Resposta direta
Para calcular o patrimônio líquido: (1) liste contas e investimentos pelo valor líquido de resgate de hoje, (2) some FGTS e previdência pelo extrato, (3) avalie o carro pela tabela FIPE e o imóvel pelo valor de mercado, (4) liste cada dívida pelo saldo devedor, (5) subtraia e anote a data. O exemplo abaixo fecha em R$ 71.700.
A subtração é a parte fácil. O que trava é saber de onde sai cada número: quanto vale o carro hoje, quanto falta do financiamento, quanto sobra da previdência depois do imposto.
Com a calculadora de patrimônio líquido aberta em outra aba, dá para preencher cada linha enquanto lê. Quem quiser antes a definição e a diferença para o conceito de empresa encontra as duas em o que é patrimônio líquido pessoal.
Em resumo
- São 5 passos, cada um com a fonte do número: extrato, tabela FIPE, saldo devedor.
- Dívida entra pelo saldo devedor, nunca por parcela × meses, porque essa conta soma juros futuros.
- Bens entram pelo valor de hoje, não pelo que você pagou.
- Todos os itens saem da mesma data, e a data se repete no mês seguinte para a comparação valer.
- NÃO entram: salário a receber, limite do cartão, bem em nome de outra pessoa, valor sentimental.
O que preciso ter em mãos antes de calcular?
Para calcular o patrimônio líquido, junte os extratos de bancos e corretoras, o App FGTS, o extrato da previdência, os dados do veículo, o extrato de cada financiamento e a fatura do cartão. Com tudo aberto, a conta sai de uma vez e todos os valores ficam na mesma data.
- Bancos e corretoras: saldo de cada conta e valor líquido de cada aplicação.
- Tesouro Direto: acesso à área do investidor, se você tiver título.
- FGTS: o App FGTS, gratuito, mostra saldo e extrato (FGTS, consulta em 30/10/2026).
- Previdência: extrato do PGBL ou VGBL e a simulação de resgate.
- Veículo: marca, modelo, versão e ano-modelo para consultar a tabela FIPE.
- Dívidas: extrato de cada contrato, fatura do cartão com as parcelas futuras e guias de imposto parcelado.
Para não esquecer dívida com banco, emita o Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR). O serviço é gratuito, exige conta gov.br prata ou ouro com verificação em duas etapas e lista saldo devedor, tipo de operação e situação de cada dívida.
Como calcular o patrimônio líquido em 5 passos?
Calcular o patrimônio líquido exige cinco etapas: valorar dinheiro e investimentos, somar FGTS e previdência, avaliar bens, listar dívidas pelo saldo devedor e subtrair. Cada item entra pelo valor que teria hoje, com a fonte anotada, para a conta poder ser refeita no mês seguinte.
Passo 1: Dinheiro e investimentos pelo valor líquido de hoje
Conta corrente e poupança entram pelo saldo do dia. CDB, LCI e fundos entram pelo valor líquido de resgate informado pela instituição, quando disponível. Ações e FIIs entram por quantidade × cotação de fechamento. No Tesouro Direto, a consulta fica na área do investidor, em "Consultas", opção "Saldo" ou "Extrato" (B3, 2026).
O título do Tesouro é marcado a mercado: o preço muda com os juros e o prazo até o vencimento, e o valor na venda antecipada pode diferir do contratado. Use o valor líquido, depois de IR e taxas.
Passo 2: FGTS e previdência pelo extrato
O FGTS entra pelo saldo do App FGTS. É dinheiro seu, mas a movimentação só ocorre nas situações do art. 20 da Lei 8.036/1990, então vale anotar esse item à parte.
A previdência entra pelo valor líquido de resgate, não pelo total aportado. Segundo a Susep, o resgate segue prazos do regulamento e pode ter taxa de carregamento; o IR do PGBL incide sobre o valor total resgatado e o do VGBL, só sobre os rendimentos. Peça a simulação à seguradora ou ao banco.
Passo 3: Carro e imóvel pelo valor de hoje
O carro entra pela tabela FIPE do mês de referência, buscando pelo ano-modelo. A tabela FIPE traz o preço médio à vista na revenda a consumidor final, e a própria Fundação Fipe avisa que serve como parâmetro: região, conservação, cor e acessórios mudam o preço real.
O imóvel entra pelo valor de mercado; se você não sabe qual é, as três saídas estão mais abaixo. Para móveis, celular e outros itens de uso pessoal, a lista está em o que conta como patrimônio.
Passo 4: Dívidas pelo saldo devedor
Financiamento, consignado e empréstimo entram pelo saldo devedor na data da conta. O cartão entra por três partes: fatura fechada ainda não paga, fatura aberta e parcelas futuras. Some também o cheque especial em uso.
Imposto parcelado na Receita Federal é acompanhado em "Minhas Negociações de Dívidas"; débito inscrito em dívida ativa da União fica no portal Regularize, da PGFN.
Passo 5: Subtrair e registrar a data
Bens e direitos menos dívidas é o resultado. Anote o valor, a data e a fonte de cada linha. Esse registro é o que permite repetir a conta com o mesmo critério. A planilha de patrimônio líquido guarda o histórico mês a mês, e o modelo de balanço patrimonial pessoal mostra como organizar as linhas.
Exemplo completo: qual o patrimônio líquido do Marcos?
O patrimônio líquido do Marcos, autônomo de 41 anos, é de R$ 71.700: R$ 139.400 em bens e direitos menos R$ 67.700 em dívidas. Marcos é um personagem com valores ilustrativos. A tabela mostra, linha a linha, onde cada número foi encontrado.
| Item | Onde achar o valor | Valor |
|---|---|---|
| Conta corrente | Saldo no app do banco | R$ 4.800 |
| Reserva em CDB | Valor líquido na corretora | R$ 27.000 |
| Tesouro IPCA+ | Área do investidor, "Consultas", "Saldo" | R$ 14.600 |
| PGBL | Simulação de resgate líquido na seguradora | R$ 31.000 |
| FGTS | App FGTS (autônomo, sem saldo) | R$ 0 |
| Carro | Tabela FIPE do mês | R$ 62.000 |
| Imóvel | Não tem | R$ 0 |
| Total de bens e direitos | R$ 139.400 | |
| Cartão de crédito | Fatura fechada R$ 2.400, aberta R$ 1.400, parcelas futuras R$ 2.900 | R$ 6.700 |
| Financiamento do carro | Saldo devedor no app da financeira | R$ 38.000 |
| Parcelamento de imposto | Minhas Negociações de Dívidas (Receita Federal) | R$ 23.000 |
| Total de dívidas | R$ 67.700 |
Base: valores hipotéticos, sem relação com nenhum veículo ou contrato real. Cálculos educacionais.
Exemplo prático
Bens e direitos: 4.800 + 27.000 + 14.600 + 31.000 + 62.000 = R$ 139.400.
Dívidas: 6.700 + 38.000 + 23.000 = R$ 67.700.
Patrimônio líquido: 139.400 − 67.700 = R$ 71.700.
Por que parcela vezes meses dá o número errado?
Parcela vezes meses dá o número errado porque soma juros que ainda não correram. Marcos paga 36 parcelas restantes de R$ 1.350, ou R$ 48.600, mas o saldo devedor é de R$ 38.000. A diferença de R$ 10.600 é juro futuro, equivalente a cerca de 1,4% ao mês pela tabela Price.
O consumidor que quita antes tem direito à redução proporcional dos juros e demais acréscimos (Código de Defesa do Consumidor, art. 52, § 2º). A tarifa por liquidação antecipada também é vedada para pessoa física (Resolução CMN 3.516/2007, art. 1º). O saldo devedor é o número que descreve a dívida de hoje.
E se eu não souber o valor do imóvel?
Sem avaliação recente, o valor do imóvel pode vir de anúncios de unidades parecidas na mesma região, de um corretor ou avaliador, ou do valor pago corrigido pela inflação. A ordem vai do mais prático ao mais aproximado. Qualquer que seja a escolha, repita o mesmo método nas próximas contas.
- Anúncios comparáveis: separe de 3 a 5 imóveis com metragem, padrão e localização próximos e use o valor do meio. Preço de anúncio é pedido, não venda fechada, então trate o resultado como teto.
- Corretor ou avaliador: opinião profissional sobre o seu imóvel, útil quando o valor pesa muito na conta.
- Valor pago corrigido: a calculadora de inflação acumulada atualiza a compra. É a saída mais fraca, porque inflação não mede preço de imóvel naquela rua.
O valor venal do carnê do IPTU serve de base para imposto e não substitui o preço de venda.
E se o bem for financiado?
Um bem financiado entra inteiro nos dois lados da conta: o valor de hoje nos bens e o saldo devedor nas dívidas. A parte que é sua aparece na diferença. O carro do Marcos vale R$ 62.000 na FIPE e deve R$ 38.000, então R$ 24.000 desse carro pertencem a ele.
Quando o saldo devedor supera o valor do bem, a diferença puxa o resultado para baixo, e o total pode ficar abaixo de zero. Nesse caso, o caminho está em o que fazer com o patrimônio líquido negativo.
Minha leitura
Se eu tivesse de escolher um único número para abrir hoje, seria o saldo devedor. A parcela cabe no mês e a atenção tende a parar nela, mas é o saldo que pesa nesta conta. Abrir o extrato do financiamento dá pouco trabalho e troca a sensação sobre a dívida por um valor com data.
Adriano Freire · ANCORD nº 50352 · conteúdo educacional, não recomendação.
Quais erros mais distorcem a conta?
Os erros que mais distorcem o patrimônio líquido são usar o preço de compra do carro, somar parcelas no lugar do saldo devedor, contar a previdência pelo total aportado e olhar só a fatura fechada. No exemplo do Marcos, cada erro isolado desloca o resultado entre R$ 4.300 e R$ 23.000.
| Erro no cálculo do Marcos | Valor errado | Valor certo | Resultado com o erro |
|---|---|---|---|
| Parcela × meses no financiamento | R$ 48.600 | R$ 38.000 | R$ 61.100 |
| Carro pelo preço de compra | R$ 85.000 | R$ 62.000 | R$ 94.700 |
| PGBL pelo total aportado | R$ 36.000 | R$ 31.000 | R$ 76.700 |
| Cartão só pela fatura fechada | R$ 2.400 | R$ 6.700 | R$ 76.000 |
Base: resultado correto de R$ 71.700; cada linha altera um único item. Preço de compra e total aportado são hipotéticos. Cálculos educacionais.
Os três últimos erros empurram na mesma direção. Juntos, levam o resultado a R$ 104.000, cerca de 45% acima do número certo.
Erro 1: Parcela × meses no lugar do saldo devedor
A conta infla a dívida com juros futuros e encolhe o patrimônio. O número certo está no extrato do contrato, na data da conta.
Erro 2: Carro pelo valor de compra
A conta pergunta quanto o carro vale agora. Consulte a tabela FIPE do mês e repita a consulta a cada fechamento.
Erro 3: Previdência pelo total aportado
Aporte não é valor de resgate. Taxas, rentabilidade e IR mudam o que chegaria à sua conta, em especial no PGBL, em que o imposto incide sobre o valor total. Use a simulação de resgate líquido.
Erro 4: Esquecer a fatura aberta e as parcelas futuras
A compra parcelada já aconteceu, mesmo que só apareça em faturas futuras. Some fatura fechada não paga, fatura aberta e todas as parcelas a vencer.
Como usar o Patrimo depois de fechar a conta?
Depois da conta fechada, o Patrimo serve para o que muda todo dia: o saldo de contas e investimentos, somado num gráfico, sem conexão bancária. Imóvel, carro, FGTS e financiamento ficam fora do app, e as dívidas não são descontadas do gráfico. A cada fechamento, bens e dívidas voltam à calculadora ou à planilha.
- Cadastre contas e investimentos com o saldo de hoje. O registro é manual ou por CSV.
- Lance receitas e despesas para o saldo andar sozinho. Em Cartões e Vencimentos ficam as faturas e as contas a pagar, úteis no Passo 4.
- Leia o gráfico de patrimônio no painel, por 30 dias, 3 meses, 6 meses ou período personalizado, no plano grátis. O total também aparece em Contas como "Patrimônio total". O cartão de crédito fica fora dessa soma.
- Refaça bens e dívidas na calculadora ou na planilha, na mesma data de sempre. O método de acompanhar a evolução do patrimônio explica o que comparar.
Os dois números são diferentes, e a conta mostra por quê. Com conta, CDB, Tesouro e PGBL cadastrados, o gráfico do Marcos mostraria R$ 77.400. Somando o carro (R$ 62.000) e descontando as dívidas (R$ 67.700), chega-se aos R$ 71.700. Exportar CSV e relatórios por período são recursos do Pro; a página do app de patrimônio detalha o restante.
Perguntas frequentes
Qual valor usar para o carro no cálculo do patrimônio líquido?
Use o preço da tabela FIPE do mês de referência, pelo ano-modelo do veículo, e não o valor pago na compra. A própria Fundação Fipe define a tabela como preço médio à vista na revenda a consumidor final e como parâmetro de avaliação: o preço real varia com região, conservação, cor e acessórios.
A dívida entra pelo saldo devedor ou pela soma das parcelas?
Pelo saldo devedor. A soma das parcelas restantes inclui juros futuros, que o Código de Defesa do Consumidor (art. 52, § 2º) manda reduzir proporcionalmente em caso de quitação antecipada. Num financiamento com 36 parcelas de R$ 1.350, a soma dá R$ 48.600, enquanto o saldo devedor do exemplo é R$ 38.000.
Quanto da previdência privada e do FGTS devo colocar na conta?
FGTS entra pelo saldo do App FGTS, mesmo sem poder sacar hoje, porque o dinheiro é do trabalhador. PGBL e VGBL entram pelo valor líquido estimado de resgate, pedido à seguradora ou ao banco: segundo a Susep, o IR do PGBL incide sobre o valor total resgatado e o do VGBL, só sobre os rendimentos.
Qual data usar para fazer a conta do patrimônio líquido?
Qualquer data serve, desde que todos os itens saiam dela: saldos, fatura do cartão, saldo devedor e valor dos investimentos. O dia 1 ou o dia seguinte ao recebimento costumam facilitar a repetição. Trocar a data de um mês para o outro mistura salário e contas que ainda não caíram, e a comparação perde sentido.
Onde vejo o saldo devedor do financiamento?
No app ou no extrato do banco ou financeira, em áreas com nomes como saldo devedor, antecipar parcelas ou quitar contrato. Se não encontrar, peça à central de atendimento. Para conferir se alguma dívida ficou de fora, o Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR), do Banco Central, é gratuito e lista saldo devedor e situação de cada operação.
📚 Fontes
- Fundação Fipe: Preço Médio de Veículos
- FGTS: App FGTS, saldo e extrato
- B3: Tesouro Direto, perguntas frequentes (marcação a mercado, valor bruto e líquido, consulta de saldo)
- Susep: Previdência Complementar Aberta, perguntas e respostas
- Planalto: Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/1990, art. 52, § 2º
Escrito por Patrimo
O Patrimo é um app brasileiro de controle financeiro. Escrevemos os guias que gostaríamos de ter lido no começo: com a conta feita na sua frente, exemplos em reais e números que vêm do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca de achismo nem de promessa de rentabilidade. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.
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