Tesouro RendA+: o título público que paga renda mensal na aposentadoria
O Tesouro RendA+ foi desenhado especificamente para complementar a aposentadoria. Você acumula durante anos e, depois da data de conversão, recebe 240 pagamentos mensais corrigidos pela inflação. Entenda como funciona, quanto custa e quando faz sentido no planejamento de longo prazo.
Como funciona na prática
O RendA+ tem duas fases: acumulação e conversão. Você compra o título apontando para uma data de conversão (por exemplo, 2045 ou 2065). Nessa data, o valor acumulado passa a ser pago em 240 parcelas mensais corrigidas pelo IPCA, com vencimento 20 anos depois.
Durante a acumulação, o título rende IPCA + taxa contratada. Em abril de 2026, os RendA+ com conversão em 2045 pagavam aproximadamente IPCA + 6,80% ao ano. Além de preservar o poder de compra, há ganho real acima da inflação contratualmente garantido até a data de conversão.
Exemplo numérico — quanto rende por prazo e aporte
Taxa contratada: IPCA + 6,80% a.a. IPCA médio simulado: 4% a.a. (rendimento total nominal ~11% a.a.). Todos os valores em poder de compra de hoje (reais de 2026):
| Aporte mensal | Prazo de acumulação | Saldo real na conversão | Renda mensal real (20 anos) |
|---|---|---|---|
| R$ 300/mês | 30 anos | ~R$ 700.000 | ~R$ 4.400/mês |
| R$ 500/mês | 30 anos | ~R$ 1.170.000 | ~R$ 7.300/mês |
| R$ 500/mês | 20 anos | ~R$ 428.000 | ~R$ 2.700/mês |
| R$ 1.000/mês | 20 anos | ~R$ 856.000 | ~R$ 5.400/mês |
| R$ 1.000/mês | 25 anos | ~R$ 1.326.000 | ~R$ 8.350/mês |
Simulações aproximadas. Rendimento real de 6,8% a.a. após inflação. Renda mensal calculada dividindo saldo por 240 meses com ajuste de taxa real. O simulador oficial no site do Tesouro Direto usa os parâmetros exatos da data de compra.
Esta simulação foca em quem está começando a acumular hoje. Se você já tem um patrimônio formado e quer saber quanto ele geraria de renda mensal comparado a um CDB, veja o comparativo Tesouro Renda+ ou CDB: qual paga mais por mês na aposentadoria? . E se a dúvida é se vale a pena entrar no Renda+ antes mesmo de simular valores, veja o guia geral Tesouro Renda+: você realmente precisa disso?.
Como escolher a data de conversão certa
Diferente de um CDB ou de um Tesouro IPCA+ comum, o RendA+ exige uma decisão logo na compra: a data de conversão (2030, 2035, 2040... até 2065). Essa escolha define quando a fase de acumulação termina e a fase de renda começa — e não pode ser alterada depois sem vender o título a mercado.
Uma referência prática é escolher a data de conversão próxima da idade em que você pretende parar de trabalhar (ou reduzir a jornada). Quem tem 40 anos hoje e planeja se aposentar aos 65 escolhe uma conversão por volta de 25 anos à frente. Errar para mais cedo reduz o tempo de juros compostos; errar para muito mais tarde deixa capital acumulado sem uso enquanto a renda ainda não é necessária.
Uma estratégia usada por quem já tem mais clareza do planejamento é escalonar compras em datas diferentes — por exemplo, parte do patrimônio em RendA+ 2040, parte em RendA+ 2045 e parte em RendA+ 2050. Isso cria camadas de renda que começam a chegar em anos distintos, funcionando como um "degrau" de aposentadoria progressiva, e dilui o risco de travar toda a taxa contratada em um único momento do ciclo de juros.
| Perfil | Lógica da escolha da data |
|---|---|
| Já sabe a idade-alvo de aposentadoria | Escolher a conversão mais próxima possível dessa idade, maximizando o tempo de acumulação com juros reais. |
| Ainda incerto sobre quando vai parar | Escalonar 2 a 3 datas (ex.: 2040/2045/2050) para ter flexibilidade e não depender de acertar uma única data. |
| Quer complementar o INSS a partir de uma idade fixa | Escolher a conversão para começar 1 a 2 anos antes da aposentadoria oficial, criando uma "ponte" de renda. |
Tributação e Programa RendA+
Na fase de acumulação, a tributação segue a tabela regressiva do IR de renda fixa (22,5% a 15% dependendo do prazo). Na fase de recebimento, os pagamentos mensais incluem parte do principal (já tributado) e parte de juros — o IR incide apenas sobre a parcela de juros proporcional.
Existe ainda o Programa RendA+, que concede isenção de IR sobre a renda mensal recebida até o limite de 6 salários mínimos por mês, desde que a conversão ocorra após os 65 anos e respeitados demais critérios. Vale consultar regulamento atualizado no site oficial do Tesouro antes de contratar — as regras do Programa foram atualizadas em 2024.
RendA+ vs previdência privada — comparação completa
| Característica | Tesouro RendA+ | PGBL/VGBL típicos |
|---|---|---|
| Taxa de administração | 0,10% a.a. | 0,80% a 2,50% a.a. |
| Taxa de carregamento | Zero | 0% a 5% (varia) |
| Garantia | Tesouro Nacional (soberana) | Sem FGC; risco da seguradora |
| Rentabilidade contratada | IPCA + taxa fixa (contratada) | Variável conforme fundo |
| Fase de renda | 240 meses (20 anos) | Vitalícia ou prazo certo |
| Dedução no IR (acumulação) | Não | Sim (PGBL — até 12% da renda) |
| Come-cotas semestral | Não | Não (vantagem vs fundos convencionais) |
| Portabilidade | Não (venda no mercado) | Sim (entre planos do mesmo tipo) |
A principal diferença estrutural: o RendA+ paga por prazo certo (20 anos), enquanto previdência privada pode oferecer renda vitalícia. Se você viver além de 85–90 anos e o prazo de 20 anos encerrar, precisará de outras fontes. Por outro lado, se falecer antes da conversão ou durante o recebimento, herdeiros recebem o saldo remanescente — o que boa parte das rendas vitalícias de previdência não oferece.
Quando o RendA+ faz sentido
Você não tem acesso a previdência privada com taxa de administração abaixo de 0,50% a.a.
Você quer garantir renda real (acima da inflação) contratualmente, sem depender de gestor
Você busca simplicidade: aporta mensalmente, escolhe a data, recebe 240 parcelas sem gestão ativa
Você quer que herdeiros recebam o saldo restante em caso de falecimento antes dos 240 meses
Você quer diversificar produto de aposentadoria além de PGBL/VGBL
Limites e riscos do RendA+
Prazo fixo de 20 anos
Se você viver além dos 20 anos de recebimento, precisará de outras fontes. Diferente da renda vitalícia de previdência privada.
Marcação a mercado na venda antecipada
O título rende IPCA+ longo — se precisar vender antes da conversão em cenário de alta de juros, pode ter perda nominal. Foi desenhado para ser mantido até o vencimento.
Sem dedução no IR na acumulação
Diferente do PGBL, os aportes no RendA+ não são dedutíveis do IR. Para quem declara no modelo completo e tem renda alta, o PGBL ainda pode ser mais vantajoso para os primeiros 12% da renda.
Risco soberano (baixo, mas existe)
Garantia do Tesouro Nacional é a mais alta do país, mas não equivale ao FGC. Em cenário de calote soberano (improvável mas não impossível), o título seria afetado.
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Perguntas frequentes
O que é o Tesouro RendA+?
É um título público do Tesouro Direto que paga rendimento atrelado ao IPCA e, a partir da data de conversão escolhida, faz 240 pagamentos mensais (20 anos) corrigidos pela inflação. Substitui o papel de uma previdência privada com taxas mais baixas e garantia do Tesouro Nacional.
Por quanto tempo o Tesouro RendA+ paga renda?
Por 20 anos (240 meses) após a data de conversão. Durante esse período, o valor nominal do pagamento é corrigido pelo IPCA para manter o poder de compra estável ao longo do tempo.
Preciso segurar o RendA+ até a data de conversão?
Não é obrigatório. Você pode vender antes pelo preço de mercado. Porém, a marcação a mercado no IPCA+ longo pode gerar prejuízo nominal se vender em momento ruim de juros. O título foi desenhado para ser mantido até a conversão; venda antecipada é exceção, não regra.
Posso comprar vários RendA+ com datas diferentes?
Sim, e é uma estratégia válida. Dá para escalonar conversões (parte em 2045, parte em 2055, por exemplo) criando diferentes camadas de renda. Cada compra é um lote independente, com taxa contratada no dia da aquisição.
Tesouro RendA+ ou Tesouro IPCA+ — qual escolher?
Depende do objetivo. Tesouro IPCA+ paga o valor total no vencimento (lump sum) — ideal para quem vai gerenciar o patrimônio por conta própria na aposentadoria. Tesouro RendA+ converte automaticamente em renda mensal por 20 anos — ideal para quem quer fluxo garantido sem gestão ativa. Muitos planejadores financeiros recomendam combinar os dois: IPCA+ como 'poupança reserva' e RendA+ como 'salário de aposentadoria'.
Como escolher a data de conversão certa no Tesouro RendA+?
A data de conversão deve ficar próxima da idade em que você planeja parar de trabalhar ou complementar a renda. Escolher uma data muito distante deixa o dinheiro parado em acumulação por mais tempo do que o necessário; escolher uma data muito próxima reduz o efeito dos juros compostos. Uma regra prática é escalonar compras em datas diferentes (por exemplo, 2040, 2045 e 2050) para diluir o risco de taxa de compra e criar camadas de renda que começam em anos distintos.
Escrito por Patrimo
O Patrimo é um app brasileiro de controle financeiro. Escrevemos os guias que gostaríamos de ter lido no começo: com a conta feita na sua frente, exemplos em reais e números que vêm do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca de achismo nem de promessa de rentabilidade. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.
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