Muito investidor iniciante descobre tributação de bolsa pelo pior caminho: uma notificação da Receita Federal ou uma mensagem amiga de quem caiu na malha fina. As regras não são complicadas, mas exigem disciplina mensal — diferente de fundos e renda fixa, a apuração e pagamento do imposto sobre operações em bolsa é responsabilidade do investidor, mês a mês. Este guia cobre alíquotas de 2026, DARF, compensação de prejuízos, limite de isenção e os erros mais comuns.
Alíquotas e regras em 2026
| Tipo de operação | Alíquota | Isenção? | Recolhimento |
|---|---|---|---|
| Swing trade (ações) | 15% | Sim, se vendas < R$ 20 mil no mês | DARF mensal |
| Day trade (qualquer ativo) | 20% | Não | DARF mensal |
| Swing trade (FIIs) | 20% | Não (sempre tributa) | DARF mensal |
| Swing trade (ETFs) | 15% | Não (não tem limite de 20 mil) | DARF mensal |
| Swing trade (BDRs) | 15% | Não | DARF mensal |
Atenção importante: a isenção de R$ 20.000 aplica-se a volume de vendas, não a lucro. Se você vendeu R$ 25.000 em ações no mês com lucro de R$ 500, é tributável (porque o volume ultrapassou o limite), mesmo que o lucro seja pequeno. A isenção é "tudo ou nada": basta um real acima dos 20 mil para tornar todo o lucro do mês tributável a 15%.
Como emitir o DARF
O DARF é emitido no site da Receita Federal, via SicalcWeb. Passo a passo:
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Acesse o Sicalc Web no site da Receita (sicalcweb.receita.fazenda.gov.br)
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Informe código da receita — 6015 para ambos, swing trade e day trade (renda variável no mercado à vista usa o mesmo código; a Receita separa as modalidades pelos informes da corretora)
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Informe o período de apuração (mês e ano da operação)
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Informe o valor devido
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Informe vencimento (último dia útil do mês seguinte)
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Gere e pague o DARF pelo banco (qualquer banco aceita pagamento com código de barras)
DARF mínimo é de R$ 10,00. Se o valor apurado no mês é menor que R$ 10,00, você acumula para meses seguintes até atingir o mínimo. Essa regra permite evitar pagamentos administrativamente custosos para valores pequenos.
Compensação de prejuízos
Uma das regras mais importantes — e mais ignoradas: prejuízo em operações de bolsa pode ser compensado contra lucros futuros, reduzindo o imposto devido. A compensação segue três regras:
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Compensação por tipo: prejuízo em day trade compensa apenas lucro em day trade; prejuízo em swing trade compensa apenas lucro em swing trade. Não misturam
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Compensação é ilimitada no tempo: um prejuízo de 2021 continua abatendo lucros em 2026, 2030 ou depois — desde que declarado corretamente ano a ano
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Compensação é registrada no IRPF anual: os prejuízos acumulados precisam aparecer na declaração. Se não declarar, não pode compensar depois
Exemplo: janeiro, prejuízo de R$ 3.000 em swing trade. Fevereiro, lucro de R$ 2.000 em swing trade. Resultado acumulado: −R$ 1.000 (ainda no prejuízo). Não paga DARF em fevereiro. Março, lucro de R$ 5.000 em swing trade. Resultado acumulado: +R$ 4.000. Paga 15% sobre R$ 4.000 = R$ 600 de DARF. A compensação reduziu o imposto devido de R$ 750 (se não houvesse prejuízo acumulado) para R$ 600.
Tributação de FIIs e ETFs: cuidado com as diferenças
FIIs: ganho de capital na venda de cotas é tributado a 20% sem isenção (diferente de ações). Dividendos mensais recebidos, quando atendem aos requisitos legais (fundos listados, 50+ cotistas, pessoa física não detém >10%), são isentos de IR. Esse é um dos grandes atrativos dos FIIs para pessoa física — mas não confunda isenção de dividendo com isenção total.
ETFs: tributados a 15% (swing trade) ou 20% (day trade) sem direito à isenção de R$ 20 mil. Diferente de ações, o ETF não se beneficia do limite de isenção — todo lucro é tributado, independentemente do volume mensal. ETFs de renda fixa (ex.: IMAB11) têm regras específicas, com IR retido na fonte em alguns casos.
BDRs: tributados a 15% (swing) ou 20% (day). Não têm isenção de R$ 20 mil. Dividendos de BDRs são tributados na fonte conforme o país de origem (EUA retém 30% ou 15% dependendo do acordo) e depois declarados no IR brasileiro, com compensação pelo imposto pago no exterior.
Os erros mais comuns de quem opera em bolsa
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Achar que o limite de R$ 20 mil vale para FIIs e ETFs: não vale. Esses ativos não têm isenção por volume. Muito investidor iniciante deixa de pagar DARF por confundir
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Não separar day de swing: um erro recorrente é somar lucro de day trade com lucro de swing trade na planilha. As alíquotas são diferentes (20% vs 15%) e a compensação de prejuízos é segregada
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Esquecer de declarar prejuízos: se você teve prejuízo em 2024 e não declarou no IRPF 2025, perdeu a compensação para 2025 e anos seguintes. Declarar prejuízo é obrigatório para preservar o direito de compensação
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Ignorar operações de corretora sem nota de corretagem: toda operação, mesmo em plataformas que não emitem nota explícita, precisa ser apurada. A corretora envia os dados à Receita; inconsistência gera malha fina
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Não guardar notas de corretagem: notas precisam ser mantidas por 5 anos. A corretora disponibiliza pelo site; recomenda-se fazer download e backup mensal
Passo a passo da apuração mensal
Toda a tributação de bolsa gira em torno de uma rotina simples que se repete todo mês. Quem domina esse fluxo não cai em malha fina:
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Separe as operações por modalidade: day trade de um lado, swing trade de outro. Dentro de swing, isole ainda ações comuns (que têm isenção) de FIIs, ETFs e BDRs (que não têm)
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Some o volume vendido em ações no mês: se ficou abaixo de R$ 20 mil e foi tudo swing de ações, o lucro é isento e não há DARF sobre essa parcela
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Apure o lucro líquido de cada modalidade: venda menos custo de aquisição (preço médio ponderado), já deduzindo corretagem e emolumentos
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Abata prejuízos acumulados da mesma modalidade: reduza o lucro tributável com o saldo de perdas anteriores antes de aplicar a alíquota
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Aplique a alíquota e emita a DARF (código 6015): 15% no swing tributável, 20% no day trade, descontando o 1% já retido na fonte no day
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Pague até o último dia útil do mês seguinte e guarde a guia para a DIRPF do ano seguinte
Se você ainda está montando posição e quer entender a mecânica das ordens antes de se preocupar com a apuração, o guia de como investir na bolsa de valores para iniciantes cobre o básico, e o passo a passo de como declarar ações no IR fecha o ciclo anual na DIRPF.
Ferramentas que ajudam
Diversas plataformas automatizam a apuração de IR em bolsa, calculando DARF e emitindo relatórios. Algumas são gratuitas (com limite de operações), outras pagas (R$ 20-50 por mês). Sem recomendação de marca específica, o critério para escolher envolve: volume de operações suportado, se inclui FIIs/ETFs/BDRs, compatibilidade com corretoras que você usa e qualidade do relatório anual (para puxar direto na declaração do IRPF).
Para quem opera pouco (10-20 operações por ano), planilha bem montada resolve. Para quem opera muito (acima de 50 operações mensais), o tempo gasto em apuração manual justifica o software. A conta simples: se o software cobra R$ 30/mês e você economiza 4 horas mensais a R$ 50/hora efetivo, o software paga 7x o preço.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre day trade e swing trade para o IR?
Day trade é comprar e vender o mesmo ativo no mesmo dia; swing trade carrega a posição por ao menos um pregão. Para o IR, day trade é tributado a 20% sobre o lucro, sem isenção. Swing trade de ações é tributado a 15%, com isenção quando o volume vendido no mês fica abaixo de R$ 20 mil.
Qual a alíquota de IR no day trade em 2026?
O day trade é tributado a 20% sobre o lucro líquido mensal, qualquer que seja o ativo (ações, FIIs, ETFs, contratos futuros) e sem nenhuma isenção por volume. A corretora retém 1% na fonte sobre o resultado positivo, e o investidor recolhe os 19% restantes via DARF até o último dia útil do mês seguinte.
A isenção de R$ 20 mil vale para todos os ativos de bolsa?
Não. A isenção de R$ 20 mil em volume mensal de vendas vale somente para ações em swing trade. Não vale para day trade (nunca tem isenção), nem para FIIs (sempre 20%), nem para ETFs (sempre 15%), nem para BDRs (sempre 15%). Tratar a regra como exclusiva de ações brasileiras em swing evita malha fina.
Preciso pagar IR sobre bolsa todo mês?
Sim, sempre que houver lucro tributável no mês. O imposto é apurado e recolhido via DARF (código 6015) até o último dia útil do mês seguinte ao da apuração. Diferente da renda fixa, em que o IR é retido na fonte, o IR de bolsa é autodeclarado pelo próprio investidor.
Como compensar prejuízos de day trade e swing trade?
Prejuízo de bolsa compensa lucros futuros sem limite de tempo, mas só dentro da mesma modalidade: prejuízo de day trade abate lucro de day trade; prejuízo de swing abate lucro de swing. A compensação precisa ser registrada na DIRPF anual ano a ano — prejuízo não declarado não pode ser usado depois.
Tive só prejuízo em bolsa no ano. Preciso declarar?
Sim, obrigatoriamente. A declaração de operações em bolsa independe do resultado. Declarar o prejuízo gera saldo para compensar lucros futuros, e quem opera bolsa sem informar fica inconsistente com os dados que a corretora envia à Receita via DIRF, o que costuma cair na malha fina.
Se eu tive só prejuízo em bolsa no ano, preciso declarar no IRPF?
Sim, obrigatoriamente. A declaração de operações em bolsa é independente do resultado — não é 'obrigatório só quando há lucro'. Quem opera bolsa e não informa fica inconsistente com as informações que a corretora envia via DIRF. O prejuízo declarado gera saldo para compensar lucros futuros (ilimitado no tempo); prejuízo não declarado é prejuízo perdido duplamente (contábil e fiscal).
A isenção de R$ 20 mil vale pra todos os ativos de bolsa?
Não — a isenção de R$ 20 mil em volume mensal de vendas vale SOMENTE para ações em swing trade. Não vale para day trade (nunca tem isenção), não vale para FIIs (sempre tributado a 20%), não vale para ETFs (sempre tributado a 15%), não vale para BDRs (sempre tributado a 15%). Vale também para mini-contratos de ações (em swing) e para contratos a termo de ações. A confusão com a isenção gera muitos problemas de malha fina — recomenda-se tratar a regra como específica de ações brasileiras em swing trade, e não assumir que outras classes herdam o benefício.
Escrito por Patrimo
O Patrimo é um app brasileiro de controle financeiro. Escrevemos os guias que gostaríamos de ter lido no começo: com a conta feita na sua frente, exemplos em reais e números que vêm do Banco Central, da B3 e da Receita Federal — nunca de achismo nem de promessa de rentabilidade. Conteúdo educacional; não é recomendação de investimento.
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