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CDB vs poupança: qual rende mais em 2026 (a conta líquida)

Comparação honesta entre CDB e poupança pelo rendimento líquido, com IR descontado, regra da poupança, FGC e uma simulação de R$ 10 mil. Veja o que sobra no seu bolso.

Adriano Freire
11 min de leitura

Na conta líquida, o CDB rende quase o dobro da poupança em 2026. Com a Selic em 14,25% ao ano (Copom, junho de 2026), um CDB de 100% do CDI entrega cerca de 11,7% líquidos já com o Imposto de Renda descontado; a poupança, isenta de IR, está travada em torno de 6,17% ao ano + TR. A comparação justa não é taxa bruta contra taxa bruta — é líquido contra líquido, o que sobra no seu bolso depois do Leão.

Em resumo

  • Compare sempre pelo rendimento líquido (depois do IR), nunca pela taxa anunciada.
  • CDB: paga IR regressivo (22,5% → 15%), tem FGC e pode ter liquidez diária. Rende ~14,15% bruto a 100% do CDI.
  • Poupança: isenta de IR, mas travada em 0,5% ao mês + TR (~6,17% a.a.) com a Selic acima de 8,5%.
  • Os dois têm o mesmo FGC (R$ 250 mil por CPF e instituição) — "segurança" não é motivo para escolher poupança.
  • NÃO use a poupança como estratégia de render com a Selic neste patamar — ela só empata com um CDB de ~55% do CDI.

Se você ainda está montando a base, vale ler antes onde investir a reserva de emergência — a escolha entre CDB e poupança vem depois de a reserva estar no lugar certo.

O que é CDB e o que é poupança?

CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um empréstimo que você faz a um banco, que em troca paga juros atrelados ao CDI — taxa que anda colada na Selic, quase sempre uns 0,10 ponto percentual abaixo dela. Poupança é um depósito bancário que rende por uma regra fixada em lei (Lei 12.703/2012). Os dois são renda fixa de baixo risco e cobertos pelo FGC, mas rendem de formas completamente diferentes.

A diferença que pesa no bolso está em três pontos: a taxa que cada um paga, o imposto e a liquidez. A poupança é a aplicação mais popular do Brasil pela simplicidade — não pela rentabilidade. O CDB exige um passo a mais (escolher o produto), e é aí que quase todo mundo desiste sem fazer a conta.

Guarde essa distinção, porque ela é o coração de tudo: quando você vê "CDB que paga 100% do CDI", significa que ele te devolve praticamente a taxa básica de juros da economia. A poupança, você vai ver, não acompanha essa taxa.

Como a poupança rende em 2026?

A poupança rende 0,5% ao mês + TR quando a Selic está acima de 8,5% ao ano — o que dá cerca de 6,17% ao ano, mais a Taxa Referencial (Lei 12.703/2012). Como a Selic está em 14,25% ao ano (Copom, junho de 2026), muito acima do gatilho de 8,5%, a poupança está travada nesse teto e não sobe mais, por mais que os juros da economia subam.

A regra da poupança tem dois degraus:

  • Selic acima de 8,5% ao ano: rende 0,5% ao mês + TR.
  • Selic em 8,5% ao ano ou abaixo: rende 70% da Selic + TR.

Repare no primeiro degrau. Não importa se a Selic está em 9%, 12% ou 14,25% — passou de 8,5%, a poupança congela em 0,5% ao mês. Todo o resto do juro que a economia oferece fica em cima da mesa. A TR tem rodado baixa nos últimos tempos, então, para efeito de conta, a poupança está entregando algo perto de 6,2% ao ano hoje.

Segura essa imagem: a economia paga 14,25% de juro básico, e a poupança te devolve pouco mais de 6%. A poupança não é isenta de imposto por bondade — ela é isenta porque rende tão pouco que o benefício fiscal é o único argumento que sobra.

Como o CDB rende e quanto de IR ele paga?

O CDB não trava: se paga 100% do CDI, entrega cerca de 14,15% brutos ao ano com a Selic em 14,25% (Copom, junho de 2026) — mais que o dobro da poupança no bruto. Sobre esse rendimento incide Imposto de Renda regressivo, de 22,5% a 15% (Receita Federal): quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menos imposto você paga.

A tabela regressiva de IR sobre renda fixa é esta:

Prazo da aplicaçãoAlíquota de IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20,0%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15,0%

Dois detalhes importantes do CDB. Primeiro: o imposto incide só sobre o rendimento, nunca sobre o valor que você aplicou. Segundo: ele é cobrado uma vez só, no resgate. Então, se você deixa o dinheiro parado por mais de dois anos, entrega no máximo 15% do que ganhou. Se resgata na primeira semana, entrega 22,5%.

Percebe o jogo? A poupança não paga imposto, mas rende pouco. O CDB rende bem mais, mas divide uma fatia com o Leão. A pergunta certa é: mesmo dividindo, sobra mais?

Qual rende mais na prática: CDB ou poupança?

Na conta líquida com R$ 10 mil por um ano, o CDB de 100% do CDI entrega cerca de R$ 1.167 e a poupança, cerca de R$ 617 — quase o dobro, mesmo depois de o IR morder R$ 247 do CDB. Um ano de aplicação cai na faixa de IR de 17,5% (Receita Federal). Com a Selic em 14,25% (Copom, junho de 2026), a vantagem fiscal da poupança simplesmente não compensa a diferença de taxa.

Veja a simulação lado a lado, com R$ 10.000 parados por 365 dias:

PoupançaCDB 100% do CDICDB 90% do CDI
Rendimento bruto (a.a.)~6,17% + TR~14,15%~12,74%
Ganho bruto em 12 meses~R$ 617~R$ 1.415~R$ 1.274
IR (17,5% no 1º–2º ano)R$ 0 (isento)~R$ 247,63~R$ 222,95
Ganho líquido~R$ 617~R$ 1.167~R$ 1.051

Repare que o CDB nem precisa pagar 100% do CDI para ganhar. Um CDB mais modesto, de 90% do CDI, ainda entrega cerca de R$ 1.051 líquidos — quase R$ 434 a mais que a poupança no mesmo período e com o mesmo valor.

Na prática, com a Selic em 14,25%, um CDB precisaria pagar algo próximo de apenas 55% do CDI para empatar com a poupança no líquido. Abaixo disso ele perde; acima, ganha. E CDB pagando só 55% do CDI é raríssimo — a maioria dos que você encontra em bancos digitais paga 100% ou mais.

Estes são valores simulados com as taxas de julho de 2026, para ilustrar o método — não uma projeção de retorno. Rentabilidade simulada não garante rentabilidade futura. O objetivo é você aprender a fazer a conta líquida sozinho.

E se eu precisar sacar o dinheiro amanhã?

A poupança tem liquidez imediata, mas paga o rendimento do mês só na "data de aniversário" do depósito — se você saca antes, perde o mês inteiro de juros. O CDB de liquidez diária, por outro lado, resgata no mesmo dia e paga o rendimento proporcional aos dias, sem essa pegadinha. Ou seja: existe CDB tão líquido quanto a poupança e que ainda rende mais no líquido.

No universo dos CDBs existem dois tipos:

  • CDB de liquidez diária: você resgata quando quiser e o rendimento é proporcional aos dias. É o mais indicado para reserva de emergência.
  • CDB com vencimento (sem liquidez diária): rende mais, mas você só resgata na data combinada. Se precisar antes, ou não consegue, ou vende no mercado secundário podendo perder parte do rendimento.

A liquidez, sozinha, não é argumento a favor da poupança. É só uma característica que você precisa checar no produto que está olhando — e há CDB com liquidez idêntica à da caderneta. Para reserva de emergência, aliás, vale ver onde deixar esse dinheiro com liquidez e segurança.

A poupança é mais segura que o CDB?

Não. Poupança e CDB são protegidos pelo mesmo mecanismo, o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que garante até R$ 250 mil por CPF e por instituição em caso de quebra do banco, com teto global de R$ 1 milhão por CPF a cada quatro anos (FGC). Dentro desse limite, o risco de crédito dos dois é equivalente — um CDB de banco menor coberto pelo FGC tem o mesmo colchão que a poupança de um banco grande.

A regra de ouro do FGC é simples: não concentre mais que R$ 250 mil por instituição, somando tudo o que você tem lá (poupança, CDB, conta). Passou disso, a parte acima do teto fica exposta se o banco quebrar. Para valores maiores, distribua entre instituições diferentes.

Traduzindo: "segurança" não é motivo para escolher poupança em vez de CDB. Dentro do limite do FGC, os dois dormem no mesmo nível de proteção. O que muda de verdade é quanto sobra no seu bolso no fim.

Quando a poupança ainda faz sentido?

A poupança faz sentido em nichos específicos: simplicidade absoluta, valores muito pequenos com movimentação constante, ou cenários de Selic muito baixa (abaixo de 8,5% ao ano, quando a regra dos 70% da Selic estreita a distância). Fora disso, com a Selic em 14,25% (Copom, junho de 2026), a poupança é um cofre confortável — não um investimento que trabalha para você.

Seria desonesto dizer que a poupança é sempre a pior escolha. Ela tem usos legítimos:

  • Para quem valoriza simplicidade total e não quer nem ouvir falar de vencimento, imposto ou percentual do CDI — a caderneta resolve com um toque no app do banco.
  • Para valores muito pequenos e uso diário, onde a diferença em reais é irrelevante e a conveniência pesa mais.
  • Em cenários de Selic baixa, quando os 70% da Selic aproximam a poupança das outras aplicações.

O que não dá é usar a poupança como estratégia de fazer o dinheiro render neste patamar de juros. Se o objetivo é rentabilidade com o mesmo risco, o CDB de liquidez diária ganha. Se você quer entender como o CDB se compara também com títulos isentos, veja CDB vs LCI: qual rende mais.

Onde NÃO deixar seu dinheiro (os erros comuns)

  • NÃO compare pela taxa bruta. Um CDB de 90% do CDI já bate a poupança com folga no líquido; olhar só o número anunciado engana.
  • NÃO deixe dinheiro "parado" na poupança achando que é mais seguro — o FGC cobre poupança e CDB igualzinho.
  • NÃO saque a poupança fora da data de aniversário: você perde o rendimento do mês inteiro.
  • NÃO confunda liquidez diária com ausência de vencimento: alguns CDBs só pagam no resgate na data combinada. Confira antes de aplicar.
  • NÃO ultrapasse R$ 250 mil por instituição sem distribuir — acima do teto do FGC, a parte excedente fica sem garantia.

Como comparar CDB e poupança pelo líquido no Patrimo

Repare que eu não indiquei banco nem produto nenhum — de propósito. As taxas mudam, os produtos mudam, e o que importa é você aprender a fazer a conta líquida sozinho, sem depender da propaganda de ninguém. O raciocínio é sempre o mesmo:

  1. Descubra o rendimento bruto: poupança ≈ 6,17% + TR hoje; CDB = o % do CDI que ele paga.
  2. Aplique a alíquota de IR conforme o prazo (poupança é isenta; CDB segue a tabela regressiva de 22,5% a 15%).
  3. Compare o que sobra, não o que é anunciado.
  4. Cheque a liquidez e o teto de R$ 250 mil do FGC por instituição.
  5. Registre onde seu dinheiro está no Patrimo para enxergar o total por instituição e não estourar o limite do FGC sem perceber.

O Patrimo é um app de finanças pessoais manual e privado: você registra o que quiser, ele não conecta na sua conta bancária e não tem anúncio. A ideia é te dar clareza sobre onde seu dinheiro está antes de decidir para onde ele vai — não vender seus dados.

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Perguntas frequentes

CDB rende mais que a poupança em 2026?

Sim, com folga. Com a Selic em 14,25% ao ano (Copom, junho de 2026), um CDB de 100% do CDI entrega cerca de 14,15% brutos; mesmo depois do IR de 17,5%, sobram perto de 11,7% líquidos. A poupança está travada em torno de 6,17% ao ano + TR — quase metade, mesmo sendo isenta de imposto.

A poupança paga Imposto de Renda?

Não. A poupança é isenta de Imposto de Renda para pessoa física — essa é a única vantagem financeira dela sobre o CDB. Só que, com a Selic alta, o rendimento é tão baixo que a isenção não compensa a diferença de taxa.

Quanto rende R$ 10 mil na poupança por ano?

Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês + TR, o que dá cerca de 6,17% ao ano — aproximadamente R$ 617 em 12 meses sobre R$ 10 mil, mais a TR (que tem rodado baixa). É isento de IR, mas fica bem abaixo de um CDB no mesmo período.

A poupança é mais segura que o CDB?

Não. Poupança e CDB são protegidos pelo mesmo mecanismo: o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição, com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Dentro desse limite, os dois têm o mesmo nível de proteção.

Quanto um CDB precisa pagar do CDI para empatar com a poupança?

Com a Selic em 14,25% ao ano, um CDB precisaria pagar cerca de 55% do CDI para empatar com a poupança no rendimento líquido. Como a grande maioria dos CDBs paga bem mais que isso, na prática o CDB vence quase sempre.

📚 Fontes

A

Escrito por Adriano Freire

Assessor de Investimentos credenciado pela ANCORD (#50352) e fundador do Patrimo. Escreve sobre renda fixa, Tesouro Direto, Imposto de Renda e previdência usando dados oficiais do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca achismo. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.

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#CDB#Poupança#RendaFixa#FGC

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