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Como escolher renda fixa para cada objetivo: reserva, médio prazo e longo prazo?

A pergunta que organiza a renda fixa não é qual título rende mais, e sim para quando é o dinheiro. O prazo decide o tipo de título, o imposto e o risco que faz sentido correr.

Atualizado em •Por Adriano Freire · ANCORD nº 50352

Resposta rápida

Para a reserva de emergência, o que importa é o resgate imediato: Tesouro Selic ou CDB de liquidez diária. Para um plano de 1 a 3 anos, a taxa líquida no prazo: LCI, LCA ou CDB com vencimento. Para o longo prazo, a proteção contra a inflação: títulos IPCA+. Com a Selic em 13,75% ao ano, R$ 50.000 rendem R$ 5.672 líquidos de IR em 12 meses no Tesouro Selic e R$ 4.080 na poupança.

Quais são os três tipos de rentabilidade da renda fixa?

Todo título de renda fixa rende de um destes três jeitos: pós-fixado, prefixado ou atrelado à inflação (IPCA+). Cada um protege de um risco diferente.

TipoComo rendeProtege deRisco principal
Pós-fixadoPercentual do CDI ou da SelicAlta dos jurosA renda cai se a Selic cair
PrefixadoTaxa fixa definida na compraQueda dos jurosVender antes do vencimento por um preço menor
IPCA+Inflação mais uma taxa fixaPerda do poder de compraOscilação de preço antes do vencimento

O pós-fixado acompanha os juros do momento. O prefixado trava a taxa de hoje. O IPCA+ garante ganho acima da inflação para quem espera o vencimento. Nenhum dos três é melhor em tudo: cada um combina com um prazo.

Que título serve para a reserva de emergência?

A reserva de emergência tem uma única exigência: estar disponível no dia em que for preciso, pelo valor aplicado mais os juros. Isso pede liquidez diária e ausência de oscilação de preço. Tesouro Selic e CDB de liquidez diária de banco coberto pelo FGC cumprem as duas condições.

Com as taxas de hoje, R$ 50.000 no Tesouro Selic rendem R$ 5.672 líquidos de IR em 12 meses. Na poupança, R$ 4.080. As duas podem ser resgatadas a qualquer dia, com a diferença de que a poupança só credita o rendimento na data de aniversário.

LCI e LCA não servem aqui, por causa do prazo mínimo em que o resgate não é permitido. Prefixado e IPCA+ também não: o preço deles oscila, e a emergência não escolhe o dia.

Resgates feitos antes de 30 dias pagam IOF sobre o rendimento, e antes de 180 dias a alíquota de IR é a mais alta. Na reserva isso é aceitável: o papel dela é estar disponível, não render o máximo.

Que título serve para um objetivo de 1 a 3 anos?

Quando a data é conhecida, a liquidez diária deixa de ser necessária e passa a custar rendimento. Um título que só devolve o dinheiro no vencimento costuma pagar mais do que o de resgate diário do mesmo emissor.

O prazo também reduz o imposto. Num CDB a 100% do CDI, R$ 50.000 rendem em média R$ 455 por mês se o resgate for em 6 meses, R$ 469 em 12 meses e R$ 483 em 36 meses. A conta é simples, sem juros sobre juros, para isolar o efeito da queda da alíquota de 20,0% para 15,0%.

As letras isentas entram nessa faixa. Em 12 meses, uma LCI a 90% do CDI rende em média R$ 512 por mês nos mesmos R$ 50.000, sem imposto, desde que o dinheiro possa esperar o prazo mínimo de 6 meses.

Que título serve para o longo prazo?

Acima de três anos, e mais ainda acima de cinco, o risco que mais pesa é a inflação. Uma taxa que parece alta hoje pode render pouco em termos reais se os preços subirem no caminho. Os títulos IPCA+ resolvem isso: pagam a inflação do período e uma taxa fixa por cima.

O cuidado é com o caminho. O preço de um IPCA+ longo oscila bastante antes do vencimento, para cima e para baixo. Quem compra para levar até o fim recebe a taxa contratada. Quem pode precisar do dinheiro antes está, na prática, exposto ao preço do dia.

Por isso o prazo do título costuma ser casado com a data do objetivo. Um título que vence perto de quando o dinheiro será usado dispensa a venda antecipada.

Como o imposto muda a escolha?

O Imposto de Renda da renda fixa incide só sobre o rendimento e cai com o tempo. Em títulos isentos, a taxa anunciada já é a líquida. Comparar um título isento com um tributado exige pôr os dois na mesma base.

PrazoIR sobre o rendimentoO que significa
Até 180 dias22,5%Alíquota mais alta; o isento leva a maior vantagem
De 181 a 360 dias20,0%Primeira redução
De 361 a 720 dias17,5%Faixa dos resgates entre 1 e 2 anos
Acima de 720 dias15,0%Alíquota mínima; a vantagem do isento diminui

Fundos de renda fixa de longo prazo seguem a mesma tabela, com a antecipação semestral conhecida como come-cotas. Títulos comprados diretamente só pagam no resgate.

O que conferir antes de aplicar?

Cinco informações aparecem em toda oferta. Se uma delas não estiver clara, vale perguntar antes de confirmar.

  • Indexador e taxa: percentual do CDI, taxa fixa ou IPCA mais taxa.
  • Vencimento e carência: a data em que o título acaba e a data a partir da qual o resgate é permitido.
  • Liquidez: diária, só no vencimento, ou com venda antecipada pelo preço do dia.
  • Emissor e garantia: se há FGC e quanto você já tem no mesmo conglomerado, considerando o limite de R$ 250.000 por CPF.
  • Imposto: se o título é isento ou tributado, e qual alíquota vale no prazo em que você pretende ficar.

A plataforma em que o título é comprado não muda a garantia. Um CDB adquirido numa corretora é do banco emissor, e o FGC cobre o emissor, não a corretora.

O que fazer agora, em 4 passos

  1. 1

    Dê uma data a cada parte do dinheiro

    Separe o que pode ser necessário a qualquer momento, o que tem data nos próximos três anos e o que é para depois disso.

  2. 2

    Escolha o tipo pelo prazo

    Liquidez diária para a primeira parte, título com vencimento para a segunda, proteção contra a inflação para a terceira.

  3. 3

    Compare pelo líquido

    Entre um título isento e um tributado, faça a conta no prazo em que o dinheiro vai ficar. O simulador de CDB, LCI e LCA faz isso.

  4. 4

    Registre tudo num lugar só

    Emissor, taxa, vencimento e carência de cada título, com o total por conglomerado.

Para pôr em prática

Planilha de Controle de Investimentos

Uma linha por título, com objetivo, vencimento e carência, e o total por conglomerado para conferir o limite do FGC.

Excel e Google Sheets · chega no e-mail em segundos

Perguntas frequentes

Onde deixar a reserva de emergência na renda fixa?

Os que têm liquidez diária e não oscilam de preço: Tesouro Selic e CDB de liquidez diária coberto pelo FGC. LCI, LCA, prefixados e títulos IPCA+ não atendem a esse uso, por causa do prazo mínimo ou da oscilação de preço.

Prefixado ou pós-fixado: como escolher?

O pós-fixado acompanha os juros e protege se eles subirem. O prefixado trava a taxa de hoje e protege se eles caírem, com o risco de preço para quem vende antes do vencimento. A escolha depende do prazo e de quanto da carteira pode ficar parado até o fim.

Vale a pena deixar dinheiro na poupança?

Com a Selic em 13,75% ao ano, a poupança rende menos do que o Tesouro Selic e do que um CDB de liquidez diária a 100% do CDI, com liquidez parecida. Em 12 meses, R$ 50.000 rendem R$ 4.080 na poupança e R$ 5.672 líquidos de IR no Tesouro Selic.

Comprar CDB em corretora é seguro?

A garantia é a do banco emissor, não a da corretora. Dentro do limite de R$ 250.000 por CPF em cada conglomerado, o FGC cobre o CDB de qualquer banco associado, grande ou pequeno.

Fontes oficiais

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Material educacional gratuito. Os valores seguem as tabelas vigentes na data de atualização e não substituem a conferência do seu holerite nem a orientação de um profissional habilitado. Não constitui recomendação de investimento. Adriano Freire · ANCORD nº 50352.

Adriano Freire

Quem escreveu

Adriano Freire

Fundador do Patrimo · ANCORD nº 50352

Empresário, criador de conteúdo educacional e fundador do Patrimo App. Trabalhou no maior banco de investimentos da América Latina e é credenciado pela ANCORD (nº 50352).

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