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Ganho de Capital: Regras, Alíquotas e Isenções no IR

Ganho de capital no Brasil: alíquotas de 15% a 22,5%, isenção do único imóvel até R$ 440 mil, reinvestimento em 180 dias e fatores de redução. Guia 2026.

Patrimo
Atualizado 30 de out. de 2026
9 min de leitura

Vender um imóvel valorizado por R$ 500 mil acima do preço de compra gera, em tese, R$ 75 mil de IR (15%). Mas, dependendo de quando foi comprado, se é o único imóvel do vendedor, ou se o valor será reinvestido em outro residencial, esse imposto pode cair a zero. Depois de ver o mercado por dentro, observo que a diferença entre pagar e não pagar ganho de capital raramente está na alíquota — está nas sete isenções previstas em lei que a maioria desconhece. Este guia mapeia cada uma delas, com base legal explícita.

O que é ganho de capital

Ganho de capital é a diferença positiva entre o valor de venda e o valor de aquisição de um bem ou direito. Aplica-se a imóveis, veículos, obras de arte, participações societárias, moeda estrangeira em espécie e quaisquer outros bens que não sejam negociados em bolsa (ações, FII, ETF — esses têm regra própria).

A fórmula básica é simples:

Ganho = Valor de alienação − (Custo de aquisição + Benfeitorias + Despesas relacionadas)

Importante: benfeitorias (reforma, ampliação, construção nova no terreno) e despesas como corretagem, ITBI e escritura entram como custo e reduzem o ganho tributável — mas apenas se estiverem devidamente documentadas (notas fiscais, comprovantes). Sem prova, a Receita desconsidera.

Para quem está construindo, o hábito começa na obra: a planilha controle de obra registra cada pagamento com data, etapa, fornecedor e se tem nota fiscal ou recibo, e soma quanto a casa custou de fato.

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Alíquotas progressivas — a tabela de 2026

Faixa de ganhoAlíquotaExemplo
Até R$ 5 milhões15%Ganho de R$ 200k → R$ 30k de IR
De R$ 5 a R$ 10 milhões17,5%Ganho de R$ 7 mi → R$ 1.100.000 de IR
De R$ 10 a R$ 30 milhões20%Ganho de R$ 15 mi → R$ 2.625.000 de IR
Acima de R$ 30 milhões22,5%Ganho de R$ 50 mi → R$ 10.125.000 de IR

Base legal: Lei 13.259/2016, art. 1º. Faixas calculadas de forma progressiva (parcelas acima de cada limite pagam a alíquota da faixa seguinte). Fins educacionais.

Importante: alíquota é sobre o GANHO, não sobre o valor da venda

Se você vendeu um imóvel por R$ 1 milhão, comprado por R$ 800 mil, o ganho é R$ 200 mil e o IR é de R$ 30 mil (15% do ganho). Não confundir com alíquota sobre o preço total, que seria R$ 150 mil. A diferença é relevante em vendas grandes.

As 7 isenções que a lei oferece

O Código Tributário e as leis complementares preveem sete situações em que o ganho de capital é total ou parcialmente isento. A maioria dos contribuintes só conhece a primeira:

Único imóvel até R$ 440 mil

Base: Lei 9.250/1995, art. 23

Venda isenta se for o único imóvel da PF e não houver vendido outro (residencial ou não) nos últimos 5 anos.

Reinvestimento em imóvel residencial

Base: Lei 11.196/2005, art. 39

Isenção total se o valor da venda for reinvestido em outro imóvel residencial no Brasil em até 180 dias. Pode usar uma vez a cada 5 anos.

Imóvel adquirido até 1988

Base: Lei 7.713/1988

Fator de redução escalonado sobre o ganho: de 5% (1988) a 100% (imóveis adquiridos até 1969). Imóvel de 1969 ou anterior = isento.

Fator de redução por tempo de posse (1996 em diante)

Base: Lei 11.196/2005, art. 40

Dois fatores aplicados em sequência: o FR1, de 0,60% ao mês, de janeiro de 1996 (ou da compra, se posterior) até novembro de 2005; e o FR2, de 0,35% ao mês, de dezembro de 2005 (ou da compra, se posterior) até a venda.

Bens de pequeno valor

Base: Lei 9.250/1995, art. 22

Isento se a alienação do bem, ou do conjunto de bens da mesma natureza, for até R$ 35 mil no mês. Em ações negociadas em bolsa, o limite é R$ 20 mil/mês.

Quitação da compra de imóvel residencial já possuído

Base: Lei 11.196/2005, art. 39; IN SRF 599/2005, art. 2º, § 10, III

A isenção do reinvestimento em 180 dias também vale quando o dinheiro da venda quita, no todo ou em parte, o saldo da compra a prazo de outro imóvel residencial que o contribuinte já possui. Não vale para construir ou reformar em imóvel próprio nem para quitar financiamento contratado para construção (Solução de Consulta Cosit 108/2026).

Herança e doação

Base: Lei 9.532/1997

Transferência por herança ou doação pelo valor que constava na declaração não gera ganho de capital no momento da transferência. Se for feita a valor de mercado, a diferença a maior paga 15% (Lei 9.532/1997, art. 23).

Fator de redução: o cálculo que poucos fazem

A Lei 11.196/2005 (art. 40) criou dois fatores que reduzem o ganho tributável de imóveis conforme o tempo de posse. Eles são aplicados em sequência, um sobre o resultado do outro:

FR1 = 1 / (1,0060)^m1

Onde m1 = número de meses entre janeiro de 1996 (ou o mês da compra, se posterior) e novembro de 2005. Só existe para imóvel comprado até novembro de 2005.

FR2 = 1 / (1,0035)^m2

Onde m2 = número de meses entre dezembro de 2005 (ou o mês da compra, se posterior) e o mês da venda.

Exemplo: imóvel comprado em janeiro de 2010 por R$ 300 mil e vendido em abril de 2026 por R$ 800 mil. Como a compra foi depois de novembro de 2005, só há FR2: são 196 meses (o mês da compra e o da venda entram na conta), e FR2 = 1 / (1,0035)^196 ≈ 0,5042. Ganho bruto = R$ 500 mil. Ganho reduzido = R$ 500.000 × 0,5042 = R$ 252.095. IR devido = 15% × R$ 252.095 = R$ 37.814. Sem o fator, seriam R$ 75.000 de IR: a redução foi de quase metade.

Para imóveis adquiridos até 1988 há ainda uma redução anterior, da Lei 7.713/1988 (art. 18): 100% para compras até 1969, caindo 5 pontos por ano até 5% em 1988. Ela é aplicada antes dos dois fatores. O programa GCAP da Receita Federal faz todas essas contas quando a data de aquisição é informada corretamente, e a calculadora de ganho de capital mostra o resultado antes de você abrir o programa.

Como declarar: o programa GCAP

O cálculo e o pagamento do ganho de capital são feitos pelo programa GCAP (Ganho de Capital), disponível no site da Receita Federal. O fluxo operacional é:

  • Baixar o GCAP do ano da operação (cada ano tem versão própria)

  • Cadastrar o bem com data de aquisição, valor original, benfeitorias, despesas

  • Registrar a venda com data, valor, despesas da venda

  • Aplicar isenções se houver (único imóvel, reinvestimento, pequenos valores)

  • O programa calcula o ganho tributável, os fatores de redução e o IR devido

  • Emitir DARF 4600 com vencimento no último dia útil do mês seguinte à operação

  • Importar no IRPF do ano seguinte: o GCAP gera arquivo .DEC que o programa da declaração anual lê automaticamente

Atraso no DARF é caro

Se a DARF não for paga no prazo, incide multa de mora de 0,33% ao dia (máximo 20%) + juros SELIC acumulada. Um atraso de 3 meses em DARF de R$ 30 mil já bate no teto da multa: R$ 6.000, mais juros. Calcular antes de vender e reservar o valor do IR é prática simples que evita o custo.

Situações especiais

Imóvel adquirido em parcelas

Para imóvel comprado com financiamento, o valor de aquisição é o total pago até a data da venda: entrada + parcelas pagas + encargos já quitados. O saldo devedor do financiamento não é abatido do ganho. Se o financiamento foi quitado com parte do valor da venda, a regra anterior vale normalmente.

Imóvel em inventário

Quando a PF recebe imóvel por herança, pode escolher entre declarar pelo valor original (da declaração do falecido) ou pelo valor de mercado na data do óbito. Escolhendo o valor de mercado, há ganho de capital imediato sobre a diferença, mas o valor base para venda futura é o de mercado — útil se há intenção de vender logo.

Moeda estrangeira

Dólares comprados em casa de câmbio e mantidos em espécie também geram ganho de capital na venda, pela mesma tabela progressiva. Moeda em contas no exterior é caso à parte, com regras da Lei 14.754/2023.

E os limites de pequeno valor: carro, ações e bens móveis

Nem toda venda com lucro gera imposto. A Lei 9.250/1995 isenta a alienação de bens de pequeno valor: se o total vendido no mês, de bens da mesma natureza, ficar até R$ 35 mil, o ganho é isento. Vendeu um carro com R$ 8 mil de lucro num mês? Isento. O limite é por mês e por conjunto de bens da mesma natureza, não por bem isolado — somar tudo o que foi vendido no mês é o erro mais comum aqui.

Para ações negociadas em bolsa a regra é própria: o limite de isenção é de R$ 20 mil em vendas no mês (no mercado à vista), e o imposto, quando devido, é de 15% sobre o ganho — recolhido por DARF, não pelo GCAP. Os detalhes de apuração, compensação de prejuízo e DARF estão no guia de como declarar ações no IR. Para criptomoedas custodiadas ou negociadas no Brasil, o limite de isenção é de R$ 35 mil/mês no total de alienações, com a mesma tabela progressiva de 15% a 22,5%; no exterior não há isenção (15% na declaração anual).

Erros comuns do contribuinte

Pagar DARF sem aplicar os fatores de redução (pagamento a maior)

Ignorar benfeitorias documentadas no custo de aquisição

Não somar ITBI e escritura como despesa da aquisição

Perder a isenção do único imóvel por ter vendido outro nos 5 anos anteriores

Declarar ganho de ação no GCAP (ações vão direto no IRPF, não no GCAP)

Não usar a isenção de reinvestimento em 180 dias quando aplicável

Confundir isenção do bem de pequeno valor (R$ 35k) com ações (R$ 20k)

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Perguntas frequentes

Quais são as alíquotas de ganho de capital em 2026?

A tabela é progressiva (Lei 13.259/2016): 15% sobre a parcela do ganho até R$ 5 milhões; 17,5% de R$ 5 a R$ 10 milhões; 20% de R$ 10 a R$ 30 milhões; e 22,5% acima de R$ 30 milhões. A maioria das pessoas físicas fica na faixa de 15%. O IR é pago por DARF código 4600.

Como ficar isento do ganho de capital na venda de imóvel?

Há três caminhos principais: vender o único imóvel, residencial ou não, por até R$ 440 mil sem ter vendido outro imóvel nos últimos 5 anos (Lei 9.250/1995); reinvestir o valor da venda em outro imóvel residencial no Brasil em até 180 dias (Lei 11.196/2005, uma vez a cada 5 anos); ou ter adquirido o imóvel antes de 1988 e usar o fator de redução histórico (Lei 7.713/1988).

Qual a isenção para bens móveis como carro e ações?

A venda de bens de pequeno valor é isenta até R$ 35 mil no mês, somados os bens da mesma natureza, pela Lei 9.250/1995. Para ações negociadas em bolsa, o limite de isenção é de R$ 20 mil em vendas no mês. Acima desses limites, incide ganho de capital pela tabela progressiva (ou 15% no caso de ações).

Se eu vender por valor menor do que comprei, preciso declarar?

Sim. A alienação precisa ser registrada no IR e o bem removido (ou ajustado) na ficha de Bens e Direitos. Se houve prejuízo (venda menor que o custo), não há imposto a pagar, mas a operação ainda precisa ser declarada. O prejuízo na venda de bens não compensa ganhos futuros de outros bens.

Qual o prazo para pagar o DARF do ganho de capital?

Até o último dia útil do mês seguinte ao da venda. Exemplo: venda em março paga DARF até o fim de abril. O atraso gera multa de mora de 0,33% ao dia (limitada a 20%) mais juros pela taxa Selic acumulada.

Posso dividir a venda em parcelas para cair numa faixa menor?

Não. A Receita considera uma única operação para a tabela progressiva, mesmo que o pagamento seja parcelado. A alíquota é definida pelo ganho total da operação, e a divisão fictícia pode ser interpretada como planejamento tributário abusivo.

Quais são as alíquotas de ganho de capital no Brasil em 2026?

A tabela é progressiva pela Lei 13.259/2016: 15% até R$ 5 milhões de ganho; 17,5% de R$ 5 a R$ 10 milhões; 20% de R$ 10 a R$ 30 milhões; 22,5% acima de R$ 30 milhões. O IR é pago por DARF 4600, via programa GCAP, até o último dia útil do mês seguinte à venda.

Posso usar a isenção de reinvestimento na compra de terreno?

Não. A Lei 11.196/2005 exige que o reinvestimento seja em imóvel residencial. Terreno (mesmo para construir depois), imóvel comercial, sítio ou chácara com uso misto não se enquadram. A regra é estrita e costuma ser checada pela Receita. Quando em dúvida, verificar o código do imóvel junto ao registro.

Posso dividir a venda em duas parcelas para cair em faixa menor?

Não. A Receita considera uma única operação para fins da tabela progressiva, mesmo que o pagamento seja parcelado. A divisão fictícia em parcelas não reduz a alíquota e pode ser interpretada como planejamento tributário abusivo. A alíquota é determinada pelo ganho total da operação.

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Escrito por Patrimo

O Patrimo é um app brasileiro de controle financeiro. Escrevemos os guias que gostaríamos de ter lido no começo: com a conta feita na sua frente, exemplos em reais e números que vêm do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca de achismo nem de promessa de rentabilidade. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.

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