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Previdência Privada: PGBL vs VGBL, regressiva vs progressiva

PGBL vs VGBL e tabela regressiva vs progressiva: como escolher o regime de IR da sua previdência, dedução, portabilidade e quando cada um vale.

Patrimo
Atualizado 07 de mai. de 2026
7 min de leitura

Quatro combinações definem como sua previdência privada será tributada: PGBL com regressiva, PGBL com progressiva, VGBL com regressiva, VGBL com progressiva. Cada combinação atende a um perfil. Escolher errado no início custa caro no resgate — e migrar não é trivial. Este texto explica as diferenças e ajuda você a decidir.

PGBL — o plano com dedução

O PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) permite abater até 12% da sua renda bruta tributável anual na declaração completa do IR. Se você ganha R$ 10.000/mês (R$ 120.000/ano), pode aportar até R$ 14.400 no PGBL e deduzir todo o valor da base de cálculo do IR naquele ano.

Exemplo concreto — quanto o PGBL economiza em IR

Renda bruta anual: R$ 120.000

Aporte PGBL (12%): R$ 14.400

Base de cálculo antes do PGBL: R$ 120.000 − outras deduções

Base após dedução PGBL: reduz R$ 14.400 da base

Alíquota efetiva aproximada: 22,5%

Economia de IR no ano: R$ 14.400 × 22,5% ≈ R$ 3.240

Esse dinheiro é investido agora — fica rendendo na previdência por décadas antes de ser tributado no resgate.

A contrapartida: no resgate, o IR incide sobre o valor total (principal + rendimento). Para quem usa a tabela regressiva e mantém por mais de 10 anos, a alíquota cai para 10% — ainda vale a pena pela vantagem fiscal da acumulação.

VGBL — sem dedução, tributação só sobre ganho

O VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) não oferece dedução nos aportes. Em compensação, no resgate o IR incide apenas sobre o rendimento. Útil para quem declara pelo modelo simplificado (não usa dedução do PGBL), quem já aportou 12% da renda em PGBL e quer complementar, ou para profissionais liberais que não querem lidar com a dedução.

Tabela regressiva — como funciona

Tempo de aporteAlíquota IRAvaliação
Até 2 anos35%Muito caro — não resgatar
2 a 4 anos30%Ainda caro
4 a 6 anos25%Moderado
6 a 8 anos20%Aceitável
8 a 10 anos15%Bom
Acima de 10 anos10%Ótimo — alvo ideal

A alíquota é calculada por aporte, não pelo plano todo. Cada contribuição tem sua própria "idade". Quem começa cedo e mantém aportes regulares vê os primeiros aportes atingirem 10% antes dos últimos.

Tabela progressiva — a tabela do IR tradicional

Na progressiva, no momento do saque o valor resgatado entra na declaração anual como renda tributável, sujeito à tabela do IR:

Base mensalAlíquotaContexto de uso
Até R$ 2.259,20IsentoIdeal para saques mensais pequenos
R$ 2.259,21 a 2.826,657,5%Ainda favorável
R$ 2.826,66 a 3.751,0515%Equivale à regressiva 10 anos+
R$ 3.751,06 a 4.664,6822,5%Regressiva começa a ser melhor
Acima de R$ 4.664,6827,5%Regressiva muito melhor

No ato do resgate, há retenção na fonte de 15%. O ajuste final acontece na declaração anual — se sua alíquota efetiva for menor (por outras deduções), você recebe a diferença de volta.

O impacto real das taxas de administração

Antes de qualquer decisão sobre PGBL vs VGBL ou regime tributário, a taxa de administração é o fator que mais destrói patrimônio no longo prazo. Veja a diferença de um plano de 0,5% a.a. vs 2% a.a. em 25 anos, com aporte mensal de R$ 1.000 e rentabilidade bruta de 10% a.a.:

PrazoTaxa 0,5% a.a.Taxa 1,0% a.a.Taxa 2,0% a.a.Diferença (0,5% vs 2%)
5 anosR$ 77.400R$ 75.800R$ 72.700−R$ 4.700
10 anosR$ 203.500R$ 194.900R$ 178.900−R$ 24.600
20 anosR$ 763.600R$ 698.200R$ 587.200−R$ 176.400
25 anosR$ 1.326.500R$ 1.183.200R$ 948.500−R$ 378.000

Aporte: R$ 1.000/mês. Rentabilidade bruta: 10% a.a. Diferença entre taxa 0,5% e 2%: ao final de 25 anos, patrimônio ~28% menor. Taxa de carregamento de entrada/saída adiciona mais destruição de valor — planos competitivos têm taxa 0% de carregamento.

Qual combinação faz sentido?

PerfilCombinação idealMotivo
Renda alta, declaração completaPGBL + regressivaDedução anual + 10% na saída após 10 anos
Renda baixa/média, simplificadoVGBL + regressivaIR só sobre rendimento, acúmulo longo com 10%
Planeja sacar pouco/mês na aposentadoriaVGBL + progressivaSaques mensais abaixo de R$ 2.259 = isento
Já tem PGBL, quer mais aporteVGBL + regressivaPGBL já atingiu 12% — VGBL complementa
Horizonte curto (< 10 anos)Avaliar caso a casoRegressiva ainda não atingiu 10% — progressiva pode ser melhor

Checklist antes de contratar previdência privada

Taxa de administração: abaixo de 0,80% a.a.

Taxa de carregamento: zero (planos competitivos cobram 0%)

Regime tributário definido: regressiva para longo prazo, progressiva para saques baixos na aposentadoria

Tipo de plano: PGBL se você declara no completo e tem renda alta; VGBL nos demais casos

Performance do fundo: histórico de 5+ anos comparado ao benchmark

Portabilidade disponível: sim, é direito seu migrar de plano sem gerar IR

Como decidir a tabela em 3 perguntas

A escolha entre regressiva e progressiva é a decisão tributária que mais pesa no resgate — e, no caso da regressiva, é irreversível. Em vez de decorar tabelas, responda três perguntas em sequência:

  1. Vou manter os aportes por 10 anos ou mais?

Se sim, a regressiva chega a 10% — quase sempre a melhor opção. Se o horizonte é incerto ou menor que 8 anos, considere começar na progressiva (ela pode virar regressiva depois; o contrário não).

  1. Quanto vou sacar por mês na aposentadoria?

Se o saque mensal ficar abaixo de R$ 2.259 (faixa isenta) ou na faixa de 7,5%, a progressiva pode pagar menos que os 10% da regressiva. Saques mensais altos empurram para a regressiva.

  1. Vou sacar de uma vez ou em parcelas mensais?

Resgate único e grande joga o valor para a faixa de 27,5% na progressiva — aí a regressiva 10% domina. Renda mensal diluída favorece a progressiva. A forma do saque muda a resposta.

O ponto de equilíbrio prático: a faixa de 15% da progressiva (saque mensal entre R$ 2.826 e R$ 3.751) equivale, grosso modo, à regressiva de 10+ anos. Abaixo disso, progressiva tende a ganhar; acima, regressiva. Por isso quem acumula muito e planeja sacar valores altos quase sempre escolhe regressiva, enquanto quem usa a previdência como renda mensal modesta pode se beneficiar da progressiva. Para a decisão de fundo — se a previdência é o veículo certo para você — veja o guia definitivo de PGBL vs VGBL e a análise de quando a previdência privada vale a pena em 2026.

Portabilidade — o que você precisa saber

A portabilidade de previdência é livre e não gera fato gerador de IR. Você pode migrar de um plano ruim (com taxas altas e performance fraca) para um plano melhor preservando o tempo acumulado da tabela regressiva e o histórico dos aportes.

Regra importante: portabilidade só ocorre entre planos do mesmo tipo (PGBL para PGBL, VGBL para VGBL). Também é possível migrar de progressiva → regressiva dentro do mesmo plano, mas o contrário não funciona.

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Perguntas frequentes

Tabela regressiva ou progressiva: qual escolher?

A regressiva começa em 35% (até 2 anos) e cai até 10% (acima de 10 anos), sendo ideal para horizonte longo e valores de saque mais altos. A progressiva segue a tabela do IRPF (0% a 27,5%) e é melhor para quem pretende sacar valores mensais baixos na aposentadoria, que caiam nas faixas isenta ou de 7,5%. Para acúmulo de 10+ anos, a regressiva costuma vencer.

A escolha da tabela de IR é definitiva?

A opção pela tabela regressiva é irreversível: uma vez escolhida, não há volta para a progressiva. Já a progressiva pode ser migrada para regressiva a qualquer momento dentro do mesmo plano. Por isso, na dúvida e com horizonte indefinido, muitos começam na progressiva e migram para regressiva quando o longo prazo se confirma.

Qual a diferença entre PGBL e VGBL na hora do imposto?

No PGBL, o IR no resgate incide sobre o valor total (principal + rendimento), mas você deduz até 12% da renda bruta na declaração completa durante os aportes. No VGBL não há dedução, porém o IR no resgate incide apenas sobre o rendimento. PGBL serve para quem declara no completo; VGBL para quem usa o simplificado ou já atingiu os 12%.

A alíquota da regressiva vale para o plano todo?

Não. Na tabela regressiva, a alíquota é calculada por aporte, não pelo plano inteiro. Cada contribuição tem sua própria 'idade'. Quem aporta de forma regular vê os depósitos mais antigos atingirem 10% antes dos mais recentes, num resgate parcial o sistema costuma usar o critério PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai).

Posso mudar de PGBL para VGBL por portabilidade?

Não. A portabilidade só ocorre entre planos do mesmo tipo (PGBL para PGBL, VGBL para VGBL) e não gera fato gerador de IR. Trocar de PGBL para VGBL exigiria resgate com tributação e novo aporte, perdendo o tempo acumulado na tabela regressiva. Por isso a escolha inicial do tipo de plano importa tanto quanto a escolha da tabela.

Se eu errar a tabela, dá para corrigir?

Parcialmente. Se escolheu progressiva e percebeu que o horizonte é longo, pode migrar para regressiva — e o tempo de permanência costuma ser contado a partir dessa migração para fins de redução de alíquota. O caminho inverso (regressiva para progressiva) não é permitido. Por isso a regressiva exige mais convicção sobre o prazo.

Qual a diferença entre PGBL e VGBL?

No PGBL, os aportes podem ser deduzidos do IR até 12% da renda bruta anual, mas no resgate o imposto incide sobre o valor total (principal + rendimento). No VGBL não há dedução, mas o imposto no resgate incide apenas sobre o rendimento. PGBL faz sentido para quem declara no modelo completo; VGBL, para quem usa o simplificado ou já atingiu os 12%.

Posso mudar de PGBL para VGBL?

Não diretamente. A migração entre PGBL e VGBL exige resgate (com IR na saída) e novo aporte, perdendo o tempo acumulado na tabela regressiva. Por isso a escolha inicial é importante. Portabilidade existe apenas entre planos do mesmo tipo (PGBL para PGBL, VGBL para VGBL).

Previdência privada é melhor que Tesouro IPCA+?

Depende do seu cenário. Previdência tem vantagens fiscais (dedução PGBL, ausência de come-cotas em planos PGBL/VGBL) e estrutura de renda vitalícia que o Tesouro IPCA+ não oferece. Em contrapartida, o Tesouro IPCA+ costuma ter custo total menor. Ambos podem coexistir na carteira com funções diferentes.

O que é come-cotas na previdência privada?

Previdência privada (PGBL e VGBL) não sofre come-cotas — essa é uma vantagem em relação a fundos de investimento convencionais. Fundos comuns têm IR antecipado semestralmente (come-cotas): 15% para fundos de longo prazo e 20% para curto prazo. Previdência só tributa no resgate ou na renda, o que potencializa os juros compostos ao longo de décadas.

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Escrito por Patrimo

O Patrimo é um app brasileiro de controle financeiro. Escrevemos os guias que gostaríamos de ter lido no começo: com a conta feita na sua frente, exemplos em reais e números que vêm do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca de achismo nem de promessa de rentabilidade. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.

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