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TIR: Taxa Interna de Retorno em Investimentos — Guia 2026

Entenda TIR com exemplos reais — como calcular, quando usar, diferenças para rentabilidade simples, limitações e armadilhas comuns em investimentos brasileiros.

Patrimo
Atualizado 07 de mai. de 2026
5 min de leitura

TIR em investimentos: guia prático com exemplos reais para 2026

Rentabilidade simples funciona quando você investe uma única vez e resgata uma única vez. Mas a vida real tem aportes mensais, resgates parciais, juros recebidos periodicamente. Nesses casos, a Taxa Interna de Retorno (TIR) é o indicador correto para saber quanto um investimento realmente rendeu. Este texto mostra como calcular TIR na prática, com exemplos de aplicação real em Tesouro, CDB, FIIs e outros cenários.

Exemplo 1: Aportes mensais em CDB

Cenário: você aporta R$ 1.000 todo início de mês em um CDB 100% CDI durante 12 meses. No final de 12 meses, resgata tudo. Quanto rendeu?

Aportou 12 × R$ 1.000 = R$ 12.000. Com CDI a 14,65% ao ano, o saldo final (considerando juros compostos e IR regressivo de 20% para 360 dias) fica em torno de R$ 12.750. Rentabilidade acumulada simples: (12.750 − 12.000) ÷ 12.000 = 6,25%. Mas isso é enganoso — boa parte do dinheiro esteve aplicada apenas 1-2 meses.

A TIR correta anualizada para esse fluxo fica em aproximadamente 11,7% ao ano — líquida de IR e equivalente ao rendimento real. Comparar com outros produtos só faz sentido via TIR.

Exemplo 2: FII com dividendos mensais

Cenário: você compra R$ 10.000 de cotas de um FII em janeiro, recebe R$ 80 de dividendo todo mês e vende a carteira por R$ 9.800 em dezembro (com deságio na cota).

Total recebido: 12 × R$ 80 (dividendos) + R$ 9.800 (venda) = R$ 10.760. Rentabilidade acumulada ingênua: 7,6%. Parece bom. Mas os dividendos ficaram com você durante o ano — poderiam estar rendendo em algum outro lugar.

TIR real considerando os fluxos mensais e a venda final: aproximadamente 8,2% ao ano (isento de IR para pessoa física em dividendos de FII). Ligeiramente maior porque os fluxos positivos intermediários antecipam parte do retorno.

Como calcular TIR no Excel ou Google Sheets

Função =TIR(faixa) ou =IRR(range) em Google Sheets. A faixa é uma coluna com todos os fluxos de caixa, negativos para aportes e positivos para resgates/recebimentos, em ordem cronológica.

Exemplo prático em coluna A:

  • A1: −1000 (aporte mês 1)

  • A2: −1000 (aporte mês 2)

  • A3 até A11: −1000 cada (aportes 3 a 11)

  • A12: −1000 (aporte mês 12)

  • A13: +12750 (resgate total)

  • Em A14: =TIR(A1:A13) retorna a TIR mensal. Para anualizar, usar =(1+TIR(A1:A13))^12 − 1.

Google Sheets: função IRR funciona igual, mesmos parâmetros.

Armadilhas comuns da TIR

1. Pressupõe reinvestimento na mesma taxa. Tecnicamente, a TIR assume que os fluxos positivos intermediários são reinvestidos à mesma TIR. No mundo real, raramente é o caso. Se você recebe dividendos de R$ 80/mês e deixa parado na conta, o retorno efetivo é menor que a TIR calculada.

2. Pode retornar múltiplos valores em fluxos complexos. Quando há mais de uma alternância de sinais (positivo-negativo-positivo), a TIR pode ter mais de uma solução matemática. Nesses casos, use TIR Modificada (MTIR/MIRR) ou VPL para comparar.

3. Não considera o volume investido. Um projeto pequeno com TIR de 30% pode ser financeiramente pior que um projeto grande com TIR de 12%. Para comparar alternativas, combine TIR com valor absoluto do ganho.

TIR vs taxa efetiva: quando uma ou outra

Para investimentos com uma única aplicação e um único resgate (ex: CDB prefixado 3 anos), a taxa efetiva contratada já é a TIR do investimento. Não há diferença.

Para investimentos com múltiplos fluxos, a TIR é a única forma correta. Qualquer comparação baseada em rentabilidade acumulada engana sistematicamente quando os fluxos não são uniformes no tempo.

Exemplo 3: comparando produtos com estruturas diferentes

Você precisa escolher entre:

  • Produto A: Tesouro IPCA+ 2029, IPCA+7%, pagamento no vencimento, R$ 10.000 aplicados.

  • Produto B: FII carteira diversificada, dividend yield 10%, com valorização esperada 0-2%, R$ 10.000 aplicados.

Produto A, assumindo IPCA médio 5%, entrega aproximadamente 12,3% brutos a.a. Líquido de 15% de IR: ~10,5% a.a. TIR = taxa efetiva = 10,5% a.a.

Produto B: dividendos isentos + 1% de valorização = ~11% brutos. Com reinvestimento de dividendos (hipótese): TIR efetiva ~11% a.a.

TIRs próximas — a decisão migra para outros fatores: volatilidade, liquidez, horizonte. Sem calcular TIR, a comparação seria enviesada pelo jeito diferente de divulgar rentabilidade de cada produto.

TIR vs VPL: quando usar cada um

TIR e Valor Presente Líquido (VPL) resolvem o mesmo problema — comparar fluxos de caixa no tempo — de formas diferentes. A TIR responde "qual foi (ou seria) a taxa de retorno anual desse fluxo?". O VPL responde "quanto vale hoje, em reais, esse fluxo de caixa, descontado a uma taxa de referência?". Quando os fluxos têm apenas uma inversão de sinal (um aporte seguido de resgates), TIR e VPL costumam levar à mesma conclusão sobre qual alternativa é melhor.

A diferença aparece em dois casos: quando há múltiplas inversões de sinal no fluxo (a TIR pode ter mais de uma solução matemática, o VPL não) e quando se comparam projetos de tamanhos muito diferentes (a TIR ignora o volume investido, o VPL mostra o ganho em reais). Na prática, para decisões simples do dia a dia — comparar CDB, Tesouro ou FII — a TIR anualizada já resolve. Para decisões que envolvem fluxos mais complexos ou comparação de investimentos com aportes iniciais muito distintos, vale calcular o VPL como checagem.

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Perguntas frequentes

O que é TIR em linguagem simples?

TIR é a taxa de juros anual equivalente que faz todos os fluxos de caixa de um investimento (aportes negativos, resgates positivos) se equilibrarem no tempo. É o indicador de rentabilidade mais correto quando há múltiplos fluxos ao longo do tempo, como aportes mensais ou resgates parciais.

Quando a TIR é diferente da rentabilidade acumulada?

Sempre que há mais de dois fluxos. Rentabilidade acumulada mede quanto o dinheiro cresceu do início ao fim, mas não considera quando cada parte entrou. TIR corrige isso ponderando cada fluxo pelo tempo em que ficou aplicado.

Como calcular TIR no Excel ou Google Sheets?

Use a função =TIR(faixa) no Excel ou =IRR(range) no Google Sheets, com uma coluna de fluxos de caixa em ordem cronológica — negativos para aportes, positivos para resgates. O resultado é a taxa periódica; para anualizar uma TIR mensal, use =(1+TIR)^12-1.

TIR e CDI são comparáveis diretamente?

Sim, desde que a TIR esteja anualizada e seja líquida de IR. Se o investimento tem TIR líquida de 12% e o CDI está em 14,65%, o investimento rendeu aproximadamente 82% do CDI. A comparação só é justa se os horizontes forem similares.

Qual a diferença entre TIR e VPL (Valor Presente Líquido)?

TIR é a taxa que zera o VPL de um fluxo de caixa — ou seja, a taxa de retorno implícita do investimento. VPL, por outro lado, traz todos os fluxos futuros a valor presente usando uma taxa de desconto definida e mostra o ganho ou perda em reais. Quando há mais de uma inversão de sinal nos fluxos, a TIR pode ter múltiplas soluções matemáticas, e o VPL costuma ser mais confiável para decidir entre alternativas.

A planilha do banco ou corretora mostra a TIR correta?

Nem sempre. Confira o nome do campo: 'rentabilidade acumulada' e 'rentabilidade no período' costumam não ser TIR. Quando aparece 'TIR', 'taxa efetiva equivalente' ou 'rendimento anualizado', é a taxa correta para comparação. Em caso de dúvida, exporte os fluxos e calcule manualmente.

Quando TIR é diferente da rentabilidade acumulada?

Sempre que há mais de dois fluxos. Rentabilidade acumulada mede 'quanto meu dinheiro cresceu do início ao fim', mas não considera quando cada parte entrou. Quem aportou R$ 100 no primeiro mês e R$ 1.000 no último teve a maior parte do dinheiro investida por pouco tempo — a rentabilidade acumulada superestima o ganho real. TIR corrige isso ponderando cada fluxo pelo tempo em que ficou aplicado.

A planilha de banco/corretora mostra TIR correta?

Algumas mostram, outras mostram rentabilidade acumulada simples. Confira o nome do campo: 'rentabilidade acumulada' e 'rentabilidade no período' costumam não ser TIR. Quando aparece 'TIR', 'taxa efetiva equivalente' ou 'rendimento anualizado', aí sim é a taxa correta para comparação. Em caso de dúvida, exporte os fluxos e calcule no Excel.

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Escrito por Patrimo

O Patrimo é um app brasileiro de controle financeiro. Escrevemos os guias que gostaríamos de ter lido no começo: com a conta feita na sua frente, exemplos em reais e números que vêm do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca de achismo nem de promessa de rentabilidade. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.

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