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MEI: como separar as contas do negócio das suas e o que fazer com o lucro?

No MEI, a empresa e a pessoa têm o mesmo CPF por trás, e é fácil misturar tudo. Separar as duas contas é o que permite saber se o negócio dá lucro e quanto dele pode ser guardado.

Atualizado em •Por Adriano Freire · ANCORD nº 50352

Resposta rápida

Em 2026, o MEI paga por mês R$ 82,05 no comércio e na indústria, R$ 86,05 em serviços e R$ 87,05 em comércio com serviços, com vencimento no dia 20. O faturamento pode chegar a R$ 81.000 no ano, ou R$ 6.750 por mês em média. O primeiro passo financeiro é ter uma conta só do negócio e fixar uma retirada mensal: o que sobra depois dela e das despesas é o lucro.

Como separar o dinheiro do negócio do dinheiro pessoal?

Com duas contas e uma regra. Tudo o que o negócio recebe e paga passa pela conta da empresa. Uma vez por mês, um valor fixo sai dela para a conta pessoal, como se fosse um salário. As despesas da casa saem só da conta pessoal.

Esse valor fixo costuma ser chamado de pró-labore. Para o MEI, o pró-labore não é obrigação legal, é disciplina: sem a retirada fixa, toda venda parece dinheiro disponível, e no fim do mês não se sabe se o negócio lucrou ou se a casa consumiu o caixa.

O que sobra na conta da empresa depois das despesas e da retirada é o lucro. As decisões seguintes tratam desse lucro: reserva, reinvestimento ou distribuição.

Quanto o MEI paga de DAS em 2026?

O DAS é a guia mensal única do MEI. A parte do INSS é de 5% do salário mínimo, R$ 81,05 em 2026. A ela se soma uma parcela fixa de ICMS, de ISS ou das duas, conforme a atividade.

AtividadeINSSICMSISSDAS por mês
Comércio e indústriaR$ 81,05R$ 1,00R$ 82,05
ServiçosR$ 81,05R$ 5,00R$ 86,05
Comércio e serviçosR$ 81,05R$ 1,00R$ 5,00R$ 87,05

Valores com o salário mínimo de R$ 1.621,00. O MEI transportador autônomo de cargas tem alíquota de INSS diferente. Vencimento no dia 20 de cada mês.

O DAS é devido mesmo nos meses sem faturamento. Além dele, uma vez por ano o MEI entrega a declaração anual de faturamento, a DASN-SIMEI, até 31 de maio.

Qual é o limite de faturamento do MEI?

O faturamento bruto pode chegar a R$ 81.000 no ano. Para quem abriu a empresa no meio do ano, o limite é proporcional: R$ 6.750 por mês de atividade.

O limite é sobre tudo o que foi vendido, não sobre o lucro. Acompanhar o acumulado mês a mês evita a surpresa em dezembro: quem ultrapassa o teto precisa mudar de enquadramento, e a regra de transição depende de quanto foi o excesso.

O negócio precisa de reserva própria?

Precisa, e separada da reserva pessoal. A do negócio cobre os meses em que as vendas caem e as despesas fixas continuam: aluguel, fornecedores, internet, o próprio DAS. A referência usual é guardar alguns meses do custo fixo da empresa numa aplicação de liquidez diária.

Exemplo: com custo fixo de R$ 4.000 por mês, três meses são R$ 12.000. Com a Selic em 13,75% ao ano, esse valor num CDB de liquidez diária a 100% do CDI rende R$ 1.351 líquidos de IR em 12 meses, enquanto fica disponível.

O que fazer com o lucro?

Uma ordem usada com frequência, que cada negócio ajusta à própria realidade:

  • Manter os tributos em dia: DAS e declaração anual.
  • Completar a reserva do negócio.
  • Quitar dívidas caras da empresa, como cartão e cheque especial.
  • Reinvestir no que aumenta a receita: estoque, equipamento, divulgação.
  • Distribuir o restante para a pessoa física, que então decide sobre a reserva pessoal e os investimentos.

Na declaração de Imposto de Renda da pessoa física, o lucro distribuído pelo MEI é isento até um percentual do faturamento que depende da atividade; acima dele, a isenção exige contabilidade formal. O que passar da parcela isenta entra como rendimento tributável. Essa divisão é feita na declaração anual, e um contador ajuda a acertá-la.

O que fazer agora, em 5 passos

  1. 1

    Abra uma conta só para o negócio

    Pode ser conta de pessoa jurídica ou uma conta separada usada apenas pela empresa. O que importa é não misturar.

  2. 2

    Fixe a retirada mensal

    Um valor que o negócio consiga pagar todos os meses, numa data certa.

  3. 3

    Anote o faturamento todo mês

    Some as vendas e acompanhe o acumulado do ano contra o limite.

  4. 4

    Programe o DAS

    Vence no dia 20. Débito automático ou lembrete evita multa e mantém a cobertura do INSS.

  5. 5

    Forme a reserva antes de reinvestir

    Alguns meses de custo fixo em liquidez diária dão fôlego para atravessar um mês ruim.

Para pôr em prática

Planilha do MEI

Faturamento mês a mês contra o limite anual, despesas, retirada e o lucro que sobra, com o DAS já previsto.

Excel e Google Sheets · chega no e-mail em segundos

Perguntas frequentes

Quanto é o DAS do MEI em 2026?

R$ 82,05 por mês no comércio e na indústria, R$ 86,05 em serviços e R$ 87,05 em comércio com serviços. A parte do INSS é de 5% do salário mínimo de R$ 1.621,00.

MEI precisa ter conta de pessoa jurídica?

A lei não obriga. A separação entre o dinheiro do negócio e o pessoal, porém, é o que permite saber o lucro e comprovar o faturamento, e uma conta usada só pela empresa resolve isso.

MEI tem pró-labore?

Não há obrigação legal. Fixar uma retirada mensal é uma prática de organização: ela separa o que é remuneração de quem trabalha do que é lucro do negócio.

O que acontece se o MEI passar do limite de faturamento?

O limite é de R$ 81.000 por ano. Quem ultrapassa em até 20% continua como MEI até o fim do ano, recolhe a diferença sobre o excesso e passa a microempresa em janeiro. Acima de 20%, a mudança retroage ao início do ano. Para quem abriu a empresa no meio do ano, a comparação é com o limite proporcional. Vale procurar um contador assim que o acumulado se aproximar do teto.

Fontes oficiais

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Material educacional gratuito. Os valores seguem as tabelas vigentes na data de atualização e não substituem a conferência do seu holerite nem a orientação de um profissional habilitado. Não constitui recomendação de investimento. Adriano Freire · ANCORD nº 50352.

Adriano Freire

Quem escreveu

Adriano Freire

Fundador do Patrimo · ANCORD nº 50352

Empresário, criador de conteúdo educacional e fundador do Patrimo App. Trabalhou no maior banco de investimentos da América Latina e é credenciado pela ANCORD (nº 50352).

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