Com a Selic a 14,00% ao ano, R$ 1 milhão em renda fixa gera entre R$ 6.994/mês (poupança) e R$ 11.025/mês (CDB 110% CDI a longo prazo). A diferença mensal passa de R$ 4.000 — sem que o risco entre os produtos seja significativamente diferente. Neste artigo, simulo todos os cenários com os números exatos de agosto de 2026 (decisão do Copom de 05/08/2026), incluindo IR, taxa B3 e o limite do FGC para quem tem R$ 1 milhão para investir.
A resposta direta: quanto rende R$ 1 milhão por mês
Resposta direta
R$ 1 milhão investido em renda fixa gera entre R$ 6.994 (poupança) e R$ 11.025/mês (CDB 110% CDI a longo prazo) com Selic a 14,00% em agosto de 2026. A diferença entre a poupança e os melhores ativos de renda fixa é de mais de R$ 4.000 por mês — comparando líquido com líquido, já que a poupança é isenta de IR e o CDB não.
A tabela abaixo resume a renda mensal líquida de R$ 1 milhão nos principais produtos de renda fixa disponíveis em agosto de 2026. Os valores já consideram IR conforme a tabela regressiva (alíquota de 15% para prazos acima de 720 dias) e a taxa de custódia B3 de 0,20% a.a. para o Tesouro Direto.
| Produto | Taxa líquida a.a. | Renda mensal líquida |
|---|---|---|
| Poupança | 8,39% | R$ 6.994 |
| Tesouro Selic | 11,70% | R$ 9.750 |
| LCI 92% CDI isenta IR | 13,02% | R$ 10.848 |
| CDB 110% CDI melhor nominal | 13,23% | R$ 11.025 |
| Tesouro IPCA+ 7,9% proteção inflacionária | ~10,85%* | R$ 9.042** |
Metodologia: Selic 14,00% a.a., CDI 14,15% a.a., IPCA 5,8% a.a. em agosto de 2026 (Copom de 05/08/2026). *Estimativa simplificada do Tesouro IPCA+ com IPCA 5,8%; **não considera a proteção inflacionária do IPCA+. Valores para prazos acima de 720 dias (IR 15%). A poupança entra com 0,5% ao mês mais a TR (0,173% ao mês, série 226 do Banco Central), que se combinam de forma multiplicativa e resultam em 0,674% ao mês, ou 8,39% ao ano isentos de IR.
Tesouro Selic com R$ 1 milhão
O Tesouro Selic remunera essencialmente à própria taxa Selic — 14,00% bruto ao ano no cenário atual. Para R$ 1 milhão, a taxa de custódia B3 de 0,20% a.a. representa R$ 2.000 por ano — um custo real que reduz a rentabilidade efetiva bruta para aproximadamente 13,80% ao ano.
Para prazos acima de 24 meses (IR de 15%): rendimento anual bruto de R$ 140.000, IR de R$ 21.000, taxa B3 de R$ 2.000. Rendimento líquido: R$ 117.000/ano → R$ 9.750/mês.
A principal vantagem do Tesouro Selic com R$ 1 milhão é estrutural: não há limite de cobertura. O FGC não se aplica — o garantidor é o próprio governo federal. Para patrimônios acima de R$ 250 mil, essa característica torna o Tesouro inevitável em qualquer alocação de renda fixa.
| Prazo | Bruto anual | IR | Taxa B3 | Líquido/mês |
|---|---|---|---|---|
| 12 meses | R$ 140.000 | 17,5% → R$ 24.500 | R$ 2.000 | R$ 9.458 |
| 24+ meses IR mínimo | R$ 140.000 | 15% → R$ 21.000 | R$ 2.000 | R$ 9.750 |
Uma vantagem do Tesouro Selic que passa despercebida: liquidez diária real — sem marcação a mercado negativa, ao contrário do Tesouro IPCA+ e do Prefixado. Com R$ 1 milhão, ter acesso imediato a uma parcela do patrimônio a qualquer momento tem valor não quantificável diretamente.
CDB com R$ 1 milhão: oportunidade e risco de concentração
O CDB a 110% CDI rende 15,565% bruto ao ano. Com IR de 15% (prazo acima de 720 dias), a taxa líquida chega a 13,23% a.a. — R$ 132.303/ano líquidos, equivalente a R$ 11.025/mês. É o maior rendimento nominal entre os produtos de renda fixa analisados.
Mas há um ponto crítico: o FGC cobre apenas R$ 250.000 por CPF por instituição. Com R$ 1 milhão em um único banco, R$ 750.000 ficam sem cobertura do Fundo Garantidor.
Atenção: concentração de risco com R$ 1 milhão em CDB
Com R$ 1.000.000 em um único banco, apenas R$ 250.000 têm cobertura do FGC. A solução mais comum é distribuir em 4 bancos (4 × R$ 250.000 = R$ 1.000.000 cobertos) ou combinar R$ 500.000 em Tesouro Direto + R$ 500.000 em 2 bancos (R$ 250.000 cada). O FGC também tem um limite global de R$ 1 milhão por CPF a cada 4 anos — considere esse teto no planejamento.
Minha leitura
Para patrimônios acima de R$ 250 mil, a diversificação entre instituições e entre Tesouro Direto + CDB é uma das estratégias que observo com mais frequência entre investidores de renda fixa. O FGC tem um teto de R$ 1 milhão por CPF em 4 anos — para quem tem mais que isso, o Tesouro Direto torna-se inevitável na carteira.
| Estratégia de distribuição | Cobertura FGC | Valor descoberto |
|---|---|---|
| R$ 1M em 1 único banco | R$ 250.000 | R$ 750.000 |
| R$ 250k × 4 bancos (CDB) | R$ 1.000.000 | R$ 0 |
| R$ 500k Tesouro + R$ 250k × 2 bancos | R$ 1.000.000* | R$ 0 |
*O Tesouro Direto não tem limite de cobertura — o garantidor é o governo federal. A cobertura de R$ 1 milhão nessa estratégia inclui R$ 500k em risco soberano e R$ 500k cobertos pelo FGC.
LCI/LCA com R$ 1 milhão
A LCI a 92% CDI rende 13,02% líquido ao ano (isenta de IR) — R$ 130.180/ano, equivalente a R$ 10.848/mês. É o segundo maior rendimento líquido entre os produtos analisados, superando o Tesouro Selic por R$ 1.098/mês.
A vantagem da isenção de IR é especialmente relevante em prazos de 12 meses: enquanto o CDB 110% CDI precisa de IR de 17,5%, a LCI entrega o bruto integralmente. Para prazos de 24+ meses (quando o IR do CDB cai para 15%), o CDB 110% CDI supera marginalmente.
A limitação da LCI com R$ 1 milhão é a mesma do CDB: o FGC cobre apenas R$ 250.000 por banco. Para cobertura total em LCI, seria necessário dividir entre pelo menos 4 instituições emissoras — o que exige mais gestão operacional. Além disso, a LCI tem carência mínima de 9 a 12 meses dependendo do prazo, o que a torna incompatível com reserva de emergência.
Nota sobre LCA
As LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) seguem a mesma lógica: isentas de IR para pessoas físicas, sujeitas ao FGC até R$ 250 mil por banco. Para R$ 1 milhão, as regras de distribuição e cobertura são idênticas às da LCI. As taxas praticadas em LCA costumam ser ligeiramente diferentes, dependendo da oferta no momento.
Tesouro IPCA+ com R$ 1 milhão
O Tesouro IPCA+ 7,9% paga IPCA (5,8%) + 7,2% de prêmio real ao ano — resultando em aproximadamente 13% bruto ao ano em termos nominais com a inflação atual. Após IR de 15% e taxa B3 de 0,20% a.a., o rendimento nominal líquido estimado é de ~10,85% a.a., equivalente a aproximadamente R$ 9.042/mês.
Em termos nominais, o IPCA+ fica abaixo do CDB e da LCI no cenário atual. Mas a comparação direta em termos nominais ignora o benefício estrutural do produto: o prêmio real de 7,2% a.a. é garantido independentemente de como a inflação evolui.
Para quem planeja viver de renda por décadas, o IPCA+ garante que o poder de compra de R$ 1 milhão seja preservado — algo que o CDB pós-fixado não oferece se a Selic cair e a inflação acelerar simultaneamente. Em horizontes de 10+ anos, essa proteção tem valor que vai além dos números nominais.
IPCA+ versus CDB: a comparação correta
Em março de 2026, com inflação em 5,8% a.a., o CDB 110% CDI paga mais em termos nominais. Mas o CDB é atrelado ao CDI — se a Selic cair, o rendimento cai junto. O Tesouro IPCA+ 7,9% garante 7,2% de retorno real mesmo que a Selic vá a 5% e a inflação suba para 10%. Para quem quer preservar poder de compra por décadas, essa assimetria é relevante.
O custo real da poupança com R$ 1 milhão
Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança paga 0,5% ao mês mais a TR — e as duas parcelas se combinam de forma multiplicativa, não somada: (1 + 0,173%) × (1 + 0,5%) − 1 = 0,674% ao mês, o que dá 8,39% ao ano. Em R$ 1 milhão, isso significa R$ 6.994/mês — isento de IR, e ainda o menor rendimento da lista.
Um detalhe que quase todo mundo erra: só a parcela de 0,5% é fixa. A TR, que ficou zerada entre 2017 e 2021, voltou a subir com os juros e hoje está em 0,173% ao mês (série 226 do Banco Central). A conta de 6,17% ao ano, que assume TR igual a zero, não vale mais: ela subestima a poupança em pouco mais de dois pontos percentuais.
Como a poupança é isenta, esses 8,39% já são líquidos. Pelo critério de Fisher, com a inflação de 5,8% considerada aqui, o ganho acima da inflação é de (1 + 8,39%) ÷ (1 + 5,8%) − 1 = 2,45% ao ano — positivo, mas bem abaixo do que qualquer outro produto desta lista entrega.
A diferença entre poupança e CDB 110% CDI, líquido contra líquido: R$ 11.025 − R$ 6.994 = R$ 4.031/mês. Em um ano, essa diferença acumulada é de R$ 48.372.
O que R$ 4.031/mês representa em 10 anos
Reinvestindo a diferença de R$ 4.031/mês a 11% a.a. por 10 anos, o valor acumulado chega a cerca de R$ 849.000. Em 10 anos, portanto, a diferença de rendimento entre a poupança e o CDB 110% CDI ultrapassa 80% do próprio capital original de R$ 1 milhão — sem chegar a igualá-lo.
Minha leitura
Essa é a conta que faço quando alguém me pergunta se a poupança "ainda é segura". Tecnicamente sim — mas o custo de oportunidade de R$ 4.031 por mês, mês após mês, é real. Em 10 anos, a diferença de rendimento ultrapassa 80% do próprio capital original. Para patrimônios de R$ 1 milhão, entender essa diferença e agir sobre ela é uma das decisões financeiras mais impactantes que qualquer investidor pode tomar.
| Produto | Poupança | Diferença mensal | Diferença anual |
|---|---|---|---|
| Poupança (referência) | R$ 6.994 | — | — |
| Tesouro Selic | vs. R$ 9.750 | + R$ 2.756 | + R$ 33.072 |
| LCI 92% CDI | vs. R$ 10.848 | + R$ 3.854 | + R$ 46.248 |
| CDB 110% CDI | vs. R$ 11.025 | + R$ 4.031 | + R$ 48.372 |
Veja também
Perguntas frequentes
Quanto rende R$ 1 milhão por mês em renda fixa em 2026?
Depende do produto. R$ 1 milhão rende de R$ 6.994/mês (poupança) a R$ 11.025/mês (CDB 110% CDI a longo prazo). O Tesouro Selic gera ~R$ 9.750/mês líquido e a LCI 92% CDI gera ~R$ 10.848/mês isentos. A poupança paga 0,5% ao mês mais a TR, o que dá 0,674% ao mês ou 8,39% ao ano, também isentos de IR.
R$ 1 milhão no Tesouro Selic rende quanto por mês?
Com Selic a 14,00%, o Tesouro Selic rende aproximadamente 11,70% líquido ao ano para prazos acima de 24 meses, o que equivale a R$ 9.750/mês. Para prazos menores, a alíquota de IR é maior: 17,5% em 12 meses → ~R$ 9.458/mês.
É possível viver de renda com R$ 1 milhão em 2026?
Com R$ 1 milhão bem alocado em renda fixa, é possível gerar entre R$ 9.750 e R$ 11.025 mensais líquidos com Selic a 14,00%. Se isso cobre os gastos mensais, tecnicamente sim — mas é importante considerar que a Selic pode mudar, e a inflação corrói o poder de compra ao longo do tempo.
Devo colocar R$ 1 milhão em um único banco?
Não é recomendado do ponto de vista do FGC. O Fundo Garantidor cobre apenas R$ 250.000 por CPF por instituição. Com R$ 1 milhão em um único banco, R$ 750.000 ficam sem cobertura. A alternativa mais comum é dividir entre 4 instituições (R$ 250.000 cada) ou combinar com Tesouro Direto, que não tem limite de cobertura.
LCI ou CDB para R$ 1 milhão?
Para prazos de 12 meses: a LCI 92% CDI gera R$ 10.848/mês (isenta de IR) e supera o CDB 110% CDI, que rende R$ 10.701/mês porque ainda paga IR de 17,5% nesse prazo. Para prazos longos (24+ meses), quando o IR do CDB cai para 15%, o CDB 110% CDI passa a R$ 11.025/mês e ultrapassa a LCI. Em ambos os casos, é fundamental dividir entre instituições para não ultrapassar o limite do FGC.
Tesouro IPCA+ vale mais que CDB para quem tem R$ 1 milhão?
Para quem quer preservar o poder de compra por décadas, o IPCA+ tem uma vantagem estrutural: garante um retorno real acima da inflação. O CDB paga mais em termos nominais no cenário atual, mas não protege contra aceleração da inflação. Para horizontes de 10+ anos, IPCA+ é uma proteção que o CDB não oferece.
Quanto preciso guardar por mês para acumular R$ 1 milhão?
Depende do rendimento e do prazo. Investindo R$ 3.000/mês a 14,00% a.a. bruto, você acumula R$ 1 milhão em cerca de 11,7 anos. Com R$ 5.000/mês no mesmo rendimento: cerca de 8,9 anos. Com R$ 10.000/mês: cerca de 5,7 anos. A etapa de acumulação tem matemática própria (fórmula de anuidade) — diferente da etapa de viver de renda, que parte do patrimônio já formado.
A renda de R$ 11 mil/mês de R$ 1 milhão é sustentável para sempre?
Não necessariamente. Os R$ 9 mil a R$ 11 mil/mês são a renda bruta gerada hoje com a Selic a 14,00%. Dois fatores reduzem essa renda ao longo do tempo: a Selic pode cair (um CDB ou Tesouro Selic pós-fixado renderia menos), e a inflação corrói o poder de compra do valor recebido. Para uma renda sustentável por décadas, o ideal é retirar menos do que o rendimento total — uma taxa de retirada segura em torno de 4% a 5% ao ano em termos reais — e manter parte do patrimônio em Tesouro IPCA+, que protege o poder de compra. Retirar 100% do rendimento nominal todo mês significa que o patrimônio perde valor real com o tempo.
Escrito por Patrimo
O Patrimo é um app brasileiro de controle financeiro. Escrevemos os guias que gostaríamos de ter lido no começo: com a conta feita na sua frente, exemplos em reais e números que vêm do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca de achismo nem de promessa de rentabilidade. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.
Ver perfil completo →Continue aprendendo
Curso da Academia
Investindo do Zero


