Após o quarto corte consecutivo do Copom, que levou a Selic a 14,00% em 05/08/2026, o Tesouro Prefixado 2028 segue oferecendo taxas em torno de 13,20% a.a. A pergunta que todo investidor faz agora: vale travar essa taxa ou continuar no pós-fixado enquanto o CDI ainda está em torno de 14,15%? A resposta depende do cenário que você acredita — e a matemática abaixo vai ajudar a decidir.
Como funciona a lógica do prefixado
O Tesouro Prefixado trava uma taxa nominal no momento da compra. Se você compra um título a 13,20% ao ano e o mantém até o vencimento, vai receber exatamente 13,20% ao ano — não importa se a Selic foi para 10% ou para 16%. Isso é a vantagem e o risco do prefixado ao mesmo tempo.
O risco aparece se você vender antes do vencimento. Nesse caso, o preço do título oscila conforme as taxas de mercado — um fenômeno chamado marcação a mercado . Quando os juros caem, o preço do título sobe (ganho). Quando os juros sobem, o preço cai (perda potencial). A duration do título determina o tamanho dessa oscilação.
Os 3 cenários: quando o prefixado ganha e quando perde
Para a análise, usamos um Tesouro Prefixado 2028 com taxa de 13,20% ao ano, mantido até o vencimento (2 anos). No pós-fixado, assumimos CDB 100% CDI. Prazo: 24 meses (730 dias, IR 15%).
Cenário 1 — Selic cai gradualmente para 12% em 18 meses
CDI médio estimado no período: ~13,0% a.a.
Produto Taxa bruta Líquido (15% IR) R$ 100k → 2a Prefixado 13,20% 13,20% 11,22% R$ 123.921 CDB 100% CDI (média 13%) ~13,0% 11,05% R$ 123.537 Resultado: Prefixado ganha por ~R$ 385 em R$ 100k. Vantagem pequena mas consistente.
Cenário 2 — Selic se mantém em 14% (nível atual, cenário neutro)
CDI médio estimado no período: ~14,15% a.a. (CDI atual, sem novos cortes)
Produto Taxa bruta Líquido (15% IR) R$ 100k → 2a Prefixado 13,20% 13,20% 11,22% R$ 123.921 CDB 100% CDI (média 14,15%) ~14,15% 12,03% R$ 125.757 Resultado: CDB/pós-fixado ganha por ~R$ 1.836 em R$ 100k. Selic estável favorece pós-fixado.
Cenário 3 — Selic volta a subir para 15-16% (choque externo)
CDI médio estimado no período: ~15,0% a.a.
Produto Taxa bruta Líquido (15% IR) R$ 100k → 2a Prefixado 13,20% 13,20% 11,22% R$ 123.921 CDB 100% CDI (média 15%) ~15,0% 12,75% R$ 127.413 Resultado: CDB/pós-fixado ganha por ~R$ 3.491 em R$ 100k. Prefixado perde com clareza.
Cálculos educacionais. Taxas de CDI são médias estimadas por cenário, não valores garantidos. IR de 15% para 24 meses (730 dias, acima do limite de 720 dias da tabela regressiva). Fonte: BCB, Tesouro Nacional.
Quando o prefixado faz sentido — e quando não
| Perfil / situação | Prefixado? | Por quê |
|---|---|---|
| Acredita em queda gradual da Selic para 12% em 18-24 meses | ✓ Faz sentido | Travamento acima da média esperada do CDI |
| Precisa de liquidez antes do vencimento | ✗ Evitar | Marcação a mercado pode gerar perda se vender no pior momento |
| Meta específica de prazo (ex: faculdade do filho em 3 anos) | ✓ Faz sentido | Previsibilidade do valor na data-alvo |
| Cenário externo instável, Fed mantendo juros altos | ⚠ Cautela | Risco de reversão do ciclo de cortes no Brasil |
| Reserva de emergência ou dinheiro que pode precisar logo | ✗ Nunca | Reserva precisa de liquidez diária. Tesouro Selic é o produto certo |
| Preocupação com inflação acima de 5,5% nos próximos anos | ⚠ Prefira IPCA+ | Prefixado a 13,20% perde poder de compra se IPCA superar isso |
O risco que poucos calculam: a inflação
Com IPCA em 5,48% ao ano (IBGE, 12 meses até mar/2026), um prefixado a 13,20% entrega ganho real de aproximadamente 7,3% ao ano acima da inflação — o que é excelente. Mas se o IPCA acelerar para 7%, o ganho real cai para 5,8%. O Tesouro IPCA+ protege esse ganho real independente da inflação, ao custo de menor previsibilidade do valor nominal.
Prefixado vs IPCA+: qual escolher?
Em 12 anos acompanhando investidores pela ANCORD, observo que a escolha entre Prefixado e IPCA+ raramente é técnica — é uma escolha de cenário. Quem acredita que a inflação vai ceder nos próximos anos e a Selic vai cair com ela tende a preferir o prefixado. Quem está mais preocupado em preservar poder de compra no longo prazo (aposentadoria, meta de 10-20 anos) geralmente prefere o IPCA+.
Uma estratégia comum para não ter que escolher: alocar uma parte em cada um. Por exemplo, 50% em Prefixado 2028 (travando taxa nominal) e 50% em IPCA+ 2035 (protegendo o longo prazo contra inflação). Isso elimina a aposta binária.
Como comprar o Tesouro Prefixado
O Tesouro Prefixado é negociado diariamente no portal do Tesouro Direto . O investimento mínimo é de R$ 30,00 (ou 1% do valor do título, o que for maior). O preço varia diariamente com a marcação a mercado, então a taxa que você vê hoje pode ser diferente amanhã.
Os títulos disponíveis em abril/2026 incluíam o Tesouro Prefixado 2027 (prazo curto, ~2,5 anos) e o Prefixado 2031 (prazo longo, ~6,5 anos). Títulos mais longos têm maior duration — oscilam mais quando os juros se movem, amplificando ganhos ou perdas em caso de venda antecipada.
Para manter até o vencimento, a taxa travada é o que importa — as oscilações de preço no meio do caminho não afetam o resultado final. O IR de 15% se aplica para prazos acima de 720 dias (aproximadamente 2 anos).
Um checklist rápido para decidir agora
Diante do cenário atual — Selic a 14,00% em queda, CDI em ~14,15% e Prefixado 2028 a 13,20% —, a decisão de travar ou não hoje se resume a três perguntas práticas, não a uma fórmula única:
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Você vai precisar do dinheiro antes do vencimento? Se sim, o prefixado fica exposto à marcação a mercado — prefira o Tesouro Selic ou um CDB de liquidez diária .
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Você acredita em mais cortes do Copom além do que já está precificado? Se a sua expectativa é de Selic abaixo de 13% em 18-24 meses, travar agora tende a compensar.
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O valor está dentro do limite do FGC? Se está avaliando um CDB prefixado com taxa maior como alternativa, confirme a cobertura do FGC até R$ 250 mil por instituição antes de decidir pelo prêmio de taxa.
Não existe resposta certa universal — existe a resposta certa para o seu prazo, sua tolerância a oscilação de preço e sua leitura do ciclo de juros. O que a matemática mostra é que a margem de vantagem do prefixado no cenário mais provável (queda gradual) é pequena, então o critério de liquidez e perfil de risco pesa tanto quanto o número da taxa.
Perguntas frequentes
Vale a pena travar o Tesouro Prefixado agora, com a Selic caindo?
Depende do cenário que você espera. Com a Selic a 14,00% (após o corte do Copom de 05/08/2026) e o Prefixado 2028 pagando ~13,20% a.a., travar essa taxa só compensa se o CDI médio do período ficar abaixo de 13,20%. Se o Banco Central cortar a Selic para 12% em 18 meses (cenário 1 do nosso cálculo), o prefixado ganha por uma margem pequena. Se a Selic ficar estável perto de 14% — nível em que já está hoje —, o pós-fixado ganha com folga.
Qual a diferença entre travar o prefixado agora e esperar mais cortes de juros?
Esperar mais cortes reduz a taxa disponível no prefixado (o mercado já precifica os cortes esperados). Travar agora aproveita a taxa atual de ~13,20%, mas assume o risco de a Selic não cair tanto quanto o esperado. É uma decisão de timing: quem trava cedo aposta que o corte será mais rápido ou mais profundo do que o mercado já embutiu no preço do título.
O Tesouro Prefixado tem garantia do FGC?
Não. O Tesouro Prefixado é um título público federal, garantido pelo Tesouro Nacional — não pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que cobre apenas produtos bancários como CDB, LCI e LCA. Na prática, o risco soberano brasileiro é considerado o mais baixo do mercado doméstico, mas a natureza da garantia é diferente: é a capacidade de pagamento do governo federal, não um fundo com teto de R$ 250 mil por CPF.
Em qual cenário o CDB prefixado é melhor que o Tesouro Prefixado?
Quando o CDB oferece uma taxa prefixada visivelmente acima do Tesouro para o mesmo prazo (prêmio de risco de crédito) e o valor aplicado está dentro do limite de R$ 250 mil do FGC por instituição. Fora dessas condições — valores maiores ou necessidade de liquidez antes do vencimento — o Tesouro Prefixado tende a ser a escolha mais segura, por ter recompra diária pelo próprio Tesouro.
Quanto tempo devo travar no Tesouro Prefixado com a Selic em queda?
Prazos entre 2 e 5 anos costumam equilibrar bem previsibilidade e exposição ao risco de marcação a mercado. Títulos muito longos (Prefixado 2031 ou além) têm duration maior — oscilam mais se a Selic surpreender para cima — mas também travam a taxa alta por mais tempo, o que é vantajoso se o ciclo de queda for consistente.
Prefixado ou Tesouro Selic para quem não sabe qual cenário vai acontecer?
Uma estratégia comum para quem tem incerteza sobre o rumo da Selic é dividir o valor: uma parte em Tesouro Selic (proteção contra alta de juros e liquidez) e outra em Prefixado (aproveitando a taxa atual caso a queda se confirme). Isso reduz o risco de apostar tudo em um único cenário.
Vale a pena comprar Tesouro Prefixado com Selic a 14,00%?
Depende do cenário esperado. Se a Selic continuar caindo para 12% em 18 meses, travar 13,20% no prefixado supera o pós-fixado — pois o CDI médio do período ficaria em torno de 13%, menor que a taxa travada. Se a Selic não cair (ou subir), o pós-fixado ganha. O perfil de risco e o prazo do investidor definem a resposta.
O que acontece com o Tesouro Prefixado quando os juros caem?
Quando a Selic cai, o preço dos títulos prefixados sobe — é o efeito da marcação a mercado. Por exemplo: quem tinha um Prefixado 2028 travado antes do corte do Copom de 05/08/2026 (que levou a Selic a 14,00%) viu o preço do título subir depois da decisão. Quem vender antes do vencimento captura esse ganho de preço. Quem mantém até o vencimento recebe exatamente a taxa contratada, independente do que acontecer com a Selic.
Qual a diferença entre Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+?
O Prefixado paga uma taxa fixa nominal (ex: 13,20% ao ano) sem nenhuma correção. O IPCA+ paga IPCA + spread fixo (ex: IPCA + 7,0%), garantindo ganho real acima da inflação. Em momentos de inflação alta (IPCA em 5,48% em 2026), o IPCA+ protege o poder de compra enquanto o prefixado pode render menos que a inflação em termos reais se ela acelerar.
O Tesouro Prefixado pode dar prejuízo?
Se mantido até o vencimento, não — você recebe exatamente a taxa contratada. O risco de perda nominal existe apenas se você vender antes do vencimento em um momento em que as taxas de mercado subiram (o que faz o preço cair abaixo do que você pagou). Para quem tem certeza que vai manter até o vencimento, não há risco de perda nominal no Tesouro Prefixado.
Qual a alíquota de IR no Tesouro Prefixado?
A mesma tabela regressiva do Tesouro Direto: 22,5% (até 180 dias), 20% (181-360 dias), 17,5% (361-720 dias) e 15% (acima de 720 dias). Para um prefixado mantido por 2 anos ou mais, a alíquota é 15%. Não há isenção de IR no Tesouro Prefixado (diferente das LCIs, que são isentas). Fonte: Lei 11.033/2004.
Tem taxa de custódia no Tesouro Prefixado?
Sim — 0,20% ao ano sobre o valor investido, cobrada semestralmente pela B3. Diferente do Tesouro Selic (isento até R$ 10k), o Prefixado não tem isenção de taxa de custódia em nenhuma faixa. Isso reduz o rendimento líquido em 0,17% após IR de 15% (0,20% × 0,85). Fonte: B3, tabela de tarifas Tesouro Direto.
Escrito por Patrimo
O Patrimo é um app brasileiro de controle financeiro. Escrevemos os guias que gostaríamos de ter lido no começo: com a conta feita na sua frente, exemplos em reais e números que vêm do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca de achismo nem de promessa de rentabilidade. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.
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