre a dívida e, em caso de superendividamento, o acesso ao procedimento de repactuação com todos os credores.

Tenho direito a uma cópia do contrato?

O Código de Defesa do Consumidor garante o direito à informação adequada e clara sobre o que foi contratado (art. 6º, III). O modelo 3 desta página pede a cópia do contrato e o demonstrativo de evolução da dívida.

O que é a Lei do Superendividamento?

É a Lei 14.181/2021, que criou um procedimento de conciliação para quem não consegue pagar as dívidas de consumo sem comprometer o básico. Ela prevê um plano de pagamento de até cinco anos e a preservação de um mínimo existencial, hoje de R$ 600 por mês.

Renegociar tira o meu nome dos cadastros de inadimplentes?

Depende do acordo e do pagamento. Esta página não trata de prazos de negativação nem de prescrição: essas dúvidas devem ser levadas ao Procon ou à Defensoria Pública, que analisam o caso concreto.

Fontes oficiais

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Material educacional gratuito. Os valores seguem as tabelas vigentes na data de atualização e não substituem a conferência do seu holerite nem a orientação de um profissional habilitado. Não constitui recomendação de investimento. Adriano Freire · ANCORD nº 50352.

Adriano Freire

Quem escreveu

Adriano Freire

Fundador do Patrimo · ANCORD nº 50352

Empresário, criador de conteúdo educacional e fundador do Patrimo App. Trabalhou no maior banco de investimentos da América Latina e é credenciado pela ANCORD (nº 50352).

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