Resposta direta
R$ 2 milhões na poupança rendem R$ 160.926/ano ou R$ 13.410/mês em 2026 — com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança rende a TR mais 0,5% ao mês, e a TR não está em zero: são 0,169% ao mês, o que leva a poupança a 0,670% ao mês, ou 8,34% a.a. isento de IR. No CDB 100% CDI, o mesmo valor rende R$ 18.769/mês líquidos; e a melhor alternativa, a LCI 90% CDI, rende R$ 245.700/ano ou R$ 20.475/mês — R$ 7.065 a mais por mês, também sem pagar IR. Em 10 anos, essa diferença acumula cerca de R$ 2,15 milhões.
Tabela viva (recalcula com a taxa do Banco Central): com a Selic a 13,75% e o CDI a 13,65%, R$ 2 milhões rendem por mês, líquidos de IR: R$ 13.750 na poupança, R$ 18.906 no Tesouro Selic, R$ 18.769 no CDB a 100% do CDI e R$ 20.475 na LCI a 90% do CDI. Os números do texto abaixo são de quando o artigo foi escrito; a tabela é de agora.
| Produto | Taxa bruta a.a. | Bruto 12m | IR | Líquido 12m | Por mês |
|---|---|---|---|---|---|
| Poupança (isento de IR) | 8,25% | R$ 165.003 | — | R$ 165.003 | R$ 13.750 |
| Tesouro Selic | 13,75% | R$ 275.000 | R$ 48.125 | R$ 226.875 | R$ 18.906 |
| CDB 100% do CDI | 13,65% | R$ 273.000 | R$ 47.775 | R$ 225.225 | R$ 18.769 |
| CDB 110% do CDI | 15,02% | R$ 300.300 | R$ 52.553 | R$ 247.748 | R$ 20.646 |
| LCI 90% do CDI (isento de IR) | 12,29% | R$ 245.700 | — | R$ 245.700 | R$ 20.475 |
| LCI 95% do CDI (isento de IR) | 12,97% | R$ 259.350 | — | R$ 259.350 | R$ 21.612 |
R$ 2 milhões é o patrimônio que muitos brasileiros sonham em acumular. É o número que gera uma renda passiva confortável — ou deveria gerar. O problema é que na poupança, esse patrimônio rende R$ 78.880 a menos por ano do que em alternativas igualmente isentas de IR e protegidas pelo mesmo FGC. Este artigo traz os cálculos completos, a tabela comparativa, a estratégia de distribuição para cobrir R$ 2 milhões com o FGC e a diferença que se acumula em 5 e 10 anos.
O rendimento exato de R$ 2 milhões em cada produto (agosto 2026)
Os dados abaixo usam as taxas oficiais do Banco Central e do IBGE em vigor em agosto de 2026: Selic a 13,75% ao ano (Copom de 16/09/2026), CDI a 13,65% ao ano, TR de 0,169% ao mês (série 226 do Banco Central) e IPCA projetado em 5,03% para 2026 (boletim Focus). Os valores líquidos consideram o IR regressivo para 12 meses (alíquota de 17,5% sobre o rendimento) onde aplicável.
| Produto | Taxa bruta a.a. | Rendimento bruto/ano | IR pago | Rendimento líquido/ano | Renda mensal líquida |
|---|---|---|---|---|---|
| Poupança (TR + 0,5%/mês = 0,670%/mês) | 8,34% | R$ 160.926 | Isento | R$ 160.926 | R$ 13.410 |
| CDB 100% CDI | 13,65% | R$ 273.000 | R$ 47.775 | R$ 225.225 | R$ 18.769 |
| LCI 90% CDI (isenta IR) | 12,285% | R$ 245.700 | Isento | R$ 245.700 | R$ 20.475 |
| LCA 90% CDI (isenta IR) | 12,285% | R$ 245.700 | Isento | R$ 245.700 | R$ 20.475 |
| Tesouro Selic (antes da custódia B3) | 13,75% | R$ 275.000 | R$ 48.125 | R$ 226.875 | R$ 18.906 |
Nota metodológica: IR calculado à alíquota de 17,5% (prazo de 361–720 dias) sobre o rendimento bruto. LCI e LCA isentas de IR pela legislação vigente (Lei 11.033/2004 e regulamentações do CMN). Tesouro Selic: taxa bruta de 13,75% a.a. (a própria Selic), sem descontar a taxa de custódia da B3, de 0,20% a.a. sobre o que passa de R$ 10 mil (cerca de R$ 3.980 por ano em R$ 2 milhões). Poupança = TR de 0,169% ao mês (série 226 do BCB, apuração de 30/07/2026) combinada com a parcela adicional de 0,5% ao mês: (1 + 0,00169) × (1 + 0,005) − 1 = 0,670% ao mês, ou 8,34% a.a. — a combinação é multiplicativa, não uma soma. A coluna de renda mensal é o rendimento líquido de 12 meses dividido por 12, para todos os produtos; na poupança, o crédito efetivo do primeiro mês é de R$ 13.477 e cresce com a capitalização. Dados: BCB, IBGE, B3.
Um número que quase nunca aparece nessas tabelas: o que sobra depois da inflação. Com o IPCA projetado em 5,03% para 2026, o ganho real da poupança é de 3,20% ao ano — pela fórmula de Fisher, (1 + 0,0839) ÷ (1 + 0,0503) − 1, e não a subtração 8,34% − 5,03%. Sobre R$ 2 milhões, são cerca de R$ 64.037 por ano de poder de compra efetivamente ganho. É positivo, ao contrário do que acontecia nos anos em que a inflação passava dos dois dígitos — mas é menos da metade do ganho real que a mesma quantia entrega em uma LCI isenta.
Por que a poupança fica atrás quando os juros sobem — e onde a conta popular erra
A remuneração da poupança tem duas parcelas, e quase toda comparação publicada esquece uma delas. Pela definição do próprio Banco Central, existe uma remuneração básica — a TR (Taxa Referencial) — e uma remuneração adicional, que depende do patamar da Selic. A regra atual veio da Medida Provisória 567/2012, convertida na Lei 12.703/2012, e vale para os depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012.
O erro que se espalhou foi tratar a TR como zero. Ela realmente ficou zerada de 2017 a 2021, e nesse período a conta de “0,5% ao mês” virou sinônimo de poupança. Com a Selic em 14%, porém, a TR voltou: está em 0,169% ao mês (série 226 do BCB, apuração de 30/07/2026). E as duas parcelas se combinam por multiplicação, não por soma.
| Parcela | Valor | Reage aos juros? |
|---|---|---|
| Remuneração básica — TR (série 226 do BCB) | 0,169% ao mês | Sim — sobe e desce com os juros |
| Remuneração adicional (Selic > 8,5% a.a.) | 0,5% ao mês | Não — é fixa por lei |
| Combinação (multiplicativa) | 0,670% ao mês | (1 + 0,00169) × (1 + 0,005) − 1 |
| Equivalente ao ano | 8,34% a.a., isento de IR | (1,00674)¹² − 1 |
Poupança nova (depósitos após 04/05/2012):
Se Selic > 8,5% ao ano: rende TR + 0,5% ao mês — hoje 0,670% a.m., ou 8,34% a.a.
Se Selic <= 8,5% ao ano: rende TR + 70% da Selic, voltando a acompanhar os juros
Poupança antiga (depósitos antes de 04/05/2012): sempre TR + 0,5% ao mês.
Com a Selic em 13,75% ao ano — muito acima dos 8,5% de gatilho — a parcela adicional está travada em 0,5% ao mês: ela não mudou nem com o corte do Copom de 16/09/2026, que levou a Selic de 14,25% para 13,75%. Por isso é impreciso dizer que “a poupança é uma taxa fixa”: fixa é uma das duas parcelas. A TR continua se mexendo, e ela sobe justamente quando os juros sobem — o que significa que a poupança acompanha parte do movimento. A defasagem existe, mas é menor do que a conta com TR zerada faz parecer.
Feita a comparação do jeito certo — líquido contra líquido, já que a poupança é isenta de IR e o CDB não é —, R$ 2 milhões rendem R$ 160.926 por ano na poupança contra R$ 225.225 no CDB 100% CDI depois do IR de 17,5%. São R$ 58.405 a mais por ano no CDB, que entrega cerca de 1,4 vez o rendimento da poupança. É uma vantagem real e vale a migração, mas está longe do “dobro” que se repete por aí — esse número nasce de comparar rendimento bruto do CDB com poupança calculada sem TR. Dá para comparar poupança e CDB com o seu valor.
A conclusão continua valendo, só que no tamanho certo: enquanto a Selic estiver acima de 8,5%, a parte adicional da poupança não sobe junto com os juros, e os produtos atrelados ao CDI mantêm vantagem líquida. O que muda é a ordem de grandeza — hoje a poupança entrega cerca de 72% do que um CDB 100% CDI entrega líquido, e não a metade.
O custo de ficar na poupança: simulação em 5 e 10 anos
O maior dano da poupança não aparece em um mês — aparece na acumulação. Juros compostos amplificam qualquer diferença de taxa de forma exponencial. Veja o que acontece com R$ 2 milhões ao longo de 5 e 10 anos, assumindo as taxas atuais sem aportes adicionais:
| Produto | Taxa líquida a.a. | Patrimônio em 5 anos | Patrimônio em 10 anos | Diferença vs poupança (10 anos) |
|---|---|---|---|---|
| Poupança | 8,34% | R$ 2.993.000 | R$ 4.478.000 | — |
| CDB 100% CDI | ~11,7% | R$ 3.430.000 | R$ 6.024.000 | +R$ 1.546.000 |
| LCI 90% CDI (isenta) | 12,285% | R$ 3.641.500 | R$ 6.630.000 | +R$ 2.152.000 |
| Tesouro Selic | ~11,4% | R$ 3.429.000 | R$ 5.879.000 | +R$ 1.401.000 |
O custo invisível da poupança em 10 anos
Manter R$ 2 milhões na poupança por 10 anos, em vez de LCI 90% CDI, custa cerca de R$ 2,15 milhões em patrimônio — assumindo as taxas atuais constantes. É menos do que a versão popular dessa conta sugere, porque ela calcula a poupança sem a TR; ainda assim, a diferença supera o próprio valor investido. Se a Selic cair, a LCI segue à frente, mas a distância encolhe: quando os juros recuam, a TR recua junto e o rendimento da poupança acompanha parte do movimento.
Importante: as simulações acima assumem taxas constantes e reinvestimento dos rendimentos, o que é uma simplificação. Na prática mudam as duas pontas da conta: o Copom se reúne a cada 45 dias e a TR é apurada diariamente pelo Banco Central. Mas o padrão estrutural permanece: enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a parcela adicional da poupança fica travada em 0,5% ao mês e não acompanha a alta dos juros, e produtos como CDB e LCI mantêm vantagem líquida sobre ela.
Para quem a poupança ainda faz sentido? Uma análise honesta
Existe uma narrativa de que a poupança "é para quem não entende de investimentos." Isso é simplista. Há situações específicas em que a poupança tem vantagens reais — mas nenhuma delas se aplica a quem já tem R$ 2 milhões acumulados. Veja o cenário com honestidade:
Quando a poupança tem alguma lógica
Primeiros passos: quem está aprendendo e ainda tem menos de R$ 897 — a simplicidade reduz barreiras de entrada
Financiamento imobiliário: clientes da Caixa com saldo poupança podem ter condições especiais em alguns contratos
Acesso imediato no banco físico: para idosos sem acesso digital, a poupança tem a menor fricção operacional
Selic abaixo de 8,5%: nesse cenário a regra muda para TR + 70% da Selic e a poupança volta a acompanhar os juros — pode ficar competitiva vs CDB de banco grande
Quando a poupança não faz sentido (quase sempre)
Qualquer valor acima de R$ 5.000: CDB com liquidez diária em corretoras como XP, Nubank, Inter paga 100% CDI — melhor e com mesma facilidade
Com a Selic acima de 8,5%: a parcela adicional trava em 0,5% ao mês e a poupança entrega cerca de 72% do que um CDB 100% CDI entrega líquido no mesmo prazo
Para reserva de emergência: Tesouro Selic ou CDB liquidez diária 100% CDI rendem mais e têm acesso igualmente rápido
Para investimento de médio/longo prazo: LCI e LCA isentas de IR superam a poupança com margem expressiva
Com R$ 2 milhões, não existe nenhum argumento técnico para manter o dinheiro na poupança. A diferença mensal de R$ 7.065 para a LCI 90% CDI — isenta de IR como a poupança e coberta pelo mesmo FGC — é dinheiro que some da conta todo mês por inércia.
Onde investir R$ 2 milhões com rendimento superior e proteção adequada
O objetivo com R$ 2 milhões não é especular — é preservar o poder de compra, extrair renda mensal e manter liquidez suficiente para emergências. Os produtos a seguir atendem esse perfil:
CDB com liquidez diária (reserva de emergência)
Para a parcela de liquidez imediata — recomendamos entre 10% e 20% do patrimônio (R$ 200 a 400 mil) — o CDB com liquidez diária a 100% CDI é o substituto direto da poupança. Nubank, Inter, C6 e PicPay oferecem essa modalidade sem carência, com acesso no dia útil seguinte (D+1). Rendimento líquido em 12 meses: aproximadamente R$ 18.769 por R$ 2 milhões, ou R$ 1.877 por R$ 200 mil.
Para quem quer liquidez e deseja um produto do Tesouro Nacional, o Tesouro Selic oferece liquidez diária com resgate em D+1 — e com a vantagem de não ter risco de crédito bancário (é dívida do governo federal).
LCI e LCA (médio prazo, isenta de IR)
Para o núcleo do patrimônio — entre 40% e 60% do total — LCI e LCA com prazo de 12 a 24 meses oferecem a melhor combinação de rendimento líquido e proteção do FGC. Uma LCI a 90% do CDI paga 12,285% ao ano isento de IR — equivalente a um CDB pagando 15,44% bruto para alguém no prazo de 12 meses (usando a fórmula de equivalência: 12,285% ÷ 0,825 = 15,44%).
O único cuidado: LCI e LCA têm carência mínima. Pela regulação do CMN vigente (Resolução 5.215/2025), o prazo mínimo das pós-fixadas é de 6 meses, e você não resgata antes disso. Por isso, aloque nesse produto apenas a parte do patrimônio que você tem certeza que não precisará no curto prazo.
Tesouro IPCA+ (proteção de longo prazo)
Para a parcela de longo prazo (10+ anos), o Tesouro IPCA+ com taxas acima de IPCA+ 7% ao ano oferece proteção real contra a inflação — algo que a poupança e o CDB pós-fixado não garantem se a inflação subir. Em junho de 2026, o Tesouro IPCA+ 2035 estava sendo negociado em torno de IPCA+ 7,5%, o que representa uma trava de rendimento real relevante para quem pensa em 10 ou 15 anos.
FGC: como distribuir R$ 2 milhões com cobertura real
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que cobre depósitos e investimentos bancários em caso de intervenção ou liquidação extrajudicial de uma instituição financeira. Ele cobre CDB, LCI, LCA, poupança e outros produtos.
Os limites em vigor são:
R$ 250.000 por CPF por instituição financeira (conglomerado) — cobertos integralmente em caso de quebra
R$ 1.000.000 por CPF no período de 4 anos — teto global do FGC independente de quantas instituições
Produtos do governo (Tesouro Direto) e fundos de investimento não são cobertos pelo FGC — têm proteção pelo próprio emissor (Tesouro Nacional) ou pela segregação patrimonial do fundo
Para R$ 2 milhões com cobertura máxima do FGC, a estratégia de distribuição é:
| Instituição | Valor alocado | Produto sugerido | Cobertura FGC |
|---|---|---|---|
| Banco A (grande) | R$ 250.000 | CDB liquidez diária 100% CDI | R$ 250.000 |
| Banco B (médio) | R$ 250.000 | LCI 90–95% CDI — 12 meses | R$ 250.000 |
| Banco C (médio) | R$ 250.000 | LCI 90–95% CDI — 12 meses | R$ 250.000 |
| Banco D (médio) | R$ 250.000 | LCA 90% CDI — 12 meses | R$ 250.000 |
| Banco E (médio) | R$ 250.000 | CDB 110% CDI — 24 meses | R$ 250.000 |
| Banco F (médio) | R$ 250.000 | CDB 110% CDI — 24 meses | R$ 250.000 |
| Banco G (médio) | R$ 250.000 | LCI 90% CDI — 12 meses | R$ 250.000 |
| Banco H (médio) | R$ 250.000 | LCA 90% CDI — 24 meses | R$ 250.000 |
| Total | R$ 2.000.000 | Distribuído em 8 instituições | R$ 2.000.000 |
Atenção ao teto global: o FGC cobre até R$ 1 milhão por CPF em um período de 4 anos. Se você já utilizou cobertura em outros eventos, o saldo disponível pode ser menor. Verifique na fgc.org.br o limite disponível para o seu CPF.
Para a parcela que exceder o teto do FGC ou que você quiser sem nenhum risco de crédito bancário, o Tesouro Selic é a alternativa: emissor é o Governo Federal, não existe limite de cobertura e o rendimento é a Selic cheia (menos IR e taxa de custódia de 0,2% a.a. acima de R$ 10 mil).
Estratégia prática: como reorganizar R$ 2 milhões saindo da poupança
Se você tem R$ 2 milhões na poupança e quer migrar, o processo pode ser feito em etapas para não abrir mão de liquidez de uma vez:
1
1
Mantenha 10% (R$ 200 mil) em CDB liquidez diária 100% CDI
Esse é o seu fundo de emergência. Fica disponível a qualquer momento. Escolha um banco com app fácil e já ganha mais que a poupança desde o primeiro dia.
2
2
Aloque 60% (R$ 1,2 milhão) em LCI/LCA de 12–24 meses
Distribua R$ 250 mil em cada instituição (5 bancos) para cobertura total do FGC. Procure LCI/LCA a 90–95% do CDI — emitidas por bancos médios ou digitais via plataformas como XP, Rico, Easynvest.
3
3
Aloque 20% (R$ 400 mil) em CDB 110–120% CDI de 24 meses
Bancos médios com rating adequado oferecem essa remuneração. Com IR de 15% em 24 meses, o rendimento líquido ainda supera LCI de 90% CDI em prazo mais longo.
4
4
Aloque 10% (R$ 200 mil) em Tesouro IPCA+ para longo prazo
Para proteção real da inflação no horizonte de 10+ anos, IPCA+ 7,5% ao ano é uma trava relevante. Não tem risco FGC — é dívida do governo federal.
Essa alocação gera, nas taxas de agosto de 2026, uma renda mensal líquida estimada entre R$ 19.800 e R$ 20.800 — contra os R$ 13.410 da poupança, que também são líquidos por ela ser isenta. A diferença fica entre R$ 5.348 e R$ 6.528 por mês, com o mesmo nível de proteção e praticidade.
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Conclusão
R$ 2 milhões na poupança em 2026 rendem R$ 13.410/mês, ou R$ 160.926 no ano, isentos de IR. É mais do que a conta tradicional sugere — mas ainda R$ 7.065/mês abaixo da LCI 90% CDI, a alternativa direta com a mesma isenção e o mesmo nível de proteção do FGC.
O mecanismo que segura a poupança aparece sempre que a Selic supera 8,5%: a parcela adicional trava em 0,5% ao mês pela legislação de 2012 e só a TR continua reagindo aos juros. Com a Selic a 13,75%, isso deixa a poupança em 8,34% ao ano, contra cerca de 11,7% líquidos de um CDB 100% CDI no mesmo prazo.
Para quem tem R$ 2 milhões e quer maximizar a renda mensal com proteção adequada, a estratégia recomendada é distribuir os recursos em CDB com liquidez diária (reserva), LCI/LCA de 12–24 meses (núcleo de rendimento) e Tesouro Selic (parcela sem risco de crédito bancário). Com essa estrutura, é possível gerar entre R$ 19.800 e R$ 20.800 por mês — mantendo cobertura do FGC e liquidez razoável.
Use as calculadoras de CDB e LCI/LCA e Tesouro Direto do site para simular os valores exatos para o seu perfil — prazos, taxas e tributação calculados com os dados mais recentes do Banco Central.
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Perguntas frequentes
Quanto rende R$ 2 milhões na poupança por mês em 2026?
Com a Selic a 13,75% ao ano em 2026 (acima do gatilho de 8,5%), a poupança rende 0,5% ao mês mais a TR. Com a TR em 0,169% ao mês (série 226 do Banco Central), a conta é multiplicativa: (1 + 0,00169) × (1 + 0,005) − 1 = 0,670% ao mês, o equivalente a 8,34% ao ano. Sobre R$ 2 milhões, isso dá R$ 160.926 por ano ou R$ 13.410 por mês, isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.
Qual investimento rende mais que a poupança para R$ 2 milhões?
Em 2026, com Selic a 13,75%, os principais produtos de renda fixa superam a poupança: CDB 100% CDI entrega R$ 18.769/mês líquidos, LCI 90% CDI entrega R$ 20.475/mês e Tesouro Selic entrega R$ 18.906/mês. A poupança rende R$ 13.410/mês, também líquidos, porque é isenta de IR — a diferença para a LCI é R$ 7.065/mês.
Por que a poupança rende menos que o CDB e o Tesouro Direto?
A remuneração da poupança tem duas parcelas: a TR e uma parcela adicional. Desde maio de 2012, quando a Selic supera 8,5% ao ano, essa parcela adicional trava em 0,5% ao mês e deixa de acompanhar os juros — só a TR continua reagindo. Com a TR em 0,169% ao mês, a poupança rende 0,670% ao mês, ou 8,34% ao ano isento de IR. A regra dos 70% da Selic só vale quando a Selic está em 8,5% ou menos. Comparando líquido com líquido, o CDB 100% CDI entrega cerca de 1,4 vez o rendimento da poupança em 12 meses — uma vantagem real, mas menor que o 'dobro' que costuma ser repetido.
R$ 2 milhões na poupança tem proteção do FGC?
Sim, mas com um limite importante. O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) cobre até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira. Com R$ 2 milhões em uma única poupança, apenas R$ 250 mil têm cobertura. Para proteger o valor total, seria necessário distribuir os recursos em no mínimo 8 instituições diferentes (8 × R$ 250 mil = R$ 2 milhões).
Como distribuir R$ 2 milhões com cobertura total do FGC?
Para cobertura integral, distribua R$ 250 mil em cada instituição — no mínimo 8 bancos ou corretoras diferentes. Prefira CDB ou LCI de bancos médios que pagam taxas superiores (110–120% CDI), pois o FGC cobre igualmente independente do tamanho do banco. O teto global do FGC por CPF é de R$ 1 milhão a cada 4 anos, então para R$ 2 milhões, verifique o saldo já utilizado.
LCI ou CDB: qual é melhor para R$ 2 milhões em 2026?
Para 12 meses, a LCI 90% CDI (R$ 20.475/mês) supera o CDB 100% CDI (R$ 18.769/mês) pela isenção de IR. A diferença é R$ 1.706/mês. Para prazos acima de 24 meses, o CDB em bancos médios a 115–120% CDI pode superar a LCI de 90% CDI, pois mesmo com IR de 15%, a taxa bruta maior compensa. Use a fórmula de equivalência: taxa_LCI ÷ (1 – 0,175) = taxa_CDB_equivalente.
Quanto R$ 2 milhões na poupança rendem em 5 e 10 anos?
Em 5 anos na poupança (8,34% a.a. em juros compostos), R$ 2 milhões chegam a aproximadamente R$ 2,99 milhões. Na LCI 90% CDI (12,285% a.a.), chegam a cerca de R$ 3,64 milhões — uma diferença de cerca de R$ 650 mil. Em 10 anos, a poupança chega a R$ 4,48 milhões e a LCI a R$ 6,63 milhões: a diferença acumulada é de cerca de R$ 2,15 milhões.
Qual a taxa da poupança com a Selic a 13,75% em 2026?
Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança rende a TR (Taxa Referencial) mais 0,5% ao mês. A TR não está em zero: ela marca 0,169% ao mês (série 226 do Banco Central, apuração de 30/07/2026). As duas parcelas se combinam por multiplicação, não por soma: (1 + 0,00169) × (1 + 0,005) − 1 = 0,670% ao mês, ou 8,34% ao ano. Só a parcela de 0,5% é fixa — a TR sobe e desce com os juros. A regra dos 70% da Selic só se aplica quando a Selic está em 8,5% ou menos. Essa 'nova poupança' vale para depósitos feitos após 04/05/2012; depósitos anteriores seguem a mesma regra de TR + 0,5% ao mês.
Escrito por Patrimo
O Patrimo é um app brasileiro de controle financeiro. Escrevemos os guias que gostaríamos de ter lido no começo: com a conta feita na sua frente, exemplos em reais e números que vêm do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca de achismo nem de promessa de rentabilidade. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.
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